Amor na Tempestade 177

Capítulo 17 — O Segredo de Sofia e o Sussurro da Verdade

por Isabela Santos

Capítulo 17 — O Segredo de Sofia e o Sussurro da Verdade

O sol da manhã teimava em penetrar as persianas fechadas do quarto de Sofia, como se quisesse expor a escuridão que habitava em seu interior. Ela acordou com um sobressalto, o coração ainda acelerado pela adrenalina da noite anterior. O plano, em sua concepção perversa, havia saído exatamente como ela imaginara. Ver Ricardo e Helena separados, consumidos pela dúvida e pela dor, era o seu maior deleite.

“Tudo correu maravilhosamente bem”, ela murmurou para si mesma, um sorriso cruel brincando em seus lábios. O áudio, cuidadosamente plantado no celular de Ricardo, com a conversa editada para parecer incriminadora, havia feito seu trabalho. A desconfiança, como um vírus, agora se espalhava pelo coração de Ricardo.

Ela se levantou, caminhando até a janela e afastando as persianas com um movimento decidido. A luz dourada inundou o quarto, mas não conseguiu dissipar a sombra em seus olhos. A sua obsessão por Ricardo era um mal que a consumia, uma doença sem cura. E Helena, a mulher que ousara roubar o amor que ela acreditava ser seu por direito, era a inimiga a ser eliminada.

Enquanto tomava seu café na mesa imponente da sala de jantar, Sofia refletia sobre seus próximos passos. Ela precisava manter a pressão sobre Ricardo, alimentando sua raiva e desconfiança. E para isso, precisava de uma nova arma, algo que pudesse solidificar a sua versão dos fatos e destruir Helena de vez.

Foi então que ela se lembrou de uma conversa antiga com sua falecida mãe, Dona Aurora. Uma confissão sussurrada em um momento de fraqueza, algo que Sofia havia guardado como um tesouro amaldiçoado. Dona Aurora, em seus últimos dias, havia revelado um segredo sobre a origem de Helena, um segredo que, se revelado, poderia destruir a reputação da família Fontes e, consequentemente, arruinar Helena para sempre.

“A menina não é quem pensa que é”, Dona Aurora havia dito, a voz fraca e cheia de remorso. “O sangue que corre em suas veias... não é apenas o de seu pai. Há outra história, uma história de paixão e vergonha que foi enterrada há muito tempo.”

Sofia sorriu, um sorriso malicioso. Aquela informação era a chave. A chave para abrir a porta do inferno para Helena. Ela sabia que revelar a verdade, ou uma versão distorcida dela, poderia ser devastador. A sociedade de bem, que tanto prezava pela honra e pela tradição, jamais aceitaria uma mancha em seu passado.

Enquanto isso, Ricardo passava por um tormento. A noite anterior o deixara em um estado de confusão e dor. A imagem de Helena, as lágrimas em seus olhos, o beijo desesperado que trocaram... tudo o assombrava. Mas a lembrança da cena com Marcos, a forma como eles pareciam tão próximos, não saía de sua mente. Ele se sentia traído, um tolo por ter acreditado em alguém que, em sua visão naquele momento, o havia apunhalado pelas costas.

Ele decidiu procurar seu advogado, Dr. Almeida, um homem de confiança e discrição, para discutir os assuntos pendentes da empresa e, mais importante, para se aconselhar sobre a situação com Helena.

“Dr. Almeida, preciso de uma opinião”, Ricardo disse, a voz tensa. “Se uma pessoa trai a outra, e há provas incontestáveis disso, o que pode acontecer?”

Dr. Almeida, um homem grisalho com um olhar perspicaz, ajustou os óculos. “Depende das circunstâncias e do tipo de prova, Ricardo. Mas, em geral, a confiança é abalada irremediavelmente. E se essa confiança for crucial, como em um relacionamento amoroso ou em negócios, as consequências podem ser drásticas.”

Ricardo assentiu, sentindo um nó na garganta. “E se essa traição for usada para manipular uma situação, para atingir outra pessoa?”

“A manipulação é uma ferramenta perigosa, Ricardo. Pode ter consequências legais e morais sérias para quem a pratica. Mas, para quem é manipulado, a dor e a confusão podem ser avassaladoras. A verdade, por mais difícil que seja, é sempre o melhor caminho.”

As palavras do advogado ecoaram na mente de Ricardo. A verdade. Ele precisava da verdade. E para isso, precisava confrontar Sofia. Ela, que sempre estivera presente nas turbulências da família Fontes, que sempre parecia saber de tudo, que sempre o manipulava com suas palavras doces e suas insinuações venenosas.

Enquanto Ricardo se dirigia ao escritório de Dr. Almeida, Sofia estava em seu closet, escolhendo um vestido elegante, mas sombrio, para um encontro secreto. Ela havia marcado um encontro com um jornalista de um tabloide local, um homem conhecido por sua falta de escrúpulos e sua sede por escândalos.

“Tenho algo que vai explodir a mídia, meu caro”, Sofia disse ao telefone, a voz cheia de segundas intenções. “Algo sobre a família Fontes, algo que vai abalar as estruturas da sociedade. E você, meu amigo, será o primeiro a saber.”

Ela desligou o telefone, o brilho nos olhos intensificado pela antecipação. O segredo de Dona Aurora estava prestes a ser revelado, ou, pelo menos, uma versão distorcida dele. E com ele, Sofia esperava destruir Helena e, de quebra, cimentar seu caminho para Ricardo. A verdade, como ela a via, era apenas uma arma a ser usada. E ela estava prestes a dispará-la com precisão letal. O sussurro da verdade, em sua versão perversa, estava prestes a se tornar um grito ensurdecedor, capaz de destruir tudo o que Helena mais amava.

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