O CEO e a Secretária 173

Capítulo 18 — O Jogo das Sombras

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — O Jogo das Sombras

A Montenegro Corp, um colosso de vidro e aço que dominava o horizonte de São Paulo, parecia ter se tornado um campo de batalha silencioso. A descoberta de Helena sobre suas origens e a consequente revelação sobre a traição de Adalberto Montenegro haviam lançado uma sombra densa sobre a relação entre ela e Rafael. O romance incipiente, antes impulsionado pela atração e pela curiosidade, agora se entrelaçava com um propósito sombrio: a busca por justiça.

Naquela manhã, o burburinho no escritório era diferente. Os olhares curiosos das colegas, principalmente de Sofia, pairavam sobre Helena e Rafael, como se pressentissem a mudança sísmica que ocorrera nos bastidores. Helena, no entanto, mantinha uma postura profissional, a determinação em seus olhos escondendo a tempestade de emoções que a consumia.

"Preciso de acesso a todos os arquivos antigos, Rafael," Helena disse, em voz baixa, enquanto caminhavam em direção ao escritório dele. "Quero revisitar tudo. Contratos, cartas, registros financeiros. Quero entender cada detalhe da ascensão do seu avô."

Rafael assentiu, a mente já em movimento, traçando um plano. "Eu já solicitei a digitalização de todos os documentos do arquivo histórico. Estarão disponíveis em um servidor seguro. Mas teremos que ser discretos. Se alguém descobrir o que estamos fazendo, pode haver repercussões."

"Repercussões de quem?" Helena perguntou, a apreensão tomando conta de sua voz. "O que mais pode haver nesses documentos que seja tão perigoso?"

"Meu avô não era um homem gentil, Helena. Ele tinha muitos rivais, e não hesitou em usar métodos questionáveis para se livrar deles. Se essa história de Arthur Velasco for apenas a ponta do iceberg, pode haver outras 'vítimas' da Montenegro Corp." Rafael fez uma pausa, seu olhar fixo no dela. "E talvez, aqueles que se beneficiaram do legado de meu avô, ainda estejam por perto, protegendo seus interesses."

O jogo das sombras havia começado. Rafael e Helena se tornaram parceiros na investigação, seus encontros no escritório agora tingidos de cumplicidade e perigo. Eles passavam horas juntos, debruçados sobre pilhas de documentos, decifrando a caligrafia desbotada, desvendando os meandros de negócios antigos. O perfume amadeirado de Rafael, antes um gatilho para seus desejos, agora era o aroma da determinação e da esperança.

Sofia, percebendo a crescente proximidade entre o CEO e sua secretária, não conseguia conter sua curiosidade. Certa tarde, ela se aproximou de Helena enquanto ela organizava alguns papéis em sua mesa.

"Helena, você e o Sr. Montenegro parecem tão... unidos ultimamente," Sofia comentou, com um sorriso discreto. "Aconteceu alguma coisa especial durante aquela viagem a Paris?"

Helena sentiu um rubor subir em suas bochechas. A lembrança do beijo sob a chuva, da vulnerabilidade de Rafael, era um segredo que ela guardava a sete chaves. "Paris foi... intensa, Sofia. Muitas emoções à flor da pele." Ela sorriu, desviando do assunto. "Mas agora estou focada em ajudar o Sr. Montenegro a organizar esses arquivos antigos. Há muita história para ser descoberta aqui."

Sofia sorriu, satisfeita com a resposta evasiva. Ela admirava Helena e desejava sua felicidade, mas também notava a intensidade no olhar de Rafael quando ele a observava. Algo estava acontecendo, e ela sentia que era mais do que apenas uma relação profissional.

Enquanto isso, em outro canto da Montenegro Corp, o Dr. Eduardo Almeida, um dos vice-presidentes e um homem com um passado sombrio e conexões duvidosas, observava Helena e Rafael com desconfiança. Ele fora um dos homens de confiança de Adalberto Montenegro e sabia que a ascensão de Rafael, juntamente com a presença de Helena, poderia representar uma ameaça aos seus próprios interesses. Ele sabia que Adalberto era implacável, e que a Montenegro Corp fora construída sobre muitos segredos. A ideia de que esses segredos pudessem vir à tona, desvendados pela filha de um de seus antigos sócios, o deixava apreensivo.

Uma noite, enquanto Helena e Rafael revisavam documentos em uma sala de reuniões isolada, eles se depararam com uma carta peculiar. Era um bilhete curto, escrito em um papel grosso e perfumado, datado de alguns anos antes da fundação oficial da Montenegro Corp. A letra era delicada, feminina.

"Adalberto," a carta dizia, "as coisas estão ficando perigosas. Arthur está desconfiado. Precisamos agir rápido antes que ele perceba o que estamos tramando. A sua parte da dívida está quitada. Nosso acordo está selado. A Montenegro Corp será nossa."

Helena olhou para Rafael, o choque estampado em seu rosto. "Quem escreveu isso? 'Nosso acordo está selado'?"

Rafael sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A caligrafia não era de sua mãe. Ele pegou a carta, os olhos percorrendo cada palavra. "Acho que estamos descobrindo mais do que esperávamos, Helena. Parece que meu avô não agiu sozinho nessa traição."

A carta era assinada apenas com um "S.". Quem era "S."? Uma amante? Uma cúmplice? Rafael começou a suspeitar que a história era mais complexa do que ele imaginava.

