Seduzida pelo Inimigo 179

Capítulo 17 — A Revelação da Joia e a Sombra do Traidor

por Camila Costa

Capítulo 17 — A Revelação da Joia e a Sombra do Traidor

O aroma adocicado das rosas noturnas envolvia Isabela e Demétrio, um perfume que, em outras circunstâncias, seria romântico. Mas ali, sob o céu estrelado do casarão, carregava o peso de verdades recém-descobertas e dilemas que se aprofundavam. A revelação de Demétrio sobre sua mãe e a semelhança que Isabela possuía com ela lançou uma nova e perigosa luz sobre a dinâmica entre eles.

"Eu não entendo", Isabela disse, sua voz pouco mais que um sussurro, lutando para manter a compostura diante da avalanche de emoções que a atingiam. A imagem de sua mãe, Clara, uma mulher que ela mal conhecera, invadiu sua mente. Seria possível que aquela semelhança fosse apenas uma coincidência cruel? Ou haveria algo mais, uma conexão oculta que ela ainda não compreendia?

Demétrio deu um passo à frente, seus olhos escuros fixos nela, a intensidade que emanava dele quase palpável. "Talvez não haja nada para entender, Isabela. Talvez seja apenas... um eco. Um fantasma do passado que se manifesta no presente." Ele hesitou, o vislumbre de vulnerabilidade em seu rosto sendo rapidamente mascarado pela sua habitual compostura. "De qualquer forma, sua presença aqui, sua semelhança com minha mãe... tem sido um lembrete constante do que perdi. E talvez... do que ainda poderia encontrar."

As palavras dele ecoaram na mente de Isabela, misturando-se aos fragmentos de memória que ela possuía de sua mãe. Clara, a artista sonhadora, que havia desaparecido misteriosamente anos atrás, deixando para trás apenas um rastro de incertezas e um anel de safira que Isabela usava como sua única herança. Aquele anel... seria possível que houvesse uma ligação entre ele e a família Monteiro?

"Você mencionou que sua mãe usava um anel especial?", Isabela perguntou, a voz embargada pela emoção. A esperança, por mais frágil que fosse, começava a se agitar em seu peito.

Demétrio a olhou com surpresa, como se ela tivesse lido seus pensamentos. "Sim. Um anel de safira. Uma joia de família que ela usava constantemente. Por quê?"

O coração de Isabela disparou. Ela levou a mão instintivamente ao pescoço, onde o fino cordão de ouro escondia o pingente de seu anel. "Eu... eu uso um anel de safira. Foi de minha mãe."

Uma faísca de algo indescritível – espanto, talvez, ou a fagulha de uma verdade ainda maior – brilhou nos olhos de Demétrio. Ele deu um passo mais perto, a proximidade dele enviando arrepios por todo o corpo de Isabela. O ar parecia vibrar com uma tensão elétrica.

"Deixe-me ver", ele pediu, sua voz rouca e urgente.

Com as mãos trêmulas, Isabela desfez o fecho do cordão e retirou o anel de safira, apresentando-o a Demétrio. A joia, antiga e com um brilho etéreo, repousava em sua palma. Demétrio a pegou com delicadeza, seus dedos longos e fortes traçando os contornos da pedra preciosa. A luz da lua banhava a safira, fazendo-a cintilar com um brilho azul profundo, quase hipnotizante.

Por um longo momento, ele ficou em silêncio, absorvendo cada detalhe do anel. Seu olhar estava perdido, como se estivesse viajando através do tempo, revivendo memórias que Isabela não podia sequer imaginar.

"Este é... este é o anel da minha mãe", ele finalmente disse, a voz carregada de uma emoção crua que surpreendeu Isabela. "Eu o reconheceria em qualquer lugar. Ela o adorava. Dizia que era um amuleto, que a protegia de todas as maldades do mundo."

O choque tomou conta de Isabela. Não era uma coincidência. A semelhança, o anel... havia uma ligação inegável. "Mas... como? Minha mãe... Clara. Ela sempre disse que não tinha família. Que era órfã."

Demétrio a olhou, seus olhos escuros agora repletos de uma mistura de dor e compreensão. "Minha mãe também era órfã. Ela veio para esta casa trazida pelos meus avós, que a adotaram informalmente. Ela nunca falou muito sobre seu passado, mas o anel... o anel era sua única lembrança de sua vida antes daqui." Ele suspirou, um som carregado de peso. "Isabela... é possível que você seja filha de minha mãe? Que Clara... seja minha irmã?"

