Amor na Tempestade 177

Capítulo 12 — O Eco da Traição e a Sombra de Sofia

por Isabela Santos

Capítulo 12 — O Eco da Traição e a Sombra de Sofia

Dias se arrastavam na ilha, cada um com a promessa de um recomeço que parecia sempre se esquivar. Ricardo e Helena passavam longas horas juntos, explorando as praias desertas, nadando nas águas cristalinas, desfrutando da beleza serena do lugar. Mas mesmo em meio àquele paraíso, a sombra de Sofia pairava como uma nuvem escura, e o eco da traição, embora sutil, ressoava nos momentos de silêncio.

Helena tentava se entregar à felicidade, à sensação de estar finalmente longe do furacão que era sua vida anterior. Ela se permitia sorrir para Ricardo, sentir o calor de suas mãos, a segurança de seus braços. Mas, em seu íntimo, uma voz persistente a lembrava da facilidade com que a verdade podia ser distorcida, da crueldade com que as pessoas podiam ser manipuladas. E o rosto de Sofia, com sua falsidade calculada e seu sorriso de escárnio, era um lembrete constante.

Certa tarde, enquanto caminhavam por uma trilha arborizada que levava a uma cachoeira escondida, Helena parou abruptamente, o corpo tenso. Ricardo se virou, preocupado.

“O que foi, meu amor? Você parece distante hoje.”

Ela suspirou, tentando afastar a apreensão. “Nada. Só… pensando.”

“Pensando no quê? Em como estamos felizes aqui? Em como finalmente encontramos nosso refúgio?” Ricardo tentou soar leve, mas a inquietação de Helena o afetava.

“Pensando em Sofia. E no que ela fez. Ela não vai desistir, Ricardo. Ela é perigosa. Ela sempre consegue o que quer.” Helena olhou para ele, os olhos verdes fixos nos dele, carregados de uma preocupação genuína. “Ela pode tentar alguma coisa aqui. Ela sabe que estamos juntos. Ela sabe que você está protegendo a mim e ao nosso amor.”

Ricardo a abraçou, puxando-a para si. “Não se preocupe com ela. Ela perdeu a guerra. Não tem mais poder sobre nós.”

“Mas ela tem sobre outras pessoas”, Helena insistiu, a voz baixa e tensa. “Ela tem sobre o meu pai. Ela tem sobre a sua família. Ela é mestre em manipular as emoções, em criar conflitos. Eu a vi fazer isso tantas vezes.” Ela se afastou um pouco, o olhar fixo em seus olhos. “Você confia em mim agora, Ricardo? Totalmente?”

A pergunta pairou no ar, carregada de um peso que ambos sentiram. Ricardo a olhou profundamente, a sinceridade em seu olhar tentando dissipar qualquer dúvida remanescente.

“Eu amo você, Helena. E, sim, eu confio em você. Eu confiei em você desde o momento em que te vi no tribunal, defendendo a si mesma com tanta garra. E quando eu descobri a verdade sobre o seu pai, e sobre o seu sacrifício… meu amor por você só aumentou.” Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos. “Sofia tentou nos separar, mas ela só nos uniu mais. Ela te mostrou o pior lado dela, e você me mostrou a sua força e a sua integridade.”

“Mas e se ela voltar? E se ela tentar algo contra você? Ou contra os seus pais?” A preocupação de Helena era palpável. Ela se sentia responsável por qualquer mal que pudesse atingir Ricardo ou sua família por causa dela.

Ricardo a beijou, um beijo que buscava acalmar os medos dela, mas também reafirmar a solidez de seus sentimentos. “Se ela tentar algo, nós estaremos prontos. Juntos.”

No entanto, a tranquilidade que Ricardo tentava incutir em Helena era uma batalha difícil de vencer. A própria Helena, ao se sentir mais segura, começou a se dar conta de que a sua fuga para o paraíso era apenas um paliativo. O cerne do problema ainda estava lá, esperando para ser confrontado. Ela sabia que não podia viver para sempre em uma bolha de felicidade, iludida pela beleza da ilha.

Uma noite, enquanto Ricardo dormia tranquilamente ao seu lado, Helena se levantou da cama. A lua cheia iluminava o quarto, lançando sombras dançantes pelas paredes. Ela se vestiu silenciosamente e saiu para o terraço, o ar fresco da noite tocando sua pele. Ela se sentou na cadeira de vime, o olhar perdido no mar escuro e cintilante.

