A Noiva do Bilionário 176

Capítulo 9 — A Sombra na Ópera e o Rastro de Cinzas

por Camila Costa

Capítulo 9 — A Sombra na Ópera e o Rastro de Cinzas

A notícia se espalhou como fogo em palha seca na alta sociedade carioca: Fernando Alencar, o bilionário recluso, finalmente apresentaria sua noiva ao mundo em um evento de gala na histórica Ópera do Rio de Janeiro. O convite, feito em papel grosso e com selo dourado, era um símbolo de poder e exclusividade, e Isabella sentiu um calafrio ao segurá-lo. A ópera, um lugar de arte e drama, havia se tornado o epicentro de suas angústias, o palco onde sua vida foi virada de cabeça para baixo.

Fernando a vira segurando o convite, um brilho de satisfação em seus olhos frios. "Você está pronta para brilhar, Bella? A noite será inesquecível. Você representará o futuro da família Alencar."

A palavra "representar" soou como uma sentença. Isabella não era uma representante, era uma prisioneira em um jogo de aparências. Mas a chama de revolta que se acendera nela nos últimos dias a impulsionava a encarar esse desafio. Ela precisava estar lá, precisava observar, precisava encontrar uma brecha naquele mundo de ilusões.

Os dias que antecederam a gala foram um turbilhão de preparativos. Provas de vestidos deslumbrantes, joias deslumbrantes e a constante vigilância dos homens de Fernando. Isabella sentia-se como uma boneca sendo vestida para uma exposição, sua vontade sendo completamente ignorada. No entanto, em sua mente, ela tecia planos. A história de Eleonora e Daniel, o cheiro de enxofre, o rastro de cinzas que ela sentia em sua própria vida... tudo a impelia a buscar a verdade.

Na noite da gala, o Rio de Janeiro se vestia de gala. A Ópera, com sua arquitetura majestosa e suas luzes cintilantes, era um espetáculo à parte. Carros luxuosos chegavam em fila, e a elite da cidade desfilava em seus trajes mais elegantes. Isabella, em um vestido vermelho vibrante que realçava sua beleza selvagem, sentia-se como uma chama em meio à escuridão. Ao seu lado, Fernando, impecável em seu smoking, exibia um sorriso de quem possuía o mundo.

Ao entrarem no salão principal, um silêncio reverente caiu sobre os convidados. Todos os olhares se voltaram para eles. Isabella sentiu o peso da atenção, a curiosidade e a inveja misturadas. Ela manteve a cabeça erguida, seu coração batendo forte, mas seu olhar focado em encontrar qualquer pista, qualquer conexão com o que ela havia descoberto na biblioteca.

Enquanto Fernando a apresentava aos convidados, Isabella observava atentamente. Os rostos familiares do jantar anterior estavam ali: Dr. Arthur Mendes, sua esposa Helena, os Bastos. Mas havia outros também, pessoas cujos nomes ela não conhecia, mas cujos olhares pareciam carregar o peso de segredos.

Ela se afastou sutilmente de Fernando, aproveitando um momento de distração para se aproximar de uma das galerias de arte que adornavam as paredes do foyer. As obras expostas eram de artistas renomados, e Isabella, com seu conhecimento recém-despertado, as apreciava com um olhar crítico. Foi então que ela viu. Pendurada em um canto discreto, uma pintura que a fez parar. Era um retrato de uma mulher deslumbrante, com olhos tristes e um sorriso enigmático. Isabella reconheceu imediatamente a mulher da fotografia no livro antigo: Eleonora Alencar.

Ao lado do retrato de Eleonora, havia outra pintura. Uma paisagem noturna, escura e tempestuosa, com um único raio de luz cortando o céu. A assinatura na tela era "Daniel". Era a arte do homem que amou Eleonora.

Isabella sentiu um nó se formar em sua garganta. Ali, no coração da alta sociedade, estavam as provas silenciosas de um amor trágico e de um mistério não resolvido. Ela sabia que Fernando não a trouxera ali apenas para exibi-la, mas para mantê-la sob controle, para envolvê-la ainda mais em sua teia.

Enquanto admirava as pinturas, ela sentiu uma presença. Um homem se aproximou, sua figura alta e esguia envolta em um terno escuro. Era o Dr. Arthur Mendes, o cardiologista.

"Uma bela obra, não acha?", disse ele, sua voz suave, mas com uma nota de seriedade. Ele apontou para o retrato de Eleonora. "Uma tragédia, a história dela. Um talento desperdiçado. Acredita-se que o fogo que a levou tenha sido acidental."

"Acredita-se?", Isabella respondeu, sua voz baixa, mas firme. "Ou talvez não tenha sido?"

Dr. Mendes a olhou com surpresa, seus olhos penetrantes avaliando-a. "Você parece saber mais do que a maioria, Isabella."

