O Homem que Amei 180

Capítulo 2 — Ecos do Passado e Sussurros do Futuro

por Camila Costa

Capítulo 2 — Ecos do Passado e Sussurros do Futuro

Os dias que se seguiram ao encontro na livraria foram repletos de uma agitação interna para Clara. A imagem de Leonardo, com seus olhos azuis intensos e o sorriso que a desarmava, pairava constantemente em sua mente. Ela tentava se concentrar em seu trabalho, em pilhas de processos que exigiam sua atenção, mas a realidade parecia mais pálida, menos vibrante do que antes.

Daniel ligava todos os dias, e as conversas, antes o ponto alto de seu dia, agora eram pontuadas por pausas constrangedoras e um sentimento de distância crescente. Ele falava de sua vida em Londres, das novas amizades, dos museus que visitava, e Clara ouvia, sorria e mentia sobre a própria vida, omitindo os pensamentos que se voltavam, insistentemente, para Leonardo. A culpa a corroía, mas a curiosidade e a atração pelo arquiteto eram mais fortes.

Ela voltava à livraria com frequência, sob o pretexto de buscar novos livros ou de simplesmente apreciar o ambiente. Seus olhos percorriam cada canto, como se esperasse que Leonardo surgisse magicamente entre as estantes. Mas ele não aparecia. A esperança, que havia florescido com tanta força, começava a murchar, deixando um rastro de decepção.

Uma noite, após um telefonema particularmente difícil com Daniel, onde ele mencionou um novo projeto desafiador que o manteria ocupado por semanas, Clara sentiu um desespero crescente. A solidão em seu apartamento parecia insuportável. Ela pegou o celular, os dedos tremendo sobre o teclado, e discou o número da livraria, o único contato que Leonardo poderia ter deixado.

"Alô, livraria 'O Saber Antigo'", atendeu uma voz feminina gentil.

"Boa noite", Clara disse, a voz embargada. "Eu gostaria de falar com Leonardo, se ele estiver por aí. É a Clara."

Houve uma pausa. "Ah, Clara! Que bom ouvir você. O Leonardo não está aqui hoje, querida. Mas ele me deixou um recado caso você ligasse. Ele disse para eu te passar o número dele. Ele também gostaria muito de te encontrar."

O coração de Clara deu um salto. Ela anotou o número, sentindo uma mistura de euforia e apreensão. Seria errado? Daniel confiaria nela. Mas a vida era curta, e a conexão com Leonardo era algo que ela não conseguia ignorar.

Na manhã seguinte, enquanto o sol ainda lutava para dissipar o nevoeiro da cidade, Clara discou o número de Leonardo. O telefone tocou algumas vezes antes de ser atendido.

"Leonardo falando." A voz rouca e familiar a fez estremecer.

"Leonardo, é a Clara", ela disse, sentindo-se mais confiante agora.

"Clara! Que surpresa maravilhosa!", ele exclamou, a voz cheia de entusiasmo. "Eu estava esperando por isso. Como você está?"

"Estou bem", ela respondeu, um sorriso surgindo em seus lábios. "Estava pensando no que você disse sobre continuarmos a conversa."

Leonardo riu. "Eu sabia que você não resistiria à tentação de um bom papo sobre livros. Que tal um café amanhã? Naquele lugar charmoso perto da livraria?"

"Perfeito", Clara concordou, o coração pulsando forte.

No dia seguinte, Clara estava mais nervosa do que nunca. Vestiu um vestido azul-marinho que realçava seus olhos e se maquiou com um cuidado incomum. Ao chegar ao café, um lugar aconchegante com mesas de madeira e um aroma convidativo de café e bolos, avistou Leonardo em uma mesa no canto. Ele estava ainda mais bonito do que ela se lembrava, vestindo uma camisa de linho azul clara, seus olhos azuis brilhando com antecipação.

Ele se levantou ao vê-la e sorriu. "Clara! Você veio."

"Eu disse que viria", ela respondeu, sentindo-se mais relaxada com o sorriso acolhedor dele.

O café foi encantador. Leonardo era um conversador nato, e o tempo voou entre risadas, confidências e discussões sobre arte, arquitetura e, claro, livros. Ele falou sobre sua infância em uma pequena cidade do interior, sobre o sonho de se tornar arquiteto, sobre a paixão por criar espaços que inspirassem as pessoas. Clara, por sua vez, abriu-se sobre sua carreira, sobre a frustração com a burocracia e sobre o amor pela justiça que a motivara a se tornar advogada.

