Amor na Tempestade 177

Capítulo 14 — O Jogo de Xadrez de Sofia e a Armadilha do Passado

por Isabela Santos

Capítulo 14 — O Jogo de Xadrez de Sofia e a Armadilha do Passado

Ricardo voltou para a cidade com um plano audacioso em mente. Sua primeira parada foi o escritório de seu pai, onde, com a ajuda de antigos contatos confiáveis, ele começou a desvendar a teia de informações que Sofia havia manipulado. Ele sabia que ela não se contentaria em apenas vê-lo sofrer; ela queria a ruína completa dele e de sua família. Ele precisava encontrar provas concretas de suas ações, de forma que ela não tivesse mais como escapar.

Enquanto Ricardo mergulhava nos documentos e nas conversas secretas, Sofia parecia ter desaparecido da face da Terra. Helena, na ilha, vivia em um estado de alerta constante. A segurança reforçada lhe dava uma sensação de proteção, mas a ausência de Ricardo era um lembrete doloroso da vulnerabilidade de sua situação. Ela se dedicava a ler, a meditar, a se ocupar para não deixar a mente divagar para os medos que a assombravam.

Um dia, uma carta chegou. Entregue por um dos seguranças que parecia ter um contato direto com o continente, a carta não tinha remetente, apenas o nome de Helena escrito em uma caligrafia elegante e familiar. O coração de Helena disparou. Era Sofia.

Com as mãos tremendo, Helena abriu o envelope. Dentro, havia uma única folha de papel. Não havia ameaças diretas, nem acusações. Em vez disso, o que estava escrito parecia um convite, um convite para uma conversa.

“Minha querida Helena,”

“Sei que você está se sentindo assustada e confusa. Sei que Ricardo te prometeu segurança. Mas a segurança dele é baseada em ilusões. Eu tenho informações que você precisa saber. Informações que vão te libertar da sua culpa e te mostrar a verdade sobre o homem que você ama e sobre o seu próprio pai. Encontre-me amanhã, ao meio-dia, na velha doca abandonada, na costa oeste. Venha sozinha. É a única maneira de salvarmos o que resta de nossas vidas.”

“Sofia.”

Helena releu a carta várias vezes, o estômago revirando. A menção ao seu pai, à sua culpa, à verdade… Sofia estava jogando suas cartas mais sujas, explorando as inseguranças e os medos mais profundos de Helena. A promessa de “libertação” era um chamariz perigoso.

Ela sabia, racionalmente, que era uma armadilha. Ricardo a havia advertido sobre os jogos de Sofia. Mas a menção ao seu pai, a possibilidade de “libertação” de sua culpa… era um apelo irresistível para uma alma atormentada. Ela se sentia responsável por ele, por sua fraqueza. E a ideia de que Sofia poderia ter informações que a ajudariam a entender melhor a situação, a se perdoar, a dominava.

Por outro lado, ela confiava em Ricardo. Ele estava lutando para protegê-los. E ele jamais aprovaria que ela se expusesse assim. Mas a culpa a corroía. E se Sofia realmente tivesse algo importante a dizer? E se ela estivesse perdendo uma oportunidade de consertar as coisas, de se livrar do peso que a esmagava?

A dúvida se instalou, uma semente de desconfiança plantada no solo fértil de sua angústia. Ela passou a noite em claro, o conflito interno a consumindo. De manhã, a decisão estava tomada. Ela não podia mais viver com o peso da incerteza. Ela precisava saber.

Ignorando os protocolos de segurança, Helena se dirigiu à velha doca abandonada. O lugar era desolado, o cheiro de maresia e madeira podre pairando no ar. O sol do meio-dia batia forte, mas a sensação era de frieza.

Ao chegar à doca, ela viu Sofia esperando por ela, sentada em um barril enferrujado, o olhar sereno, quase desafiador.

“Você veio”, disse Sofia, um sorriso discreto em seus lábios. “Eu sabia que você viria. Você sempre foi curiosa, Helena. E sempre se deixou levar por suas emoções.”

