A Noiva do Bilionário 176
Capítulo 10 — O Confronto no Cais e a Promessa do Abismo
por Camila Costa
Capítulo 10 — O Confronto no Cais e a Promessa do Abismo
O olhar de Fernando, fixo em Isabella no corredor escuro dos bastidores da Ópera, era como o de um predador que encurralou sua presa. A surpresa em seu rosto havia desaparecido, substituída por uma frieza calculista que a fez tremer. Ela sabia que era o fim da linha, a hora da verdade, o momento em que os véus da mentira cairiam.
"Fernando...", a voz de Isabella saiu como um sussurro rouco, a adrenalina correndo em suas veias.
Ele se aproximou lentamente, seus passos ecoando no silêncio opressivo. O perfume amadeirado dele a sufocava, um cheiro familiar de armadilha. "Perdida, Bella? Ou procurando algo que não devia?"
Isabella engoliu em seco, reunindo toda a coragem que lhe restava. A chama de revolta, antes uma brasa, agora ardia com a força de um incêndio. Ela não seria mais a ovelha manipulada. "Eu sei de tudo, Fernando."
Um leve sorriso surgiu nos lábios dele, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Tudo? Isso é muita coisa para uma moça tão jovem. O que exatamente você acha que sabe, Isabella?"
"Eu sei sobre Eleonora", disse ela, sua voz ganhando firmeza. "Eu sei sobre Daniel. Eu sei sobre o incêndio. E eu sei que você está por trás do meu sequestro."
Fernando riu, um som baixo e sem humor. "Impressionante. Você realmente se dedicou a isso. Mas suas conclusões são... incompletas. E perigosas."
"Perigosas para quem?", retrucou Isabella, dando um passo para trás, seus olhos fixos em sua figura imponente. "Para você? Para seus segredos sombrios?"
"Para você, Isabella", disse Fernando, sua voz ganhando um tom mais duro. "Você está mexendo em um vespeiro. E eu não posso permitir que isso prejudique meus planos."
"Seus planos?", Isabella sentiu um frio na espinha. "Que planos, Fernando? O que eu represento para você?"
"Você representa uma peça fundamental", respondeu ele, seus olhos escuros brilhando com uma intensidade perturbadora. "Uma peça que vai garantir meu futuro. E o futuro da família Alencar."
Antes que Isabella pudesse responder, a porta ao lado se abriu e um dos homens que a haviam sequestrado apareceu, seu olhar fixo nela. Era um sinal. O jogo havia acabado, e a captura era iminente.
"Isabella, não complique as coisas", disse Fernando, estendendo a mão para ela. "Venha comigo. Podemos resolver isso de forma civilizada."
Mas Isabella sabia que "civilizado" para Fernando significava controle absoluto. Ela recusou sua mão, sentindo uma onda de pânico misturada com uma determinação férrea. Ela não voltaria para a gaiola dourada.
"Eu não vou com você", disse ela, sua voz firme. "Eu vou descobrir a verdade. E você não pode me impedir."
Fernando suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa. "Você é teimosa, Bella. Sempre foi. Mas a teimosia pode ser perigosa." Ele fez um gesto discreto para o segurança.
O homem avançou em direção a Isabella, mas antes que ele pudesse tocá-la, um barulho inesperado soou do lado de fora. Sirenes. Eram altas, urgentes, aproximando-se rapidamente.
Fernando franziu a testa, surpreso. "O que é isso?"
Um dos homens que estava com o segurança voltou correndo, o rosto pálido. "Senhor! A polícia! Eles estão cercando o prédio!"
Fernando olhou para Isabella, seus olhos escuros cheios de uma fúria contida. A surpresa e a raiva se misturaram em seu rosto. Alguém o havia traído. Ou Isabella havia conseguido enviar um sinal? Ela não se lembrava de ter feito nada.
"Pegue-a!", ordenou Fernando ao segurança.
