Seduzida pelo Inimigo 179

Seduzida pelo Inimigo

por Camila Costa

Seduzida pelo Inimigo

Por Camila Costa

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Capítulo 1 — O Encontro Turbulento na Varanda Colonial

O sol de fim de tarde tingia de dourado as pedras centenárias da fazenda Santa Madalena, lançando sombras longas e dramáticas sobre os jardins exuberantes. O ar, pesado com o perfume das damas-da-noite e o aroma adocicado das mangas maduras, parecia vibrar com uma energia latente, prenunciando os eventos que se desenrolariam naquela noite. Helena, com seus cabelos castanhos rebeldes presos num coque desfeito e um vestido leve de linho esvoaçando em torno de suas pernas, sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não era o frio que se instalava com o cair da noite no interior de Minas Gerais, mas sim uma premonição, um presságio de que o destino estava prestes a dar uma guinada inesperada.

Ela se encostou no parapeito de ferro forjado da varanda colonial, o olhar perdido na imensidão verde que se estendia até onde a vista alcançava. A Santa Madalena era seu refúgio, o lugar onde a alma de sua família pulsava em cada canto, em cada madeira antiga, em cada folha de café que brotava na terra. Mas agora, uma nuvem sombria pairava sobre ela. A iminente crise financeira que ameaçava engolir a fazenda, a única herança que lhe restava de seus pais, a consumia em preocupação.

Um barulho súbito a fez sobressaltar. Um carro robusto, de um modelo moderno e incomum para os padrões da região, adentrava o caminho de terra batida que levava à sede da fazenda. A poeira vermelha se erguia como um véu em sua esteira, e Helena sentiu o estômago revirar. Quem seria? As contas a pagar não davam trégua, e a última coisa que precisava era de mais um credor batendo à sua porta.

O carro parou perto da entrada principal, e dela desceu um homem que fez o coração de Helena dar um salto descompassado. Alto, com ombros largos que preenchiam a camisa escura, ele possuía uma postura que exalava autoridade e uma beleza que beirava o perigo. Os cabelos negros, levemente desalinhados pelo vento, emolduravam um rosto de traços fortes, com um maxilar marcado e olhos penetrantes, escuros como a noite sem lua. Ele parecia esculpido em mármore, uma obra de arte que chamava a atenção por onde passava.

Era Ricardo Bastos.

O nome ecoou em sua mente como um trovão. Ricardo Bastos, o tubarão do mercado imobiliário, o homem implacável que havia transformado inúmeras propriedades rurais em empreendimentos de luxo, o mesmo homem cujos rumores de negócios obscuros a faziam sentir um misto de repulsa e fascínio. Ele era o pesadelo dos fazendeiros endividados, a sombra que assombrava os sonhos de manter a terra em família. E agora, ele estava ali, na varanda da sua casa, com um sorriso que não alcançava os olhos, um sorriso que parecia esconder intenções perigosas.

Helena tentou controlar a respiração acelerada. Não podia demonstrar fraqueza. Era a guardiã da Santa Madalena, e precisava lutar por ela até o último suspiro.

Quando Ricardo se aproximou, seus olhos escuros encontraram os dela, e um brilho de surpresa, talvez até de admiração, cruzou seu olhar por um instante fugaz. Helena sentiu um calor subir pelo pescoço, uma reação involuntária que a incomodou profundamente.

"Senhorita Helena?", a voz dele era grave, um barítono que ressoava com uma força contida. "Sou Ricardo Bastos. Recebi seu convite."

O convite? Ela não se lembrava de ter enviado convite algum. A lembrança a atingiu como um raio. O advogado. Sim, ela havia procurado um advogado para tentar negociar a dívida, para encontrar uma saída. Mas ela não imaginara que seria ele. O advogado havia mencionado que o cliente dele era um grande investidor interessado em propriedades rurais. Nunca imaginou que esse "investidor" fosse o próprio Ricardo Bastos, o homem que ela mais temia e, em segredo, admirava a audácia.

"Senhor Bastos," ela respondeu, a voz mais firme do que esperava. "Por favor, sente-se. Imagino que tenha vindo tratar de assuntos… urgentes."

Ela indicou uma das cadeiras de vime que adornavam a varanda. Ricardo a observou por um momento, seus olhos percorrendo cada detalhe de seu rosto, como se estivesse avaliando não apenas sua beleza, mas também sua força interior. Era um olhar intenso, que a desnudava, e Helena sentiu um arrepio diferente, mais elétrico, percorrer sua pele.

"Urgentes e, creio eu, desagradáveis para a senhorita," ele disse, sentando-se com uma elegância natural. Ele tirou do bolso um maço de cigarros e um isqueiro dourado. "Permite?"