Ela pensou em seu pai. Em sua fragilidade. Em como ele havia se tornado um fantoche nas mãos de Sofia. Ela se perguntou se ele estava bem, se estava sofrendo com a própria fraqueza. E ela pensou em Sofia. Na sua ambição desmedida, na sua capacidade de manipular e destruir. Helena sabia que Sofia não a deixaria em paz. A vingança era um prato que Sofia saboreava com deleite.

De repente, um som a tirou de seus devaneios. Um barulho sutil, como o farfalhar de folhas, vindo da mata que cercava a propriedade. Helena se levantou, o coração disparado. Ela olhou para a escuridão, a adrenalina correndo em suas veias. Seria apenas um animal? Ou…

Ela viu um vulto se mover entre as árvores. Um vulto que parecia familiar. Era uma mulher. E ela se movia com uma agilidade que denunciava um propósito.

“Quem está aí?”, Helena chamou, a voz firme, mas com um tom de apreensão.

O vulto parou. E então, lentamente, uma figura emergiu das sombras. Era Sofia. O cabelo escuro emoldurando um rosto pálido, os olhos brilhando com uma intensidade sinistra na penumbra. Ela usava roupas escuras, discretas, que a permitiam se camuflar na escuridão.

“Helena”, disse Sofia, a voz fria e calculista, um sorriso sutil brincando em seus lábios. “Que surpresa te encontrar aqui. Em seu pequeno paraíso.”

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “O que você está fazendo aqui, Sofia? Como você nos encontrou?”

“Digamos que eu tenho meus métodos”, Sofia respondeu, dando um passo à frente, a silhueta destacando-se contra a luz da lua. “Eu sabia que você viria para um lugar isolado. Um lugar onde você pudesse se esconder de suas culpas. Mas você não pode se esconder de mim, Helena. Eu sempre te encontrarei.”

“Você não tem nada a fazer aqui”, Helena disse, tentando manter a calma. “Volte para onde veio.”

Sofia riu, um som seco e sem alegria. “Voltar? Eu acabei de chegar. E tenho negócios inacabados com você. E com Ricardo.” Ela fez uma pausa, seus olhos fixos em Helena. “Eu vi vocês dois, juntos. Parecem tão felizes, não é? Tão apaixonados. Tão… ingênuos.”

“Você não vai nos separar, Sofia. Você já tentou e falhou.”

“Falhei? Oh, querida Helena, você se engana. Eu apenas mudei a estratégia.” Sofia deu mais um passo, agora mais perto, e Helena podia sentir a energia sinistra que emanava dela. “Eu não preciso mais te destruir diretamente. Eu posso simplesmente esperar. Esperar que você mesma se destrua. Ou que Ricardo se canse. Ou que o passado, que você tanto tenta esconder, venha te assombrar.”

Helena apertou os punhos, a raiva começando a substituir o medo. “Você não sabe nada sobre o nosso amor.”

“Eu sei tudo sobre você, Helena. Eu sei sobre a sua fraqueza. Eu sei sobre a sua culpa. Eu sei sobre o seu pai. E eu sei que Ricardo, por mais que te ame, nunca vai esquecer completamente que você o enganou. Que você se aliou ao homem que o destruiu, mesmo que por um tempo.” Sofia inclinou a cabeça, um sorriso cruel em seus lábios. “A verdade tem um preço alto, Helena. E você ainda está pagando por ele.”

“Saia daqui, Sofia. Agora!”

“Com prazer”, Sofia disse, com uma falsa gentileza. “Mas não pense que acabou. Esta é apenas a primeira cena de um novo ato. Um ato que será muito mais interessante.” Ela se virou e desapareceu de volta na escuridão da mata, deixando Helena sozinha, o coração acelerado, o corpo tremendo não apenas de medo, mas de uma fúria crescente.

O paraíso não era mais um refúgio. Era um campo de batalha. E Sofia, com sua vingança implacável, havia acabado de declarar guerra. Helena sabia que não podia mais se esconder. Ela tinha que lutar. Pelo seu amor. Pela sua liberdade. E para garantir que Sofia nunca mais pudesse machucar as pessoas que ela amava.

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