O Homem que Amei 180

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "O Homem que Amei 180", seguindo suas diretrizes:

por Camila Costa

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "O Homem que Amei 180", seguindo suas diretrizes:

Capítulo 6 — O Refúgio na Ilha e as Cicatrizes da Alma

O sol causticante do Nordeste beijava a pele de Helena com a intensidade de um abraço possessivo. Deitada na rede, o balanço suave embalava seu corpo exausto, mas a paz que a ilha prometia teimava em não se instalar em sua alma. Cada brisa que soprava trazia consigo o cheiro salgado do mar, um perfume que, outrora, lhe era reconfortante, mas agora, parecia carregar consigo a melodia triste de suas perdas. A pequena casa de pescador, rústica e acolhedora, era um refúgio improvável, um santuário longe dos olhares julgadores e das lembranças que a perseguiam como sombras implacáveis.

Ela observava o vai e vem das ondas, cada uma trazendo um pouco mais de areia para a praia, um lembrete constante da passagem do tempo e da efemeridade de tudo. As marcas em sua pele, sutis, mas presentes, eram testemunhas silenciosas da noite de terror que a havia transformado. A cicatriz discreta em seu pulso, recém-adquirida, parecia um fio tênue que a ligava àquele homem sombrio, um elo indesejado que a assombrava em seus pesadelos.

— Helena? — A voz rouca e gentil de Dona Aurora rompeu o silêncio.

A velha pescadora, com seus cabelos grisalhos presos em um coque desalinhado e um sorriso marcado pelo sol, trazia uma bandeja com um prato fumegante de moqueca de peixe e um copo de suco de caju. Seus olhos, profundos e cheios de uma sabedoria ancestral, pousaram em Helena com uma ternura que aquecia o coração.

— Você precisa comer, minha filha. O mar leva a força, mas a comida devolve.

Helena forçou um sorriso, a gratidão apertando sua garganta. Dona Aurora, com sua simplicidade e afeto genuíno, era o anjo que o destino havia colocado em seu caminho naquele momento de desespero.

— Obrigada, Dona Aurora. O cheiro está delicioso.

— É o tempero secreto da vida, minha querida. Mistura de sol, mar e boas intenções.

Helena pegou o garfo, mas a comida parecia pesada demais para seu estômago. Cada garfada era uma batalha contra a náusea, contra as memórias que se embaralhavam na sua mente como os fios de uma rede de pesca emaranhada. Os olhos azuis penetrantes de Ricardo, a frieza calculista em seu olhar, a mão que a segurou com tanta força... tudo voltava em flashes perturbadores.

— A senhora não se cansa de me cuidar assim? — Helena perguntou, a voz embargada. — Eu sou uma estranha.

Dona Aurora sentou-se na cadeira de balanço ao lado da rede, o ranger familiar ecoando na quietude da tarde.

— Estranha é a dor que não tem nome, Helena. E eu vejo a sua dor. Vejo os olhos de quem já sofreu demais e tenta se esconder. Mas o mar, minha filha, ele é generoso. Ele leva o que não serve e traz novas marés. A senhora precisa deixar o mar curar.

— Eu não sei se consigo. Há coisas que o mar não leva, Dona Aurora.

— Há coisas que só o tempo e a gente, com a ajuda de Deus, conseguem curar. E a senhora não está sozinha. Eu estou aqui. E aqueles que a amam de verdade também estão.

As palavras de Dona Aurora tocaram um ponto sensível em Helena. O amor. Ela o conhecera, intenso e avassalador, nos braços de outro homem. Um homem que ela acreditava ter perdido para sempre, tragado pela mesma escuridão que tentara consumi-la. A lembrança de Lucas, seu sorriso travesso, o jeito como ele a olhava, o futuro que planejavam juntos... era uma dor doce e lancinante.

Naquela noite, deitada na cama simples, o som das ondas quebrando na praia era uma canção de ninar melancólica. Helena fechou os olhos, buscando refúgio em um sono que raramente vinha. Mas, para sua surpresa, o sono a acolheu. E em seus sonhos, não havia Ricardo, nem as sombras do passado. Havia apenas a brisa leve do mar, o cheiro de maresia e um vislumbre de um sorriso familiar, um sorriso que lhe trazia esperança e a promessa de um recomeço.

Quando acordou, o sol já estava alto, pintando o céu com tons vibrantes de laranja e rosa. Sentiu uma leveza incomum no peito. Talvez Dona Aurora estivesse certa. Talvez o mar, com sua sabedoria antiga, pudesse realmente trazer novas marés. Ela se levantou, caminhou até a janela e observou a imensidão azul à sua frente. Respirou fundo, sentindo o ar fresco invadir seus pulmões. A ilha, com sua beleza selvagem e sua calma envolvente, começava a se tornar mais do que um refúgio. Começava a se parecer com um lar.

No entanto, enquanto se arrumava para descer até a praia, um pensamento intrusivo a fez parar. Ricardo. Ele não a deixaria ir tão facilmente. A obsessão em seus olhos era um presságio perigoso. Ela precisava ser forte. Precisava se reconstruir. E, acima de tudo, precisava encontrar Lucas. O pensamento dele era seu farol em meio à tempestade que ainda a cercava.

A pequena ilha, com seus coqueiros balançando ao vento e suas praias desertas, oferecia um manto de paz, mas Helena sabia que a verdadeira cura viria de dentro. E ela estava disposta a lutar por ela, por si mesma, e pela memória do homem que a amava, o homem que, em sua alma, ela ainda buscava. O sol acariciava seu rosto, e pela primeira vez em muito tempo, Helena sentiu uma ponta de esperança florescer em seu coração.

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