Mas o homem hesitou, o som das sirenes cada vez mais alto e a perspectiva de uma batida policial repentina o desestabilizando.
Naquele instante, Isabella viu sua chance. Ela correu. Correu como nunca havia corrido em sua vida, tropeçando no escuro corredor, o som das sirenes guiando-a. Ela podia ouvir os gritos de Fernando e os passos do segurança em seu encalço.
Ela abriu uma porta aleatória e se viu em uma escada de serviço estreita e empoeirada. Desceu os degraus em disparada, sentindo o ar rarefeito queimar em seus pulmões. Ela sabia que precisava sair dali, longe de Fernando e de seus homens.
Ela emergiu em uma área de serviço nos fundos da Ópera, perto dos cais. A noite estava escura, o cheiro salgado do mar misturado com a poluição da cidade. Havia barcos ancorados ali, e a escuridão oferecia um refúgio precário.
Ela podia ouvir os passos se aproximando. Fernando e seus homens não desistiriam facilmente. Ela correu em direção aos cais, a adrenalina pulsando em suas veias. O que ela faria? Para onde iria?
Foi então que ela o viu. Um homem em pé na escuridão, perto de um pequeno barco de pesca. Ele a olhou, e Isabella sentiu um lampejo de reconhecimento, uma lembrança vaga de um rosto visto brevemente em um dos eventos anteriores de Fernando. Ele era o Dr. Arthur Mendes.
"Dr. Mendes!", Isabella gritou, sua voz cheia de desespero.
Ele se aproximou rapidamente, o semblante sério. "Isabella! O que está fazendo aqui? Ouvi as sirenes."
"Fernando...", Isabella começou a dizer, ofegante. "Ele... ele me sequestrou. Ele sabe que eu sei."
Dr. Mendes a olhou com compaixão e urgência. "Eu desconfiava. Helena sempre me disse que havia algo errado em como Fernando se comportava. Ele é perigoso. Eu recebi uma denúncia anônima sobre atividades suspeitas na Ópera esta noite. Achei que deveria vir verificar."
"Eles estão vindo atrás de mim", disse Isabella, olhando para trás, para a escuridão de onde viera.
"Entre no barco!", disse Dr. Mendes, ajudando-a a embarcar. "É a única maneira de sair daqui. Tenho um contato que pode ajudar."
No momento em que eles se afastavam do cais, as luzes dos carros de polícia começaram a iluminar a área. Fernando e seus homens apareceram, seus rostos contorcidos de raiva e frustração ao verem o barco de pesca se afastando na escuridão.
Enquanto o barco navegava pelas águas escuras do porto, Isabella olhou para trás, para a cidade que agora parecia um labirinto de perigo e segredos. Ela havia escapado da Ópera, mas sabia que a luta estava longe de terminar. Fernando era poderoso, e ele não a deixaria ir tão facilmente.
Ela olhou para Dr. Mendes, que a observava com um olhar preocupado. "Obrigada, Dr. Mendes. Eu não sei o que teria acontecido se o senhor não estivesse aqui."
"Não foi nada, Isabella", respondeu ele. "Você é corajosa. Mas Fernando Alencar é um homem com muitos inimigos e muitos segredos. Precisamos ter cuidado. A verdade sobre Eleonora e Daniel... ela pode ser a chave para expor tudo."
Isabella sentiu um arrepio ao pensar em Eleonora e Daniel. Sua história trágica parecia ecoar na sua própria. Ela havia escapado de uma armadilha, mas sentia que estava prestes a cair em outra. O mar escuro à sua frente parecia prometer um abismo de incertezas, mas pela primeira vez em muito tempo, Isabella sentiu uma ponta de esperança. Ela havia sobrevivido. E agora, ela estava determinada a descobrir toda a verdade, não importa o quão sombria fosse. O eco da viola, a sombra na ópera, o cheiro de enxofre e as cinzas de uma tragédia antiga a impulsionavam para um futuro incerto, mas onde ela, finalmente, lutaria por sua própria liberdade.