A Noiva do Bilionário 176

Capítulo 2 — O Voo Quebrado da Pomba Branca

por Camila Costa

Capítulo 2 — O Voo Quebrado da Pomba Branca

A festa de casamento de Luiza e Arthur Drummond era um espetáculo digno de uma revista de alta sociedade. Do topo da mansão em Joá, a vista era deslumbrante, a Baía de Guanabara emoldurada por um céu que começava a ceder espaço para o manto estrelado da noite. A música, agora mais vibrante, embalava os convidados em uma dança de opulência. Bandejas de canapés exóticos circulavam, o champanhe fluía como um rio, e os sorrisos, em sua maioria, pareciam genuínos. Mas para Luiza, cada instante era um exercício de contenção.

Ela dançava com Arthur, seu corpo em sintonia com os movimentos calculados dele. Ele era um bom parceiro, elegante, atencioso de uma forma protocolar. Segurava sua mão com firmeza, seus olhos azuis a estudavam com uma intensidade que ela não conseguia decifrar completamente. Havia admiração, sim. Talvez até um certo tipo de posse. Mas o calor, a entrega, a paixão que ela idealizara em tantos sonhos, pareciam distantes, inacessíveis.

“Você está deslumbrante, Luiza”, Arthur disse, a voz baixa, apenas para ela. Seus lábios se curvaram em um sorriso que, desta vez, parecia mais genuíno, embora ainda tingido de cautela.

Luiza retribuiu o sorriso, esforçando-se para que parecesse natural. “Obrigada, Arthur. Você também está muito elegante.”

Ele riu suavemente, um som grave que a fez sentir um leve arrepio. “Você sabe que eu só me visto assim para ocasiões especiais. E esta é, sem dúvida, a mais especial de todas.”

Ele a puxou para mais perto, e por um breve momento, Luiza se permitiu sentir o calor do seu corpo, a força dos seus braços. Era um homem poderoso, um homem que sabia o que queria e como conseguir. E naquele momento, ele a queria. A queria como sua esposa, sua companheira, a mulher que o acompanharia em sua ascensão social e profissional.

Mas, enquanto seus olhos se encontravam, Luiza percebeu uma sombra de tristeza nos olhos dele, um reflexo fugaz de algo que ele escondia. Arthur Drummond, o bilionário invencível, parecia carregar seus próprios fardos, seus próprios mistérios.

“Você parece um pouco distante, meu amor”, Arthur observou, o tom de voz suavizando. “Está cansada?”

“Não, de forma alguma”, ela respondeu rapidamente, talvez rápido demais. “Estou apenas… absorvendo tudo. É tudo tão… avassalador.”

Ele assentiu, compreensivo. “Eu sei. Para você, talvez seja um choque. Mas prometo que você se acostumará. E eu estarei aqui para te guiar em cada passo.”

A promessa era reconfortante, mas também soava como um aviso. Guiá-la. Sim, ele a guiaria. Mas para onde? E quem guiaria a si mesmo em meio a essa teia de interesses e aparências?

A noite avançava, e com ela, a necessidade de Luiza de escapar daquela bolha dourada. Ela precisava de ar, de um momento a sós para reconectar-se com sua própria essência, para tentar entender se aquele casamento era o início de um conto de fadas ou a armadilha de uma gaiola luxuosa.

Enquanto Arthur se reunia com alguns de seus sócios para discutir, em voz baixa e risadas contidas, assuntos de negócios, Luiza se afastou, buscando a solidão do terraço mais distante, aquele que dava para o jardim, longe do burburinho da festa. O ar da noite era fresco, carregado do perfume de jasmim e da brisa marinha.

Ela caminhou até o parapeito, observando as estrelas que começavam a pontilhar o céu negro. As luzes da cidade brilhavam ao longe, como diamantes espalhados sobre um veludo escuro. Um suspiro escapou de seus lábios. Era um suspiro de liberdade, de alívio, mas também de uma profunda melancolia.

Lembrou-se de Niterói, das noites em que se sentava na varanda de sua casa simples, observando as mesmas estrelas, sonhando com um futuro diferente. Um futuro onde o amor era a prioridade, não o status ou o poder. Um futuro onde ela pudesse ser ela mesma, sem máscaras, sem aparências.

