Amor na Tempestade 177

Capítulo 15 — A Revelação Final e o Preço do Amor

por Isabela Santos

Capítulo 15 — A Revelação Final e o Preço do Amor

O grito de Ricardo ecoou pela doca abandonada, um som agudo e desesperado que rasgou o silêncio do meio-dia. Helena, o coração disparado, não pensou duas vezes. A revelação de Sofia sobre seu pai, por mais chocante que fosse, foi imediatamente eclipsada pelo medo de que algo terrível tivesse acontecido com o homem que ela amava.

“Ricardo!”, Helena gritou novamente, correndo em direção à origem do som, a adrenalina pulsando em suas veias.

Sofia, com uma expressão de surpresa misturada com uma satisfação calculista, a seguiu de perto. A conversa sobre o passado, sobre os segredos de seu pai, fora interrompida pelo som da tragédia iminente.

Helena correu por um caminho de pedras soltas, os olhos arregalados em busca de qualquer sinal de Ricardo. Ela o avistou, alguns metros adiante, preso em uma rede de pesca grossa e emaranhada que parecia ter caído de um dos antigos barcos naufragados na orla. Ele se debatia, o desespero estampado em seu rosto.

“Ricardo!”, ela exclamou, correndo até ele. “O que aconteceu?”

“A rede… eu me prendi”, ele ofegou, a voz tensa. “Estava investigando um dos barcos… e caí.”

Sofia se aproximou, observando a cena com um olhar frio. “Que infelicidade, Ricardo. Parece que o mar não está a seu favor hoje.”

Ricardo olhou para Sofia com ódio nos olhos. “Você… você fez isso, não foi? Você armou essa armadilha.”

Sofia deu de ombros com um sorriso irônico. “Eu apenas aproveitei a oportunidade, Ricardo. Assim como você aproveitou a oportunidade de se apaixonar por Helena. Uma pena que sua imprudência te trouxe até aqui.”

Helena tentava desesperadamente soltar as cordas grossas que prendiam Ricardo. Elas eram fortes e teimosas, cada nó um obstáculo intransponível.

“Eu não vou deixar que você o machuque, Sofia!”, Helena rosnou, a voz carregada de raiva e determinação.

“Oh, mas eu não preciso machucá-lo. Ele mesmo se machucará se continuar se debatendo desse jeito. E você, Helena, terá que escolher. Salvá-lo, e arriscar se machucar também, ou… deixá-lo à mercê da sorte.” Sofia observou Helena com um interesse quase científico. “É uma pena que a sua lealdade seja tão forte. Talvez, se você tivesse pensado mais em si mesma, em sua própria segurança…”.

O olhar de Ricardo encontrou o de Helena. Havia medo em seus olhos, mas também um pedido mudo. Um pedido para que ela se protegesse.

“Não, Ricardo!”, Helena disse, percebendo o que ele estava pensando. “Eu não vou te deixar.” Ela se concentrou nas cordas, puxando com toda a sua força. As mãos dela começaram a sangrar com o atrito das fibras ásperas.

Sofia observava, um sorriso de escárnio em seus lábios. “Você é tão teimosa, Helena. Assim como seu pai. Ele também achava que podia desafiar o mundo.”

“Meu pai…”, Helena começou, a lembrança das palavras de Sofia voltando à tona. “Você disse que ele fez um acordo com você para me proteger.”

“Exatamente. Ele me deu tudo o que eu queria em troca da sua segurança. Informações sobre a empresa de Ricardo, seus planos… Ele acreditava que eu o protegeria, e que, ao me ceder tudo, ele estaria garantindo o seu futuro.” Sofia riu. “Ele era um homem tolo. Acreditava que o amor poderia superar tudo. Mas o amor, minha querida, é apenas uma fraqueza que pode ser explorada.”

Helena parou de tentar soltar Ricardo por um momento, olhando para Sofia. A verdade de seu pai, a extensão de seu sacrifício, a crueldade de Sofia… tudo aquilo a atingiu com uma força avassaladora. Ela finalmente entendeu o peso que a atormentava. Não era apenas a culpa por ter se aliado a Sofia, mas a dor de saber que seu pai havia se sacrificado por ela, e que Sofia havia se aproveitado dessa fraqueza.

“Você é um monstro, Sofia”, Helena sussurrou, a voz embargada.

“Eu sou uma mulher que sabe o que quer, Helena. E que usa todas as ferramentas à sua disposição para conseguir. E você, com sua lealdade cega e seu amor irracional, é a ferramenta perfeita para me derrotar. Ou, neste caso, para me distrair.” Sofia deu um passo para trás. “Mas a diversão acabou.”

De repente, um som de motor se aproximou. Um barco. E desembarcando dele, com uma expressão de fúria no rosto, estava Ricardo.

“Sofia!”, ele gritou. “Você não vai escapar desta vez!”

Sofia olhou para Ricardo, surpresa, mas sem demonstrar medo. “Você está atrasado, Ricardo. A peça principal já se moveu.”

Ricardo correu até Helena e, com uma força surpreendente, conseguiu rasgar algumas das cordas mais apertadas. Ele a puxou para fora da rede, os braços dele firmes ao redor dela.

“Você está bem?”, ele perguntou, olhando para os cortes em suas mãos.

“Sim”, Helena sussurrou, aninhando-se em seus braços. “Graças a você.”

Sofia observou a cena com um misto de desprezo e frustração. “Não pensem que acabou. Eu tenho mais cartas na manga.”

Nesse momento, os homens de segurança que Ricardo havia contratado surgiram, cercando Sofia. Ela não resistiu, mas um sorriso malicioso ainda brincava em seus lábios.

“Vocês podem me prender”, ela disse, olhando para Ricardo e Helena. “Mas a verdade sobre o seu pai, Helena… essa você nunca vai esquecer. E a sua lealdade cega, Ricardo… essa vai te custar caro.”

Enquanto Sofia era levada, Ricardo e Helena se abraçaram, a adrenalina diminuindo lentamente. A verdade sobre o pai de Helena havia sido revelada, um peso que, por mais doloroso que fosse, a libertava da culpa que a atormentava. Ela entendia agora o sacrifício dele, e a manipulação de Sofia.

“Você está bem?”, Ricardo perguntou novamente, a voz rouca de emoção.

Helena olhou para ele, os olhos verdes brilhando com uma nova força. “Estou bem, Ricardo. E agora… agora eu entendo. Meu pai me amava mais do que tudo. E eu… eu vou honrar esse amor. E o nosso amor. O nosso amor é mais forte do que qualquer armadilha de Sofia.”

Ricardo a beijou, um beijo longo e profundo, cheio de promessas e de um amor que havia sido testado e provado. A tempestade estava longe de acabar, mas agora, eles estavam juntos, prontos para enfrentar o que viesse. O preço do amor era alto, mas eles estavam dispostos a pagá-lo, lado a lado. A ilha, antes um refúgio, agora se tornava o ponto de partida para uma nova jornada, onde a verdade, por mais dolorosa que fosse, era a base de um amor inabalável.

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