Amor sem Fronteiras 174

Capítulo 12 — Os Segredos da Casa do Rio

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — Os Segredos da Casa do Rio

O sol da manhã banhava as ruas de Paraty com uma luz dourada, mas para Carolina, a clareza parecia distante. A noite mal dormida fora povoada por pesadelos com o rosto de Miguel, um presságio sombrio que pairava sobre o seu recomeço. A conversa com Sofia, embora reconfortante, não dissipara o medo. A presença de Miguel em Paraty era um golpe inesperado, uma ameaça que desestabilizava a frágil paz que ela construíra.

Determinada a não ceder ao pânico, Carolina decidiu que a melhor forma de lidar com a situação era agir. A sua intuição gritava que a aparição de Miguel não era coincidência, e que o seu interesse em Paraty estava intrinsecamente ligado ao seu próprio futuro na cidade. A reforma da antiga casa na beira do rio, que ela adquirira com tanto esforço e esperança, era o seu projeto de vida, o seu porto seguro. Se Miguel estivesse tramando algo, seria contra ela, contra o seu refúgio.

“Sofia, eu preciso ir até a casa”, Carolina declarou durante o café da manhã na pousada. “Quero falar com o arquiteto pessoalmente. Precisamos entender o que são esses ‘imprevistos’ na documentação. Sinto que há algo mais por trás disso.”

Sofia, com o semblante ainda marcado pela preocupação, assentiu. “Eu vou com você. Não quero que você vá sozinha.”

A viagem até a propriedade foi feita em silêncio, cada um imerso em seus pensamentos. A casa, uma construção antiga com traços coloniais que inspiravam uma aura de mistério e grandiosidade, erguia-se imponente à beira do rio. As obras estavam em andamento, e o som das ferramentas ecoava no ar, um sinal de que a vida ali voltaria a pulsar.

Ao chegarem, encontraram o arquiteto, Sr. Antônio, um homem de meia-idade com um ar cansado, supervisionando o trabalho. Ele os recebeu com um sorriso educado, mas a sua expressão não escondia uma certa apreensão quando Carolina mencionou os problemas com a documentação.

“Senhora Carolina, o que eu disse ao telefone foi apenas um resumo. A situação é um pouco mais delicada do que imaginávamos”, começou o Sr. Antônio, guiando-os para um escritório improvisado em um dos cômodos da casa ainda em reforma.

Carolina sentou-se em uma cadeira de madeira rústica, o coração batendo acelerado. “Mais delicada como, Sr. Antônio? Eu preciso saber exatamente o que está acontecendo.”

O arquiteto suspirou, abrindo uma pasta cheia de papéis. “Bem, a questão é que parece haver uma disputa de terras antiga sobre a propriedade. Um dos documentos que você apresentou na compra, que foi validado na época, parece ter sido contestado por uma outra parte. Alguém que alega ter um direito anterior sobre o terreno.”

Sofia trocou um olhar apreensivo com Carolina. “Uma disputa de terras? Mas isso não foi verificado antes da compra?”

“Segundo o registro público, estava tudo em ordem. A vendedora garantiu que não havia pendências. No entanto, agora, surgiu um novo documento, que parece ter sido… ‘encontrado’ recentemente, que alega uma outra escritura, anterior à sua. E essa pessoa está entrando com uma liminar para suspender as obras até que a questão seja resolvida judicialmente.”

Um calafrio percorreu a espinha de Carolina. “E quem é essa pessoa? Quem está contestando a minha posse?”

Sr. Antônio hesitou, o olhar desviando do de Carolina. “O nome que consta no processo é… bem, é um nome que talvez a senhora conheça. Miguel de Almeida.”

O nome soou como um golpe. Miguel. Era ele. Ele estava por trás disso. A manipulação de Miguel não conhecia limites. Ele não era apenas um perseguidor, mas um sabotador, disposto a usar todos os meios para destruir a sua vida.

“Miguel de Almeida?”, Carolina repetiu, a voz embargada pela raiva e pela incredulidade. “Ele não tem direito algum sobre essa terra! Eu comprei esta propriedade legalmente!”

“Eu sei, Senhora Carolina. Mas ele apresentou um documento que, à primeira vista, parece ter validade. É um documento antigo, com uma assinatura que parece ser legítima. E a justiça, por precaução, tende a ser cautelosa em casos de litígio sobre terras.”

“Cautelosa? Ou manipulada?”, Carolina retrucou, a voz trêmula de indignação. “Sr. Antônio, eu preciso que você faça algo. Preciso que você prove que esse documento é falso. Que Miguel está mentindo.”

O arquiteto coçou a cabeça, visivelmente desconfortável. “Senhora Carolina, eu sou arquiteto. Não sou investigador nem advogado. Posso garantir que a documentação original que você apresentou é clara. Mas provar a falsidade de um documento histórico… isso é algo para um perito e, claro, para um bom advogado.”

Sofia interveio, com a voz firme. “Então é isso que vamos fazer. Vamos encontrar o melhor advogado de Paraty e resolver essa questão. Miguel não vai nos vencer.”

Carolina assentiu, tentando controlar a raiva que a consumia. Ela olhou em volta, para a casa que começava a ganhar forma, para os vestígios de uma história que ela queria ressignificar. Miguel estava tentando roubar seu futuro, assim como tentara roubar seu passado. Mas ela não permitiria.

“Sr. Antônio, o que mais Miguel sabe sobre esta casa? Algum segredo, alguma história antiga?”, Carolina perguntou, um pressentimento de que Miguel estaria usando algo mais profundo do que apenas um documento forjado.

O arquiteto pensou por um momento. “Bem, essa casa tem uma história longa. Reza a lenda que foi construída por um antigo traficante de ouro no século XVIII. Dizem que ele escondia seus tesouros em algum lugar dentro das paredes ou nos arredores. Nunca encontraram nada, mas a história sempre circulou.”

Um brilho nos olhos de Carolina. Miguel era obcecado por dinheiro, por poder. Se houvesse a menor chance de encontrar algo valioso ali, ele não hesitaria em usar essa lenda para seus próprios fins.

“Obrigada, Sr. Antônio. Por tudo”, Carolina disse, levantando-se. “Vamos para a cidade agora. Precisamos de um advogado. E você, por favor, continue com o trabalho, na medida do possível. E não mencione nada sobre essa disputa a ninguém.”

“Certamente, Senhora Carolina”, respondeu o Sr. Antônio, assentindo com a cabeça.

Ao saírem da casa, o silêncio entre Carolina e Sofia era carregado de determinação. Miguel havia revelado sua verdadeira face, a de um manipulador implacável. Mas ele não contava com a força de Carolina, nem com a lealdade de Sofia.

“Ele acha que pode me assustar, que pode me deter. Mas ele está enganado”, Carolina disse, olhando para o rio que fluía sereno, como se ignorasse a tempestade que se formava. “Essa casa é o meu futuro. E eu vou lutar por ela. Miguel vai aprender que há fronteiras que nem mesmo ele pode cruzar.”

A batalha em Paraty havia ganhado novas e perigosas dimensões. E Carolina estava pronta para lutar.

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