Amor sem Fronteiras 174

Capítulo 8 — A Volta à Causa dos Sonhos em Paraty

por Valentina Oliveira

Capítulo 8 — A Volta à Causa dos Sonhos em Paraty

O anúncio de Ricardo ecoara como um trovão em um céu sereno. A urgência em sua voz, a menção a um "imprevisto" e a necessidade de discutir o "passado" haviam sacudido Helena até o âmago. Deixar São Paulo, com sua rotina agitada e a aparente normalidade, para retornar a Paraty, a terra de seus mais intensos sentimentos, era um ato de coragem e, talvez, de desespero.

Em menos de vinte e quatro horas, Helena estava de volta a seu carro, dirigindo pela Via Dutra em direção ao litoral fluminense. A paisagem urbana de São Paulo foi gradualmente substituída por um verde exuberante e um ar mais puro. Cada quilômetro percorrido parecia aproximá-la não apenas de Ricardo, mas também das respostas que ela tanto ansiava.

A casa dos avós de Ricardo, com suas paredes caiadas e o aroma de jasmim pairando no ar, parecia a mesma, mas, para Helena, tudo havia mudado. A energia do lugar era diferente, carregada de uma expectativa silenciosa. Ela estacionou o carro e respirou fundo, o cheiro salgado do mar invadindo suas narinas.

Ao entrar na varanda, onde tantas conversas haviam acontecido, ela o viu. Ricardo estava lá, de costas, olhando para o mar. A mesma pose, a mesma aura de força e introspecção que a fascinava. Ele se virou ao ouvir seus passos, e um misto de alívio e uma profunda tristeza atravessou seu olhar.

"Helena. Você veio", ele disse, a voz embargada.

"Você pediu para eu vir", ela respondeu, o coração apertado. "O que está acontecendo, Ricardo? O que é tão urgente?"

Ricardo a convidou para sentar. O silêncio pairou entre eles, preenchido pelo som das ondas. Ele parecia lutar contra suas próprias palavras, como se carregasse o peso do mundo em seus ombros.

"Lembra que eu te falei que minha família tem uma história longa e complicada em Paraty?", ele começou, a voz baixa.

Helena assentiu, lembrando-se das poucas menções que ele fizera sobre seus pais.

"Meus pais morreram em um acidente quando eu era muito jovem. Fiquei com minha tia, Dona Clara. Ela sempre foi uma mulher forte, mas viveu com um segredo. Um segredo que ela me contou há pouco tempo, pouco antes de falecer." Ricardo fechou os olhos por um instante. "Um segredo que envolve a origem da nossa fortuna. Uma fortuna que não é tão limpa quanto parece."

Helena o olhou, chocada. Aquele homem, tão íntegro e dedicado aos negócios, envolvido em algo sujo? A ideia parecia absurda.

"O que você quer dizer com isso?", ela perguntou, a voz mal saindo.

"A riqueza da minha família não veio apenas do trabalho duro, Helena. Ela veio de negócios ilícitos no passado. Tráfico, lavagem de dinheiro... coisas que meus pais fizeram e que minha tia tentou esconder, protegendo o nome da família e, principalmente, a mim." Ele suspirou. "Mas o passado tem um jeito de voltar para nos assombrar. Recentemente, algumas pessoas do passado de meus pais surgiram, exigindo uma parte do que eles consideram ser deles. Pessoas perigosas, Helena. Pessoas que não se importam em quem vão machucar para conseguir o que querem."

Helena sentiu o sangue gelar. As pessoas perigosas. O imprevisto. Tudo começou a fazer sentido, mas de uma forma aterradora. "Eles sabem sobre mim? Sobre nós?", ela perguntou, o medo tomando conta.

"Não sei. Mas eles sabem que eu herdei tudo. E se descobrirem que eu tenho um relacionamento com alguém, isso pode se tornar uma arma contra mim. Ou pior, um alvo. Por isso eu me afastei, Helena. Por isso eu te afastei. Eu não podia arriscar que você fosse envolvida nisso. Eu não podia arriscar que eles te machucassem."

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Helena. Aquele homem que ela amava, que a fizera sentir coisas tão puras, estava lutando contra demônios que ela nem imaginava. A razão do afastamento não era desinteresse, mas um sacrifício doloroso.

"Você poderia ter me contado, Ricardo", ela sussurrou, a voz embargada. "Nós poderíamos ter enfrentado isso juntos."

"Como eu poderia te colocar em risco, Helena? Você era a única coisa pura na minha vida. A única coisa que me fazia querer ser alguém melhor. Eu não podia manchar isso. Não podia te trazer para o meu mundo sombrio."

Ele se aproximou dela, a mão tocando seu rosto suavemente. "Mas eu não aguento mais. Não aguento mais te ver longe. E eu não posso mais esconder a verdade. Você precisa saber quem eu sou, Helena. Com todas as minhas falhas e com todo o meu passado."

Helena se jogou nos braços dele, as lágrimas molhando a camisa dele. Ela sentiu o aperto forte em que ele a abraçou, a necessidade dele de se sentir conectado a ela. "Eu te amo, Ricardo", ela disse, a voz abafada contra o peito dele. "Amo você, com tudo. Com o seu passado, com os seus medos. Não importa o que aconteça, eu não te deixo."

Os dois ficaram abraçados por um longo tempo, as palavras não ditas preenchidas pelo som do mar e pela intensidade de seus sentimentos. A revelação de Ricardo havia sido um golpe, mas, em vez de afastá-la, havia fortalecido o laço entre eles. Helena compreendeu a dor dele, o peso de sua responsabilidade e a coragem que ele tivera em protegê-la, mesmo que por meios equivocados.

"O que vamos fazer agora?", Helena perguntou, afastando-se um pouco para olhá-lo nos olhos.

"Eu já tomei algumas medidas. Contratei segurança discreta. E estou trabalhando com meus advogados para lidar com essas pessoas. Mas o risco ainda existe", Ricardo explicou, a seriedade em seu olhar. "Eu não vou deixar que eles me tirem tudo o que eu construí, e muito menos que te machuquem."

"E eu não vou deixar que você lute sozinho", Helena respondeu, firme. "Eu sou sua parceira agora, Ricardo. Em tudo."

Naquela noite, sentados na varanda sob o céu estrelado, eles conversaram por horas. Ricardo contou detalhes sobre a origem dos negócios de seus pais, sobre a complexidade de lidar com pessoas desonestas e sobre o medo constante de que tudo desmoronasse. Helena ouviu atentamente, oferecendo conforto e força. Ela percebeu que o amor que sentiam era mais forte do que qualquer desafio.

O vale dos sonhos que eles haviam desvendado em Paraty parecia agora envolto em uma névoa de perigo, mas a luz que emanava do amor deles era forte o suficiente para dissipar as sombras. A revelação do passado de Ricardo não os separou, mas os uniu de uma forma ainda mais profunda. Juntos, eles estavam prontos para enfrentar qualquer coisa que viesse pela frente, com o amor como sua maior arma e a verdade como seu escudo.

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