Nos dias seguintes, eles focaram em desvendar a identidade de "S.". Rafael vasculhou os registros de Adalberto Montenegro, enquanto Helena analisava as correspondências antigas de sua própria família, buscando qualquer pista que pudesse conectar os pontos. A busca os levou a um nome recorrente nos arquivos de Adalberto: Sofia Mendes. Mas não a Sofia que trabalhava com eles. Esta Sofia Mendes era uma figura obscura, uma empresária de menor expressão que, de alguma forma, estava envolvida nos primeiros negócios de Adalberto.

"Sofia Mendes," Rafael murmurou, franzindo a testa. "Eu já ouvi esse nome antes. Ela tinha uma pequena empresa de importação e exportação. Sumiu do mercado há anos."

Helena sentiu um arrepio ao ouvir o nome. "Sofia... o nome da minha colega é Sofia. Sofia Oliveira."

Rafael parou. Seus olhos encontraram os de Helena, a surpresa e a suspeita crescendo em seus rostos. "Você tem certeza? A sua colega é Sofia Oliveira, não Mendes."

"Tenho certeza absoluta," Helena respondeu, a voz tensa. "Por que? Essa outra Sofia Mendes tem alguma ligação com a minha colega?"

Rafael passou a mão pelos cabelos, a mente correndo. "Eu não sei. Mas é uma coincidência muito estranha. E se a Sofia que você conhece... for filha dessa Sofia Mendes? Ou pior... se ela souber de algo?"

A ideia era perturbadora. Sofia, a colega gentil e prestativa, poderia estar ligada aos segredos sombrios da Montenegro Corp? Helena não queria acreditar.

"Não, Rafael. Sofia é uma pessoa boa. Ela jamais faria algo assim."

"Eu também não queria acreditar em muitas coisas, Helena. Mas o passado tem uma forma cruel de se manifestar no presente." Rafael olhou para a carta novamente. "E se essa Sofia Mendes for a cúmplice de meu avô na traição a Arthur Velasco? E se ela souber a verdade sobre o que aconteceu com seus pais?"

A possibilidade era aterradora. Helena sentiu seu estômago se contorcer. Ela confiava em Sofia. Compartilhou com ela seus medos, suas incertezas. Se Sofia estivesse envolvida, seria a traição definitiva.

Naquela noite, Helena decidiu confrontar Sofia. Ela esperou até que o expediente terminasse, e a Montenegro Corp estivesse quase vazia. Aproximou-se da mesa de Sofia, o coração batendo descompassado.

"Sofia? Você tem um minuto?"

Sofia levantou os olhos do computador, um sorriso amável em seus lábios. "Claro, Helena. O que foi?"

Helena respirou fundo. "Eu... eu precisei investigar algumas coisas sobre a história da empresa. Sobre os fundadores." Ela observou a reação de Sofia, procurando qualquer sinal de nervosismo. Mas Sofia apenas a observava com curiosidade.

"E você encontrou algo interessante?"

"Eu encontrei uma carta. Uma carta que mencionava uma mulher chamada Sofia Mendes, que era cúmplice do Sr. Adalberto Montenegro na fundação da empresa. E ela era muito próxima dele." Helena observou atentamente o rosto de Sofia. Um leve tremor percorreu os lábios de Sofia, mas seus olhos permaneceram firmes.

"Sofia Mendes? Não conheço essa pessoa," Sofia disse, sua voz calma, mas com um tom que Helena não conseguia decifrar. "Talvez seja um nome antigo da família, mas eu nunca ouvi falar dela."

Helena sentiu uma pontada de decepção. Era possível que fosse apenas uma coincidência? Ou Sofia estava mentindo muito bem?

"Entendo," Helena disse, tentando mascarar sua desconfiança. "Obrigada, Sofia."

Quando Helena se virou para ir embora, Sofia a chamou. "Helena," ela disse, a voz mais baixa e séria. "Se você está investigando o passado da Montenegro Corp, tome cuidado. Algumas pessoas não gostam que as sombras do passado sejam perturbadas."

As palavras de Sofia ecoaram na mente de Helena. Era um aviso? Ou uma ameaça velada? Ela agradeceu com um aceno de cabeça e saiu, a incerteza a corroendo.

Naquela noite, Rafael recebeu uma mensagem anônima. Era um arquivo digital, contendo imagens de Elena e Rafael revisando documentos na sala de reuniões. Uma mensagem acompanhava o arquivo: "Cuidado. As paredes têm ouvidos e os olhos estão por toda parte."

Rafael sentiu um calafrio. Alguém estava vigiando seus movimentos. Alguém sabia o que eles estavam fazendo. O jogo das sombras havia se intensificado.

Ele ligou para Helena imediatamente. "Helena, preciso que você saia da Montenegro Corp agora. E vá para um lugar seguro. Estamos sendo observados."

Helena, em seu apartamento, sentiu o pânico subir. "Observados? Por quem?"

"Eu não sei. Mas alguém está nos espionando. E essa pessoa não parece querer que descubramos a verdade." Rafael fez uma pausa, sua voz carregada de preocupação. "E sobre Sofia... eu acho que devemos mantê-la sob vigilância. Essa coincidência de nomes é grande demais para ser ignorada."

Helena sentiu um aperto no coração. Ela não queria acreditar que Sofia a estava traindo, mas as palavras de Sofia e o aviso anônimo eram perturbadores. A busca pela justiça se tornava cada vez mais perigosa, e as pessoas em quem ela confiava poderiam ser as mesmas que a queriam impedir. O labirinto de segredos se aprofundava, e Helena e Rafael estavam presos em seu centro, sem saber quem eram seus verdadeiros aliados ou seus inimigos. A paixão que os unia agora era um farol em meio à escuridão, mas o caminho à frente era incerto e repleto de perigos.

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