Seduzida pelo Inimigo 179
Capítulo 12 — Sombras do Passado no Casarão
por Camila Costa
Capítulo 12 — Sombras do Passado no Casarão
O casarão antigo, envolto em mistério e empoeirado pelas memórias que ali residiam, parecia absorver a tensão no ar. A visita inesperada de Sofia, com seus olhos penetrantes e um ar de quem sabia mais do que dizia, perturbou a tranquilidade que Carolina tentava desesperadamente manter. Carolina, com um nó na garganta, encarava a prima, sentindo um receio que ia além da simples desconfiança.
"Sua visita é uma surpresa, Sofia", disse Carolina, tentando manter a voz firme, mas uma leve tremor a traiu. Ela arrumou um vaso de flores sobre a mesa de centro, um gesto nervoso para disfarçar a apreensão. O casarão, outrora um refúgio, agora parecia um palco para confrontos que ela preferia evitar.
Sofia sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. Ela passeou os dedos sobre os móveis antigos, o olhar fixo em cada detalhe, como se procurasse algo específico. "Eu sei que não sou muito frequente, Carolina. Mas certas coisas me trouxeram de volta. Coisas sobre o nosso passado. Coisas sobre o seu pai."
O nome do pai de Carolina pairou no ar, carregado de um peso que ela sentia em seus ossos. Seu pai, um homem que ela admirava e que morrera em circunstâncias misteriosas há muitos anos, era um fantasma que a assombrava constantemente. "O que você quer dizer, Sofia? Meu pai morreu. Foi um acidente."
"Acidente?" Sofia riu, um som baixo e sarcástico. "Carolina, sua ingenuidade às vezes me espanta. Você realmente acredita nisso? Você realmente acredita que aquele homem, seu pai, tão cheio de segredos, teria uma morte tão... simples?"
Carolina sentiu um arrepio na espinha. A sugestão de Sofia, por mais perturbadora que fosse, tocava em medos que ela há muito tentava reprimir. Ela se lembrou das últimas semanas de vida do pai, da sua inquietação, das conversas sussurradas ao telefone que ela tentava ignorar. "O que você sabe, Sofia? Diga-me a verdade!"
Sofia se aproximou, seus olhos fixos nos de Carolina. "Eu sei que seu pai não era quem você pensava que ele era. Ele tinha inimigos, Carolina. Inimigos poderosos. E acredito que a morte dele não foi um acidente, mas sim... um acerto de contas."
As palavras de Sofia caíram sobre Carolina como um balde de água fria. Ela se sentiu tonta, as pernas fraquejarem. Ela se apoiou na poltrona de veludo, o coração disparado. "Isso é... isso é impossível. Quem seria capaz de fazer algo assim?"
"É aí que a coisa fica interessante, não é?", Sofia continuou, um brilho perigoso nos olhos. "Pelo que eu fui capaz de juntar, seu pai estava envolvido em algo grande. Algo que envolvia muitas pessoas. E o nome que sempre surge, o nome que parece estar no centro de tudo, é o de..." Sofia fez uma pausa dramática, saboreando o momento. "...de um homem chamado Demétrio Vasconcelos."
O nome de Demétrio Vasconcelos soou como um raio em um céu de verão. Carolina o conhecia. Todos em sua pequena cidade o conheciam. O homem implacável, o empresário que ascendeu do nada, construindo um império com mãos de ferro. Um homem que, segundo os boatos, não media esforços para conseguir o que queria. A ideia de que ele poderia estar envolvido na morte de seu pai era chocante, mas, de alguma forma, não completamente inacreditável.
"Demétrio Vasconcelos?", Carolina sussurrou, a voz embargada pela incredulidade. "Mas... por quê? Qual seria o motivo dele?"
Sofia deu de ombros, um gesto calculista. "Dinheiro. Poder. Vingança. As razões para alguém como ele agir são muitas e, francamente, pouco importam agora. O que importa é que há uma forte possibilidade de que ele tenha sido o responsável pela morte do seu pai. E, pior, acredito que ele ainda está atrás de algo que seu pai possuía. Algo que pode ter passado para você."
Carolina sentiu um frio na espinha. Ela se lembrou de uma caixa antiga, cheia de documentos empoeirados, que seu pai deixara para ela. Ela nunca dera muita importância, considerando-os apenas lembranças sem valor. Seria aquilo o que Demétrio Vasconcelos tanto procurava?
"Eu não entendo", disse Carolina, a mente girando. "Se Demétrio Vasconcelos foi responsável, por que ele esperaria todo esse tempo para agir? Por que ele não me procurou antes?"
"Talvez ele não soubesse que você tinha o que ele queria. Talvez ele estivesse esperando o momento certo. Ou talvez", Sofia olhou intensamente para Carolina, "ele soubesse que você era uma ameaça latente, e estivesse apenas te observando."
A ideia de ser observada por um homem como Demétrio Vasconcelos a encheu de pavor. Ela se sentiu exposta, vulnerável. A tranquilidade do casarão, antes um consolo, agora parecia uma armadilha.
"Eu preciso pensar", disse Carolina, sentindo que sua cabeça explodiria. "Isso é muita informação para processar."
Sofia assentiu. "Eu entendo. Mas pense rápido, Carolina. Porque se eu estiver certa, Demétrio Vasconcelos não é alguém que espera para sempre. Ele age. E ele não tem escrúpulos." Sofia se levantou, alisando o vestido. "Eu vou te dar um tempo para pensar. Mas não se iluda, Carolina. O passado nunca morre completamente. Ele apenas se esconde nas sombras, esperando o momento de voltar à tona."
Com isso, Sofia se virou e saiu, deixando Carolina sozinha na imensidão do casarão, o silêncio agora preenchido pelo eco das palavras de Sofia e pelas sombras de um passado que ameaçava engoli-la. A busca pela verdade sobre a morte de seu pai havia começado, e ela sabia que seria uma jornada perigosa e tortuosa, com o implacável Demétrio Vasconcelos no centro de tudo.