"Eu... eu tenho estudado a história da família Alencar", disse Isabella, improvisando. "E algo sobre o incêndio me intriga."

Antes que Dr. Mendes pudesse responder, Helena Mendes se aproximou, seu sorriso forçado. "Arthur, querida, não incomode nossa futura noiva com velhas histórias. Ela tem coisas mais importantes para se preocupar, não é mesmo, Isabella?" O tom de Helena era carregado de escárnio, como se Isabella fosse uma intrusa naquele mundo.

Isabella sentiu a chama de revolta se intensificar. Ela olhou para Helena, seus olhos encontrando os dela. "O passado tem uma maneira de voltar, Sra. Mendes. E as cinzas de velhas tragédias podem reacender em chamas novas."

Helena pareceu abalada por um instante, mas logo se recuperou. "Que metáfora interessante. Mas aqui, prezada, tudo é cuidadosamente controlado. Assim como a vida de Fernando."

Fernando se aproximou naquele momento, seu braço passando pela cintura de Isabella. "Bella, você está se distraindo. Nossos convidados estão esperando." Ele lançou um olhar de advertência para Dr. Mendes, que assentiu com a cabeça, um misto de respeito e reserva em seu rosto.

Mais tarde, durante o espetáculo, Isabella sentiu-se observada. Não apenas pelos convidados, mas por alguém mais. A sombra que ela vira na biblioteca parecia pairar sobre ela, um presságio constante. Durante o intervalo, enquanto caminhava pelos corredores luxuosos, ela sentiu um cheiro fraco, mas inconfundível: enxofre.

Seu coração disparou. Ela olhou em volta freneticamente, mas não viu ninguém. O cheiro parecia vir de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo. Era como se o fantasma de Eleonora e Daniel estivesse presente, marcando o local com sua tragédia.

Ela se lembrou das palavras de Daniel em sua última carta: "O cheiro de enxofre é uma marca de nosso fim." E agora, esse cheiro estava ali, na ópera, um lembrete sombrio de que a verdade estava mais perto do que ela imaginava.

Enquanto voltava para o seu lugar, Isabella notou algo incomum. Um dos homens que serviam como seguranças de Fernando, um homem corpulento e com feições duras, parecia observá-la com uma intensidade incomum. Seus olhos, frios e calculistas, cruzaram os dela por um breve instante, e Isabella sentiu um arrepio de reconhecimento. Ele era um dos homens que a haviam sequestrado.

O pânico a tomou, mas ela o escondeu. Ela precisava ser cuidadosa. Fernando estava jogando um jogo perigoso, e ela era a peça central. Mas agora, ela sabia que não estava sozinha em sua busca pela verdade. Dr. Mendes parecia desconfiar de Fernando, e a presença das pinturas de Eleonora e Daniel na ópera era um sinal.

Quando o espetáculo terminou e os convidados começaram a se dispersar, Isabella sentiu um impulso incontrolável. Ela precisava encontrar o segurança que a reconheceu. Enquanto se movia pela multidão, ela o viu se dirigindo para uma porta lateral, que levava aos bastidores. Sem hesitar, ela o seguiu.

Adentrando os bastidores, o glamour da gala deu lugar a um ambiente mais sombrio e industrial. A poeira, o cheiro de tinta e de tecido, e a escuridão eram um contraste gritante com o luxo do salão principal. Isabella seguiu o segurança por corredores labirínticos, seu coração batendo descompassado.

Ela o viu parar em frente a uma porta fechada, onde ele parecia esperar por alguém. Isabella se escondeu atrás de uma pilha de caixas, tentando captar qualquer som. E então, ela ouviu. Uma voz baixa e áspera, que ela reconheceu imediatamente. Era a voz de um dos homens que a haviam levado.

"Você tem certeza que ela não percebeu nada?", perguntou a voz.

"Ela é como uma ovelha, facilmente manipulada", respondeu o segurança. "Fernando está no controle. A gala foi um sucesso. Ninguém suspeita de nada."

O coração de Isabella despencou. Eles sabiam. Fernando estava por trás de tudo. O sequestro, a gala, sua prisão dourada.

"Ótimo", disse a voz. "O plano continua. A noiva do bilionário é a chave para tudo."

Isabella sentiu o chão desaparecer sob seus pés. A noiva do bilionário. Ela era a chave. Mas para quê?

De repente, um barulho atrás dela a fez sobressaltar. Ela se virou e viu Fernando parado ali, seus olhos escuros fixos nos dela, um sorriso frio nos lábios.

"Bella, minha querida", disse ele, sua voz suave como veludo, mas carregada de uma ameaça implícita. "O que você está fazendo aqui? Está perdida?"

Isabella sentiu o ar faltar em seus pulmões. Ela estava encurralada. A sombra na ópera não era apenas uma lembrança do passado, mas uma ameaça presente. E o rastro de cinzas que ela seguia a havia levado diretamente para o centro da armadilha de Fernando.

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