Amor na Tempestade 177

Claro, com a alma e a paixão que o Brasil inspira, apresento os primeiros capítulos de "Amor na Tempestade 177".

por Isabela Santos

Claro, com a alma e a paixão que o Brasil inspira, apresento os primeiros capítulos de "Amor na Tempestade 177".

Amor na Tempestade 177 Por Isabela Santos

Capítulo 1 — O Voo da Gaivota sobre as Águas Salgadas

O sol da manhã beijava a pele salgada de Sofia, pintando o horizonte com tons de laranja e rosa que se espelhavam na imensidão azul do Atlântico. O cheiro forte de maresia invadia suas narinas, uma fragrância que sempre a acalmava, misturando-se ao aroma doce e familiar das frutas tropicais que descarregavam no cais. Ela observava, de seu ponto estratégico no alto do farol desativado, a movimentação frenética do porto de Vila das Ondas. Era ali, naquele farol esquecido pelo tempo, que Sofia encontrava seu refúgio. As paredes descascadas, o eco de passos solitários e a vista panorâmica do mar eram seus únicos confidentes.

Aos vinte e cinco anos, Sofia era uma força da natureza, tão resiliente quanto as ondas que quebravam nas rochas. Seus cabelos, de um castanho escuro e rebelde, pareciam absorver a força do vento, emoldurando um rosto marcado por uma beleza singela, mas inegavelmente cativante. Os olhos, de um verde profundo como o próprio oceano, carregavam a melancolia de quem já viveu muito, mas também o brilho de uma esperança que se recusava a apagar.

Ela desceu os degraus de ferro enferrujado com a agilidade de quem conhece cada curva e cada degrau. Lá embaixo, a vida fervilhava. Barcos de pesca balançavam suavemente, suas redes estendidas para secar ao sol, enquanto pescadores de pele curtida pelo sol e pelo sal conversavam em dialetos rudes e calorosos. O burburinho das negociações, o grito dos vendedores de peixe fresco, o aroma de café recém-passado que escapava da pequena venda no canto do cais – tudo isso compunha a sinfonia da sua infância e juventude.

Sofia se misturou à multidão, cumprimentando com um sorriso discreto aqueles que a reconheciam. Ela era a "menina do farol", um apelido carinhoso que, por vezes, parecia um fardo, uma lembrança constante de sua solidão. Seus pais haviam morrido em um naufrágio quando ela era apenas uma garota, e o farol, que antes pertencia ao seu avô, se tornou seu lar, sua fortaleza contra um mundo que parecia querer levá-la para longe.

Enquanto caminhava em direção à sua pequena cabana à beira-mar, avistou um vulto incomum no meio dos pescadores. Um homem alto, de ombros largos, vestindo roupas que não pertenciam àquele lugar. Um terno impecável, apesar do calor úmido, e sapatos que pareciam reluzir mesmo sob a poeira do cais. Ele se destacava como um cisne em meio a garças, irradiando uma aura de poder e sofisticação que contrastava violentamente com a simplicidade rústica de Vila das Ondas.

Curiosa, Sofia diminuiu o passo, observando-o à distância. Ele conversava com o Senhor Elias, o mais antigo e respeitado pescador da vila, com uma postura firme e um olhar que parecia vasculhar cada detalhe ao redor. Havia algo nele que intrigava Sofia. Uma intensidade no olhar, uma forma peculiar de segurar o corpo, como se estivesse em constante alerta.

"Quem será esse forasteiro?", murmurou para si mesma, o coração batendo um pouco mais rápido.

O homem, como se sentisse seu olhar, virou-se em sua direção. Por um instante, seus olhos se encontraram. Os dele, de um azul penetrante como as águas de um glaciar, encontraram os verdes profundos e curiosos de Sofia. Um choque silencioso percorreu o ar entre eles, uma eletricidade inesperada que fez Sofia desviar o olhar, sentindo as bochechas corarem. Era uma sensação estranha, que ela não experimentava há muito tempo.

Ela apressou o passo, o coração ainda acelerado. Precisava voltar para a tranquilidade de sua casa, para a segurança de suas memórias. Mas a imagem daquele homem, a intensidade do seu olhar, ficou gravada em sua mente.

Ao chegar à sua cabana, o cheiro de maresia se intensificou, misturando-se ao aroma de terra molhada após uma leve chuva que havia caído durante a noite. A cabana era simples, mas acolhedora. Uma cama de madeira maciça, uma pequena mesa com um tinteiro e pena, uma estante repleta de livros antigos e uma janela que se abria para o mar, convidando a brisa e o som das ondas para dentro.

Sofia acendeu uma lamparina, apesar da luz do dia, criando uma atmosfera íntima e acolhedora. Ela amava a solidão, mas era uma solidão que ela escolhia, um espaço para se reconectar consigo mesma. Pegou um dos seus livros, um volume antigo de poemas de Fernando Pessoa, e sentou-se à janela. As palavras a transportavam para outros mundos, mas seus pensamentos voltavam, teimosamente, para o estranho do cais.

Quem era ele? E por que sua presença ali parecia mexer com algo profundo dentro dela?

O som de passos apressados na areia a tirou de seus devaneios. Levantou-se, um pressentimento estranho invadindo-a. Viu o Senhor Elias se aproximando, sua expressão séria.

"Sofia, minha filha", disse ele, a voz rouca de anos de vida no mar. "Precisamos conversar."

Sofia sentiu um frio na espinha. "O que aconteceu, Senhor Elias?"

"Aquele homem... o forasteiro. Ele está comprando terras. Muitas terras. E parece que a sua também está na lista."

Os olhos de Sofia se arregalaram. A terra onde ficava o farol, a terra onde ficava sua casa, era tudo o que ela tinha. Era a sua herança, a sua história. Um nó se formou em sua garganta.

"Ele... ele disse alguma coisa?", perguntou, a voz embargada.

"Apenas que tem interesse em adquirir a propriedade. Disse que um homem de negócios como ele precisa de um refúgio tranquilo. O senhor Elias disse que o terreno do farol é seu por direito, mas ele... ele parece inflexível."

Sofia apertou os punhos. A tranquilidade que ela tanto buscava ali, naquele refúgio isolado, estava prestes a ser invadida. E por quem? Aquele homem de olhos azuis intensos.

"Eu não vou vender, Senhor Elias. Nunca", declarou com firmeza, um brilho de desafio em seus olhos verdes. A tempestade, ela sabia, estava apenas começando a se formar. E ela estava pronta para enfrentá-la, assim como enfrentava as ondas furiosas do mar.

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