"Por favor," Helena respondeu, apesar de sentir um incômodo com o cigarro. Ela jamais fumara, achava a prática fútil e prejudicial.

Ele acendeu o cigarro, a fumaça aromática pairando no ar, misturando-se aos perfumes da noite. O silêncio se estendeu, carregado de expectativas. Helena observava o perfil forte de Ricardo, o jeito que ele segurava o cigarro, a maneira como o fumo escapava de seus lábios. Havia algo de selvagem nele, uma aura de poder que a atraía e a assustava ao mesmo tempo.

"A fazenda Santa Madalena é um lugar de uma beleza ímpar, senhorita Helena," Ricardo começou, quebrando o silêncio. "Uma joia em meio a essa paisagem exuberante. É uma pena que esteja passando por dificuldades."

Seu tom era profissional, mas havia uma malícia velada em suas palavras. Helena sentiu sua guarda se erguer. "Toda propriedade rural tem seus altos e baixos, Senhor Bastos. A Santa Madalena tem resistido a muitos deles ao longo de sua história."

"E agora, parece que o tempo de resistência está chegando ao fim," ele completou, sem rodeios. Ele deu uma tragada longa em seu cigarro, os olhos fixos nela. "Seus pais… eles deixaram muitas dívidas. E eu sou o principal credor."

A notícia, embora esperada, a atingiu com força. A frieza com que ele proferiu aquelas palavras, como se estivesse falando de um mero negócio, era desumana. Helena apertou as mãos em punho.

"Eu sei. E estou trabalhando em uma solução."

"Uma solução que envolve vender a fazenda para mim, não é?" Ricardo sorriu, um sorriso irônico que a fez ranger os dentes. "Eu sei que você procurou outros caminhos, senhorita Helena. Mas a verdade é que a Santa Madalena está em minhas mãos. E se você não quiser que eu tome as medidas legais cabíveis, terá que ceder."

Helena sentiu o sangue ferver. A audácia dele era inacreditável. "Ceder? O senhor acha que eu vou simplesmente abrir mão da herança de meus pais, da terra que carrega a história de minha família, para o senhor, um estranho que só vê lucro em tudo?"

Ela se levantou, a raiva explodindo em seu peito. Caminhou até a beirada da varanda, o vento agitando seus cabelos. "Esta terra tem alma, Senhor Bastos. Coisa que o senhor parece não entender."

Ricardo também se levantou, aproximando-se dela com passos firmes. A proximidade dele a fez prender a respiração. Podia sentir o calor que emanava dele, o cheiro sutil de seu perfume misturado ao fumo do cigarro.

"Alma não paga dívidas, senhorita Helena," ele disse, a voz mais baixa agora, mais perigosa. Ele estendeu a mão, tocando seu braço com a ponta dos dedos. A pele dela arrepiou-se com o toque inesperado. "E quanto a ser estranho… eu sinto que não sou tão estranho assim."

Helena olhou para ele, surpresa com a ousadia do gesto. Os olhos dele, tão escuros, pareciam ler todos os seus medos e desejos mais profundos. A raiva começou a se misturar a algo mais complexo, algo que ela não conseguia definir. A atração era inegável, uma força magnética que a puxava para ele, apesar de toda a sua resistência.

"O que o senhor quer dizer com isso?" ela perguntou, a voz trêmula, tentando afastar a sensação perturbadora.

Ricardo sorriu, um sorriso genuíno desta vez, que iluminou seus olhos. Um sorriso que desarmou Helena por um instante. "Quero dizer que talvez haja uma forma de resolvermos isso, senhorita Helena. Uma forma que seja… mutuamente benéfica."

Ele soltou seu braço, mas o toque deixou uma marca em sua pele, um rastro de fogo. Helena o encarou, a mente em turbilhão. Mutuamente benéfica? O que ele planejava?

"Eu não confio no senhor, Senhor Bastos," ela disse, a voz firme, mas o coração batendo descompassado.

Ricardo deu um passo para trás, acendendo outro cigarro. "A confiança é algo que se constrói, senhorita Helena. E talvez, só talvez, tenhamos tempo suficiente para isso."

Ele a olhou uma última vez, um olhar que prometia um futuro incerto e perigoso. "Pense nisso. Amanhã voltarei para buscá-la para uma reunião. Teremos que discutir os detalhes de forma… pessoal."

E com isso, Ricardo Bastos se virou e caminhou em direção ao seu carro, deixando Helena sozinha na varanda, o cheiro de fumaça e o perfume da noite misturando-se em sua mente, junto com a imagem do homem que representava sua ruína e, talvez, um perigo irresistível. O sol havia se posto completamente, e a escuridão que envolvia a Santa Madalena parecia refletir a incerteza que se instalara em seu coração.

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