Um movimento discreto chamou sua atenção. Do outro lado do jardim, sob a sombra de uma mangueira frondosa, uma figura se destacava. Era Ricardo Drummond, o irmão mais velho de Arthur. Ele estava ali, sozinho, observando a festa com uma expressão pensativa.

Luiza hesitou. Ricardo era um homem diferente de Arthur. Mais reservado, com um ar de intelectualidade que a intrigava. Em algumas ocasiões em que se encontraram durante o noivado, sentiu nele uma certa compaixão, um olhar que parecia entender um pouco da sua própria hesitação.

Impelida por uma força que ela não soube explicar, Luiza caminhou em direção a ele.

“Boa noite, Ricardo”, disse ela, a voz suave, quase um sussurro para não quebrar o silêncio da noite.

Ricardo se virou, um leve sobressalto em seu rosto, rapidamente substituído por um sorriso polido. “Luiza. Desculpe, não a vi chegar. Está aproveitando a festa?”

“Estou tentando”, ela confessou, um sorriso melancólico brincando em seus lábios. “É tudo muito grandioso. Um pouco avassalador, como eu disse a Arthur.”

Ricardo a observou por um momento, seus olhos escuros buscando os dela. “Eu imagino. Para quem não está acostumada com esse tipo de… espetáculo.” A palavra “espetáculo” foi dita com um leve tom de sarcasmo, quase imperceptível.

“Você não parece muito empolgado com o espetáculo, Ricardo”, Luiza comentou, sentindo-se mais à vontade para ser sincera com ele do que com seu próprio marido.

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Ricardo. “Eu vejo esse tipo de espetáculo há tempo demais. Para mim, já perdeu o encanto.” Ele fez uma pausa, olhando para as luzes da cidade. “Arthur é um homem… fascinante. Consegue tudo o que quer. E você, Luiza, é a joia mais rara que ele já desejou.”

As palavras soaram como um elogio, mas Luiza sentiu um arrepio de desconforto. Joia. Era assim que ela era vista? Uma peça a ser adquirida, exibida, cobiçada?

“Eu não me sinto uma joia, Ricardo. Apenas uma mulher que se apaixonou… ou que achou que se apaixonou.” A confissão escapou antes que ela pudesse contê-la.

Ricardo a olhou com mais atenção. “Acha que não se apaixonou?”

“Eu… não sei. Arthur é um homem extraordinário, claro. Sua inteligência, sua determinação… Mas às vezes, sinto que há uma distância intransponível entre nós. Uma muralha que nem o amor, creio eu, conseguiria derrubar.”

Ricardo suspirou, parecendo carregar o peso de uma verdade antiga. “Arthur é um homem que construiu sua vida com base em controle e objetivos. Ele não está acostumado a ceder, a se deixar levar pelas emoções. Ele vê o amor como mais uma meta a ser conquistada, e uma vez conquistada, a gerenciar.”

As palavras de Ricardo atingiram Luiza como um golpe. Era exatamente o que ela temia. Arthur a via como mais uma conquista, mais um troféu para sua coleção.

“Isso é cruel, Ricardo”, ela disse, a voz embargada.

“Talvez seja a minha perspectiva”, ele respondeu, com um tom de resignação. “Mas eu conheço meu irmão. Ele não é um homem mau, Luiza. Ele apenas… é quem ele é. E quem ele é, raramente demonstra vulnerabilidade. Ou amor, no sentido que você parece desejar.”

Um silêncio pesado se instalou entre eles. Luiza sentiu uma lágrima solitária escorrer por seu rosto. Ela a enxugou rapidamente, mas a melancolia já havia se instalado em seu coração.

“Eu… preciso ir”, ela disse, tentando manter a voz firme. “Obrigada pela conversa, Ricardo.”

Ele assentiu, um olhar de compreensão em seus olhos. “Seja feliz, Luiza. De verdade.”

Luiza voltou para a festa, sentindo-se mais sozinha do que nunca. A música parecia agora alta demais, as risadas forçadas, o brilho do ouro ofuscante demais. Ela avistou Arthur, cercado por pessoas, um sorriso no rosto, gesticulando com confiança. Parecia um rei em seu castelo. E ela, a pomba branca recém-chegada, sentia suas asas quebradas, incapaz de voar para longe daquele luxuoso, mas opressor, reino. O casamento havia começado, mas a sensação de liberdade parecia ter voado para longe, como uma ave ferida, incapaz de retornar ao ninho.

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