Amor sem Fronteiras 174
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Amor sem Fronteiras 174", com o coração pulsando ao ritmo de Paraty e o eco de segredos que teimam em vir à tona.
por Valentina Oliveira
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Amor sem Fronteiras 174", com o coração pulsando ao ritmo de Paraty e o eco de segredos que teimam em vir à tona.
Amor sem Fronteiras 174 Autor: Valentina Oliveira
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Capítulo 11 — A Sombra de Um Passado Inesperado
O ar de Paraty, outrora carregado com a brisa salgada do mar e o perfume adocicado das flores, agora parecia denso, espesso, carregado de uma tensão palpável. Carolina sentia isso nos ossos, uma inquietação que nada tinha a ver com as noites de insônia recentes. O confronto com Miguel na praça principal da cidade histórica deixara marcas. Não as marcas físicas, mas as da alma, as que se cravam fundo e ecoam por dias. Ela o vira, o homem que ela tanto amara e que, por um triz, quase a destruíra, com um olhar que misturava dor e uma ameaça velada. Ele não era mais o vilão de novela que ela havia relegado às páginas de um passado superado. Era real, um perigo latente, e o pior, parecia estar mais perto do que ela imaginava.
Sentada à beira da janela do seu quarto na Pousada dos Sonhos, com a xícara de café esfriando em suas mãos, Carolina observava as poucas pessoas que ainda circulavam pelas ruas de pedra. O pôr do sol começava a pintar o céu com tons de laranja e roxo, mas a beleza do espetáculo não a alcançava. A imagem de Miguel, com seu sorriso torto e os olhos que pareciam ler sua alma, não saía de sua mente. Como ele sabia que ela estava ali? Como ele apareceu, do nada, como um fantasma de um pesadelo que ela jurara ter enterrado?
“Ele não pode estar aqui”, murmurou para si mesma, a voz quase inaudível. A ideia era absurda. Miguel era um homem que se movia nas sombras, um lobo solitário com uma rede de contatos que ela nunca chegara a desvendar completamente. Mas Paraty? Uma cidade tão pequena, tão… exposta. O que ele faria ali?
A porta do quarto se abriu suavemente e a figura de Sofia apareceu. A amiga, com seus cabelos revoltos e um semblante preocupado, trazia consigo um prato com biscoitos e um sorriso que tentava, sem sucesso, amenizar a apreensão.
“Carol, você precisa comer alguma coisa”, disse Sofia, aproximando-se e depositando o prato na mesinha ao lado. “Você está pálida como um fantasma.”
Carolina deu um suspiro pesado, virando-se para encarar a amiga. “Fantasma é pouco, Sofia. Sinto que estou sendo assombrada.”
Sofia sentou-se na beira da cama, os olhos fixos em Carolina. “Você está falando do Miguel, não é?”
Carolina apenas assentiu, a gola da blusa apertando sua garganta. “Ele estava lá, Sofia. Na praça. Falou comigo. E ele… ele sabia. Sabia que eu viria para cá. Como?”
Sofia franziu a testa. “Isso é muito estranho. Você tem certeza que ele não te seguiu?”
“Seguiu? Ele apareceu como se estivesse esperando por mim. E o olhar dele… não era de um homem que está apenas de passagem. Era… ameaçador. Como se ele quisesse me avisar que o jogo ainda não tinha acabado.” As palavras saíram em um sussurro trêmulo.
“Mas por quê? O que ele ganha em te atormentar assim? Acha que ele quer algo que você tem? Algo que você trouxe de São Paulo?” Sofia questionou, tentando encontrar uma lógica na situação.
“Eu não sei”, Carolina admitiu, esfregando as têmporas. “O que eu tenho que ele poderia querer? A minha vida aqui? A minha tranquilidade? Ou talvez… talvez ele queira algo que eu nem sei que possuo.”
O silêncio se instalou entre elas, preenchido apenas pelo som distante das ondas quebrando na praia. A paz de Paraty, que Carolina tanto buscara, começava a ser corroída por essa nova e aterradora ameaça. Miguel era a personificação de seu passado sombrio, e a sua presença ali significava que as sombras estavam prestes a invadir a luz que ela tanto lutara para encontrar.
“Precisamos ter cuidado, Carol”, Sofia disse, a voz firme, mas com uma pitada de apreensão. “Não podemos subestimá-lo. Ele é perigoso.”
“Eu sei disso. Mas como podemos nos defender de algo que não entendemos? Como podemos nos proteger de um fantasma que insiste em nos perseguir?” Carolina se levantou, caminhando até a varanda e olhando para o céu que agora ganhava as primeiras estrelas. “Miguel sempre foi um mestre em manipulação. Em me fazer acreditar no que ele queria. E agora, ele está aqui, me olhando, me testando. Eu sinto que ele está brincando comigo.”
Sofia a seguiu, abraçando-a pelos ombros. “Nós vamos descobrir o que ele quer. E nós vamos protegê-la. Você não está sozinha nisso.”
Carolina se virou, encontrando o olhar determinado de Sofia. “Obrigada, amiga. Eu não sei o que faria sem você.” Ela respirou fundo, tentando reunir suas forças. “Acho que precisamos ser mais cautelosas. Evitar lugares muito movimentados por enquanto. E ficar atentas a qualquer coisa incomum.”
“E o seu projeto? Você ainda pretende continuar com as obras?” Sofia perguntou, preocupada com a possibilidade de que a presença de Miguel pudesse inviabilizar tudo.
Carolina hesitou por um momento. Aquele projeto era o seu refúgio, a materialização de seus sonhos e da sua nova vida. Era a sua forma de provar a si mesma, e a todos, que ela era mais forte do que o passado. “Eu vou continuar, Sofia. A força que ele tenta tirar de mim é exatamente o que me impulsiona. Miguel não vai destruir isso. Não mais.”
Enquanto falava, um flash de memória percorreu sua mente: a conversa tensa que tivera com o arquiteto responsável pela reforma da antiga casa. Ele havia mencionado alguns problemas inesperados com a documentação, algo que ele pensava ter sido resolvido. Mas, agora, com Miguel à solta e sabendo que ele era capaz de tudo para prejudicá-la, essas “inconveniências” ganhavam um novo e sinistro significado. Seria possível que ele estivesse por trás disso também?
“Temos que investigar isso mais a fundo”, Carolina disse, mais para si mesma do que para Sofia. “Precisamos saber o que está acontecendo nos bastidores.”
A noite em Paraty, que deveria ser um refúgio de paz, transformara-se em um campo minado. A sombra de Miguel pairava sobre tudo, e Carolina sentia que a luta estava apenas começando. A busca por recomeço agora se misturava com a necessidade urgente de sobrevivência.