A pergunta pairou no ar, tão pesada quanto o silêncio que a antecedeu. Isabela sentiu o mundo girar. Irmã? A palavra ecoou em sua mente, trazendo consigo um turbilhão de sentimentos conflitantes. A ideia de ter uma família, de pertencer a algo maior, era tentadora, mas a frieza calculista de Demétrio, a maneira como ele a havia tratado desde o início, a impedia de ceder completamente à esperança.

"Eu não sei o que pensar", ela admitiu, a voz trêmula. "Tudo isso é... avassalador."

"Eu também", Demétrio respondeu, devolvendo o anel a ela com uma reverência quase respeitosa. "Mas uma coisa é certa: essa semelhança, este anel... não podem ser mera coincidência. Precisamos descobrir a verdade, Isabela. Juntos."

A proposta soou sincera, mas a desconfiança persistia. O que Demétrio realmente buscava? A verdade, ou uma forma de consolidar seu poder, usando-a como peça em seu jogo?

De repente, um som rompeu a quietude da noite. Um farfalhar de folhas, seguido por um vulto que se moveu rapidamente entre as sombras da alameda. Os dois se viraram, tensos.

"Quem está aí?", Demétrio gritou, sua voz carregada de autoridade.

Nenhuma resposta. Apenas o farfalhar das folhas, que parecia se afastar em direção aos limites da propriedade.

Demétrio pegou o braço de Isabela. "Precisamos voltar. Alguém nos espiava."

O medo a envolveu. A sombra de um observador invisível adicionava uma nova camada de perigo à sua descoberta. Quem seria essa pessoa? E por que estava observando um momento tão íntimo e revelador? Seria alguém da casa? Um inimigo de Demétrio? Ou, mais perturbador ainda, alguém ligado ao seu passado, tentando impedi-la de desvendar a verdade?

Enquanto voltavam apressadamente para o casarão, o brilho da lua parecia ter se tornado mais sombrio, as sombras mais longas e ameaçadoras. A revelação do anel havia aberto uma porta para um passado familiar, mas o vulto na escuridão abriu uma porta para um presente perigoso. Isabela sentiu que o jogo estava apenas começando, e as apostas eram muito mais altas do que ela imaginara.

Ao entrarem no casarão, os rostos preocupados de alguns funcionários os esperavam. O mordomo, Sr. Antunes, aproximou-se com passos medidos.

"Senhor Demétrio, desculpe interromper", ele disse, sua voz calma e controlada. "Recebemos um chamado. Uma visita inesperada. Um homem que se diz representante de uma firma de investimentos. Ele insiste em falar com o senhor imediatamente."

Demétrio franziu a testa. A festa de gala era para celebrar o sucesso da família Monteiro, um evento social, não um palco para negócios urgentes. "Quem é esse homem, Antunes? Ele tem nome?"

"Sim, senhor. Ele se apresenta como Dr. Valério. E o que é mais peculiar, senhor, ele menciona o nome da falecida Sra. Clara Monteiro em sua solicitação."

O nome de Clara, ecoando ali, naquele corredor luxuoso, atingiu Isabela como um raio. Valério. Clara. A figura de um homem de terno impecável, mas com um olhar penetrante e, talvez, perigoso, se formou em sua mente. A sombra do traidor, que ela sentia pairar sobre a família Monteiro desde o início, parecia ganhar forma.

"Menciona o nome de Clara?", Demétrio repetiu, sua voz agora fria e calculista, a máscara de vulnerabilidade que Isabela vira momentos antes desvanecendo-se completamente. "Isso é... interessante. Leve-o até meu escritório, Antunes. E certifique-se de que ele não seja importunado. Mas mantenha-o sob vigilância."

Enquanto Demétrio se dirigia para o escritório, Isabela permaneceu parada no corredor, o anel de safira pesando em sua mão. A noite, que começara com a promessa de uma revelação pessoal, agora se tornara um emaranhado de segredos familiares e ameaças externas. O "Dr. Valério" parecia ser a peça que faltava em um quebra-cabeça sombrio, uma peça que poderia expor não apenas o passado, mas também o presente perigoso da família Monteiro. E, pela primeira vez, Isabela sentiu que não estava apenas em busca de sua própria história, mas também de desvendar um perigo que a cercava e que, talvez, a colocasse em rota de colisão com o próprio Demétrio.

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