O Homem que Amei 180
Capítulo 10 — A Armadilha e o Sacrifício Inesperado
por Camila Costa
Capítulo 10 — A Armadilha e o Sacrifício Inesperado
A manhã em São Paulo amanheceu cinzenta, refletindo o clima de apreensão que pairava sobre Helena e Lucas. A noite havia sido longa, pontuada por pesadelos com Ricardo e a imagem daquela foto manipulada que ele ameaçava divulgar. Helena sentia-se exposta, encurralada, como um animal acuado.
— Ele não pode nos vencer assim, Lucas. Não pode.
— E não vai, Helena. Nós vamos expor ele. Vamos provar para todos quem ele realmente é.
Lucas havia passado a noite em contato com um advogado especializado em direito digital e com um jornalista investigativo, buscando uma maneira de neutralizar a ameaça de Ricardo e, ao mesmo tempo, reunir provas contra ele. A divulgação da foto seria um golpe devastador para a imagem pública de Helena, mas também poderia ser o gatilho que eles precisavam para incriminar Ricardo por difamação e chantagem.
— O advogado disse que podemos entrar com uma liminar para impedir a divulgação, mas precisamos de provas concretas de que a foto é falsa ou foi tirada em contexto para nos prejudicar.
— E o jornalista?
— Ele está animado com a história. Mas quer mais. Quer uma prova irrefutável do crime dele. Ele sugeriu que pudéssemos armar uma emboscada.
Helena hesitou. A ideia de uma emboscada, de se expor ainda mais ao perigo, a assustava. Mas a alternativa era viver sob a sombra constante de Ricardo, o que parecia ainda pior.
— Uma emboscada? Como?
— O jornalista sugeriu que o provocássemos, que o fizéssemos se sentir seguro o suficiente para tentar nos pressionar de novo, e assim, teríamos ele gravado ou filmado.
— Ele é perigoso, Lucas.
— E nós somos mais espertos. Confie em mim, Helena. Vamos fazer isso juntos. Pela nossa liberdade.
Decidiram que Lucas seria o principal alvo da provocação. Ricardo tinha uma antiga rivalidade com ele, e seria mais fácil atraí-lo para uma armadilha através dessa tensão. Lucas ligaria para Ricardo, fingindo que estava arrependido, que queria negociar, que estava disposto a ceder.
Enquanto isso, o jornalista, com uma equipe discreta, estaria posicionado estrategicamente para filmar a conversa e, se possível, a entrega de qualquer quantia em dinheiro ou qualquer outra forma de suborno.
Na tarde seguinte, Lucas ligou para Ricardo. A voz dele, tensa, mas com um tom de falsa submissão, tentava enganar o antigo rival.
— Ricardo, sou eu, Lucas. Sei que você está bravo comigo, mas eu... eu queria conversar.
A voz de Ricardo, do outro lado da linha, soou com um misto de surpresa e satisfação.
— Lucas, meu caro. Que surpresa agradável. E pensar que você finalmente entendeu que algumas coisas são inevitáveis.
— Eu só quero que isso acabe, Ricardo. A Helena... ela está sofrendo muito. E eu não quero mais essa briga.
— E o que você propõe, Lucas? Você sabe que a Helena é minha, não é? E que você nunca deveria ter se metido.
— Eu sei. Eu cometi erros. Mas eu estou disposto a compensar. Eu tenho um dinheiro guardado. Podemos dividir. Apenas me diga o que você quer, e eu te darei. Apenas me deixe em paz.
Ricardo riu, o som cruel ecoando na linha.
— Você é patético, Lucas. Mas eu aprecio sua disposição. E sim, eu quero dinheiro. E quero que você suma de vez. E que a Helena... que ela volte para mim.
— A Helena não vai voltar para você, Ricardo. Ela nunca mais vai voltar para você. Mas o dinheiro... eu te darei o dinheiro. Onde e quando você quiser.
Ricardo propôs um encontro em um galpão abandonado na zona portuária, um lugar isolado e conhecido por ser palco de negócios escusos. A hora marcada era para o entardecer.
Helena, escondida com o jornalista e sua equipe em um ponto estratégico com vista para o galpão, sentia o coração acelerado. Cada minuto que passava parecia uma eternidade.
— Você tem certeza que é seguro?
— O máximo possível, Helena. Eles estarão longe da vista, mas a equipe tem câmeras com zoom. Se ele tentar algo, estaremos prontos para chamar a polícia.
Lucas entrou no galpão, o som de seus passos ecoando no silêncio. Ricardo estava lá, cercado por dois homens. O ambiente era sombrio e opressor.
— Veio sozinho, Lucas? Que corajoso. Ou talvez, que tolo.
— Eu disse que viria. Onde está o dinheiro?
— O dinheiro? Primeiro, quero ver se você está mesmo disposto a se livrar de tudo. Me diga, você ainda ama aquela mulher?
— Eu amo Helena mais do que tudo nesse mundo. E é por isso que estou aqui.
Ricardo se aproximou de Lucas, um sorriso malévolo no rosto.
— Você é um tolo, Lucas. A Helena é minha. Sempre foi. E agora, você vai me dar o que é meu.
Um dos capangas avançou em direção a Lucas, com uma arma na mão.
— E se eu não der?
— Então você vai sofrer as consequências. Assim como a sua amada Helena.
Nesse momento, o jornalista deu o sinal. A polícia, que estava de prontidão, cercou o galpão. As sirenes começaram a soar, assustando Ricardo e seus homens.
— Que porra é essa?! — Ricardo gritou, em pânico.
Ele tentou pegar a arma que um de seus capangas segurava, mas Lucas agiu rápido. Em um movimento inesperado, Lucas agarrou o braço do capanga, impedindo-o de disparar, e empurrou Ricardo na direção da entrada.
— Você não vai mais machucar ninguém, Ricardo!
Ricardo, em sua tentativa desesperada de fugir, tropeçou e caiu em direção à entrada do galpão. A arma do capanga, no meio da confusão, disparou acidentalmente.
O som do tiro ecoou no galpão, seguido por um grito de dor.
Helena, do lado de fora, viu a movimentação. A adrenalina a dominou. Ela não podia esperar. Correu em direção ao galpão, ignorando os pedidos do jornalista.
— Lucas! Lucas!
Ao entrar no galpão, a cena era chocante. Ricardo estava caído no chão, gravemente ferido. Os policiais estavam controlando a situação. E Lucas... Lucas estava caído perto de Ricardo, com a mão sobre o peito, o rosto pálido.
— Lucas! Meu Deus, Lucas! — Helena correu até ele, caindo de joelhos ao seu lado.
O jornalista e sua equipe entraram no galpão, a câmera gravando a cena.
— Helena... — Lucas sussurrou, com a voz fraca. — Eu... eu te amo.
Seu olhar se perdeu. Helena gritou seu nome, o desespero tomando conta dela. O sacrifício inesperado de Lucas, que se jogou na frente do tiro para impedir que Ricardo a machucasse novamente, a atingiu com a força de um raio. A liberdade pela qual tanto lutaram parecia ter custado o preço mais alto. A armadilha havia funcionado, mas o resultado era um pesadelo que ela nunca imaginou.