Helena se aproximou, cautelosa. “O que você quer, Sofia? Eu já disse que não quero mais nada com você.”

“Oh, mas você quer. Você quer a verdade. E você quer se perdoar.” Sofia se levantou, caminhando lentamente em direção a Helena. “Você quer saber por que seu pai fez o que fez. Você quer entender o que te levou a essa situação.”

“E você sabe tudo isso, não é?”, Helena perguntou, a voz carregada de amargura.

“Eu sei mais do que você imagina”, Sofia respondeu, parando a poucos metros de Helena. Seus olhos brilhavam com uma inteligência calculista. “Eu sei que você se sente culpada. Culpada por ter se aliado a mim, mesmo que por um tempo. Culpada por não ter percebido o jogo antes. Culpada por ter deixado seu pai agir daquela forma.”

“Meu pai era fraco. Ele se deixou manipular.”

“Todos nós somos manipulados em algum momento, Helena. A diferença é quem manipula e quem se deixa manipular. E, neste caso, seu pai foi o peão. E você… você foi a peça que ele mais amava.” Sofia deu um sorriso, um sorriso que não alcançou seus olhos. “Você acha que eu não vi o amor dele por você? Você acha que eu não usei isso a meu favor?”

Helena sentiu um arrepio. “O que você quer dizer?”

Sofia inclinou a cabeça, como se estivesse prestes a revelar um segredo precioso. “Seu pai, Helena, nunca quis te prejudicar. Ele queria te proteger. Mas ele era um homem frágil, quebrado pela vida, e ele acreditava que a única maneira de garantir o seu futuro era através de um acordo comigo. Ele achava que eu poderia te dar o que ele não podia.”

“Um acordo? Que acordo?” Helena sentiu um frio na espinha. Ela nunca havia entendido a verdadeira natureza do acordo que seu pai havia feito.

“Um acordo de proteção”, Sofia sussurrou, como se estivesse contando um conto de fadas sombrio. “Ele me deu informações valiosas sobre a empresa de Ricardo, sobre seus planos. E em troca… eu prometi protegê-lo. E proteger você. Garantir que você nunca mais passasse pelas dificuldades que ele passou.”

Helena olhou para Sofia com descrença. “Isso é mentira. Você me usou. Você me enganou.”

“Eu te usei, sim. Mas não te enganei completamente. Seu pai sabia que eu era implacável. Ele sabia que eu não jogava limpo. Mas ele acreditava que eu o protegeria. E que, ao me dar o que eu queria, ele estaria garantindo a sua segurança.” Sofia deu uma risada seca. “A tragédia é que ele não percebeu que o maior inimigo dele… era ele mesmo. E que a minha promessa de proteção era apenas uma forma de garantir que ele continuasse sendo meu fantoche.”

As palavras de Sofia ressoaram na mente de Helena, criando um turbilhão de emoções. A culpa que a atormentava parecia ganhar uma nova dimensão. Seu pai não era um monstro, mas um homem desesperado que a amava a ponto de fazer um pacto com o diabo. E ela, sem saber, havia sido o centro desse pacto.

“Mas… e Ricardo? O que você disse a ele sobre mim? O que você planejava?”

Sofia deu um passo à frente, o olhar fixo em Helena. “Eu planejava te destruir, Helena. Te fazer perder tudo. Mas você foi mais forte do que eu esperava. Você se aliou a Ricardo. E ele a você. E isso me irritou profundamente.” Ela fez uma pausa, um brilho de vingança nos olhos. “Então, eu decidi mudar a minha abordagem. Eu percebi que o ponto fraco de Ricardo não era você, mas sim a sua família. E o seu passado.”

Helena sentiu o sangue gelar. “O que você fez?”

“Eu…”, Sofia começou, mas foi interrompida por um grito distante. Um grito de socorro.

Ambas se viraram instintivamente para a origem do som.

“Ricardo?”, Helena gritou, o pânico tomando conta dela.

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