Mas havia uma tensão sutil no ar, um reconhecimento mútuo de que a atração entre eles ia além de uma simples amizade literária. Os olhares se demoravam, os toques acidentais se tornavam mais frequentes, e o silêncio entre as palavras era carregado de significado.

"Sabe, Clara", Leonardo disse, em um momento de pausa, seus olhos fixos nos dela. "Eu sinto uma conexão forte com você. Algo que eu não sentia há muito tempo."

Clara sentiu o rosto corar. "Eu também, Leonardo. É estranho, não é? Nos conhecemos há tão pouco tempo, mas parece que nos conhecemos há anos."

"Talvez algumas almas se reconheçam em qualquer tempo", ele sussurrou, aproximando-se um pouco. "E talvez o destino nos tenha unido naquela livraria por um motivo."

O coração de Clara disparou. Ela sabia que estava em território perigoso. Daniel era seu noivo, o homem com quem planejava um futuro. Mas a intensidade do olhar de Leonardo, a forma como ele a olhava como se ela fosse a única mulher no mundo, a estava seduzindo perigosamente.

"Eu tenho um noivo, Leonardo", Clara disse, a voz quase inaudível. "Ele está em Londres."

O sorriso de Leonardo vacilou por um instante, mas ele não se afastou. "Eu sei. Você me contou. Mas o amor é complexo, Clara. E às vezes, o coração nos leva por caminhos inesperados."

Eles ficaram ali, o barulho do café ao redor se tornando um murmúrio distante, perdidos em seus próprios pensamentos e na eletricidade que os cercava. A atração era inegável, poderosa, mas os obstáculos eram igualmente grandes.

Naquela noite, de volta ao silêncio de seu apartamento, Clara se sentiu dividida. O amor por Daniel era real, construído em anos de companheirismo e promessas. Mas Leonardo acendera algo dentro dela que ela pensava ter se apagado para sempre. A paixão adormecida, a faísca da vida.

Ela se olhou no espelho, procurando a mulher vibrante que era antes de Daniel partir. E viu uma mulher confusa, ansiosa, à beira de um precipício. O passado a chamava com a voz suave de Daniel, mas o futuro, com o rosto de Leonardo, a tentava com a promessa de um amor avassalador.

Os dias seguintes foram um carrossel de emoções. Clara e Leonardo se encontravam com frequência, em cafés, parques, e até mesmo em exposições de arte. Cada encontro era uma descoberta, uma aprofundamento da conexão que os unia. Leonardo a fazia rir, a fazia se sentir vista e desejada. Ele a tirou de sua bolha de tristeza e solidão, mostrando-lhe que a vida ainda podia ser colorida e cheia de emoção.

Daniel, alheio a tudo, continuava a planejar o futuro deles, falando sobre o casamento que se aproximava. Clara sentia um aperto no peito a cada palavra. Ela amava Daniel, mas o amor que sentia por ele parecia diferente, mais calmo, mais seguro, mas desprovido da intensidade que Leonardo despertava nela.

Uma tarde, enquanto caminhavam pela beira da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, para onde Clara viajara a trabalho, Leonardo parou e a puxou suavemente para perto. O sol se punha no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados e rosados.

"Clara", ele disse, a voz rouca de emoção. "Eu não consigo mais fingir. Eu estou me apaixonando por você."

As palavras dele atingiram Clara como um raio. Ela o olhou nos olhos, vendo a sinceridade e a paixão refletidas neles. O medo e a culpa a assaltaram, mas algo mais forte a impulsionou.

"Leonardo, eu não posso...", ela começou, mas ele a interrompeu, tocando seu rosto com ternura.

"Eu sei que não é fácil", ele disse. "Mas eu sinto que nosso encontro não foi um acaso. Sinto que o destino nos uniu. E eu não consigo mais viver sem você."

E então, sob o céu alaranjado do Rio de Janeiro, Leonardo a beijou. Foi um beijo intenso, apaixonado, que selou a união de duas almas que pareciam ter se buscado por toda a vida. Clara se entregou ao beijo, esquecendo Daniel, o casamento, tudo. Naquele momento, existiam apenas ela, Leonardo e a paixão avassaladora que os consumia. O eco do passado se silenciou diante do sussurro sedutor do futuro.

O problema era que, ao se entregar àquele beijo, Clara sabia que estava cruzando uma linha sem retorno. Os ecos do passado, que ela tentava ignorar, estavam prestes a voltar com força total, e os sussurros do futuro se tornariam um rugido que mudaria sua vida para sempre.

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