Amor na Tempestade 177
Capítulo 16
por Isabela Santos
Absolutamente! Prepare-se para ser levado pela correnteza de emoções de "Amor na Tempestade 177". Aqui estão os capítulos 16 a 20, recheados de paixão, reviravoltas e a intensidade que só o Brasil sabe oferecer.
Capítulo 16 — O Beijo Roubado e a Promessa Quebrada
O ar na varanda da mansão dos Fontes estava carregado, não apenas pela brisa noturna que trazia o perfume das acácias em flor, mas pela tensão palpável que emanava de seus ocupantes. Helena, com os olhos marejados e o coração disparado, sentia o peso de cada palavra de Ricardo. Ele, por sua vez, lutava contra um turbilhão de sentimentos: a raiva que o consumia por ter sido enganado, a dor lancinante da traição e, por mais que tentasse negar, o amor que ainda ardia por ela, um fogo teimoso que se recusava a apagar.
“Você... você não pode estar falando sério, Ricardo”, Helena sussurrou, a voz embargada. Cada fibra do seu ser gritava em protesto contra a frieza que envolvia o homem que ela amava. O olhar dele, antes um espelho de ternura, agora parecia um abismo de desconfiança.
Ricardo deu um passo à frente, a mandíbula tensa. “Sério? Helena, o que mais eu poderia dizer? Eu vi. Eu vi você e o Marcos. Não foi um sonho, não foi uma ilusão. Foi real.” A menção ao nome do seu rival fez um arrepio percorrer a espinha de Helena. Marcos. Aquele encontro inesperado, o desespero em seu olhar, a tentativa de ele se aproximar... tudo se misturava numa confusão caótica em sua mente.
“Ricardo, por favor, me escute”, ela implorou, estendendo a mão em sua direção. Mas ele se afastou, como se o toque dela pudesse queimá-lo. A cicatriz da traição era profunda, e as palavras de Sofia, plantadas com maestria como sementes de discórdia, floresciam agora em plena força.
“Escutar o quê, Helena? Mais desculpas? Mais meias verdades? Eu cansei de ser o bobo da corte, cansei de acreditar em promessas vazias.” A voz dele tremeu, revelando a mágoa que se escondia sob a fachada de raiva. Ele a amava, amava com uma intensidade que o assustava, e essa mesma intensidade o fazia se sentir um tolo por ter sido enganado.
Helena sentiu as lágrimas rolarem livremente pelo rosto. “Não é o que você pensa, Ricardo. Foi... foi um momento de desespero. Marcos me procurou, ele estava... atormentado. Eu não sabia o que fazer. Eu só queria ajudá-lo, mas ele se aproximou demais e...” Ela hesitou, a dificuldade de explicar a situação sem parecer desculpas a sufocando.
“Ajudá-lo? Ajudá-lo com o quê, Helena? Com o amor que você sente por ele? É isso que a sua ‘ajuda’ significa?” Ricardo riu, um som amargo que ecoou na noite silenciosa. Cada palavra dele era um golpe, cada acusação, uma facada em seu coração.
“Não! Ricardo, eu nunca amei o Marcos. Você sabe disso. O meu coração pertence a você. Sempre pertenceu. Eu só estava confusa, assustada com tudo que estava acontecendo com a minha família, com o seu pai, com a Sofia...” A menção de Sofia trouxe um novo brilho aos olhos de Ricardo, um brilho de suspeita.
“Sofia. Claro. A Sofia estaria adorando ver isso, não é? A separação de nós dois. Ela sempre quis nos ver infelizes.” Ele se lembrou das palavras de Sofia, da sua suposta preocupação, do modo como ela sempre manipulava as situações a seu favor. Agora, em meio a essa confusão, a dúvida se instalava. Teria Sofia algo a ver com isso?
“Eu não sei, Ricardo. Eu só sei que eu te amo e que eu não faria nada para te machucar de propósito.” Helena deu mais um passo, finalmente conseguindo segurar a mão dele. A pele dele estava fria, mas ela sentiu um leve tremor. Era um sinal?
“Eu não sei mais em quem acreditar, Helena”, ele disse, a voz baixa e rouca. O conflito em seus olhos era visível. A verdade, por mais dolorosa que fosse, estava ali, estampada no rosto devastado dela. Mas a imagem de Marcos com ela, a forma como ele a olhava, ainda assombrava seus pensamentos.
“Olhe para mim, Ricardo”, Helena pediu, erguendo o rosto dele com as duas mãos. “Olhe nos meus olhos e me diga que você não sente mais nada por mim. Me diga que o que tivemos não significou nada.”
Ricardo encontrou o olhar dela. E naquele instante, o mundo ao redor deles pareceu desaparecer. Viu a sinceridade em seus olhos, o amor que transbordava, a dor genuína que ela sentia. E ele soube, com uma clareza aterradora, que a amava. Amava-a mais do que tudo. Mas a desconfiança, alimentada pelas artimanhas de Sofia, ainda era uma sombra persistente.
Ele abaixou a cabeça, seus lábios encontrando os dela em um beijo desesperado, roubado, que misturava a saudade com a mágoa. Era um beijo de despedida e, ao mesmo tempo, um beijo de reencontro. Um beijo que gritava amor, mas também trazia o gosto amargo da incerteza.
Quando se separaram, ofegantes, Ricardo a segurou pelos braços. “Eu não sei o que vai ser de nós, Helena. Eu preciso pensar. Preciso entender tudo isso.” Ele se afastou, deixando-a sozinha na varanda, sob o céu estrelado que agora parecia zombar de seu desespero.
Helena observou-o ir embora, o coração partido em mil pedaços. A promessa de amor eterno, a fé que depositara nele, tudo parecia ter sido quebrado em um único instante. A tempestade que os envolvia não era apenas externa; era interna, devastadora, e ela temia que o amor que sentiam não fosse forte o suficiente para sobreviver a ela. O beijo roubado, que deveria ter sido um selo de reconciliação, tornou-se um símbolo da promessa quebrada, uma lembrança amarga da incerteza que se instalara entre eles. Ela sabia que Sofia estaria rindo em algum lugar, satisfeita com o caos que criara. E essa certeza, mais do que qualquer outra coisa, a assustava profundamente.