O Homem que Amei 180

Capítulo 9 — O Confronto e a Falsa Liberdade

por Camila Costa

Capítulo 9 — O Confronto e a Falsa Liberdade

O asfalto quente de São Paulo parecia exalar o mesmo ar denso e sufocante que Helena se lembrava. A cidade, antes um palco de seus sonhos e paixões, agora se apresentava como um labirinto de lembranças dolorosas e a ameaça iminente de Ricardo. A volta para casa não foi fácil. Cada esquina, cada prédio, cada rosto na multidão parecia carregar um fragmento do passado que ela tentava deixar para trás.

Lucas estava ao seu lado, um porto seguro em meio à tempestade que se anunciava. Ele a acompanhava em cada passo, seu olhar transmitindo a segurança e o amor que a fortaleciam. Eles se instalaram em um apartamento discreto, longe do luxo que Helena um dia conhecera, mas que agora parecia manchado pelas memórias de Ricardo.

— Precisamos ser cuidadosos, Lucas. Ricardo tem muitos contatos. Ele pode estar nos observando agora mesmo.

— Eu sei, meu amor. Mas não vamos nos render ao medo. Já passamos por coisas muito piores.

No dia seguinte, Helena decidiu ir ao seu antigo escritório. Precisava de seus documentos, de suas coisas pessoais, de uma parte de sua vida que fora brutalmente interrompida. A recepcionista, uma jovem novata, a olhou com surpresa.

— Helena? Você voltou?

— Preciso resolver algumas coisas, Clara. Preciso da minha caixa de pertences.

Enquanto Clara buscava a caixa, Helena sentiu um arrepio. Olhou em volta, tentando captar qualquer sinal de perigo. E então, ela o viu. No fim do corredor, encostado em uma porta, estava Ricardo. Ele não a olhou diretamente, mas um sorriso sutil brincou em seus lábios. Era um aviso. Uma provocação.

O coração de Helena disparou. A calma que ela havia conquistado na ilha parecia evaporar. Ela sentiu o olhar de Lucas sobre si, percebendo sua apreensão.

— Helena, você está bem?

— Ele está ali. Ricardo.

Lucas seguiu seu olhar e seus olhos se endureceram.

— Não se preocupe. Ele não vai te tocar.

Clara voltou com a caixa, e Helena a pegou rapidamente, o material de escritório parecendo mais pesado do que o normal. Ela se despediu da recepcionista com um aceno rápido e saiu apressada, Lucas a seguindo de perto. No elevador, o silêncio era tenso.

— Ele está jogando com a gente. Querendo nos assustar.

— Ele não vai conseguir.

Naquela noite, enquanto jantavam em um restaurante discreto, Helena e Lucas discutiram o próximo passo.

— Precisamos de provas, Lucas. Algo que o incrimine de verdade.

— Eu tenho trabalhado nisso. Tenho falado com algumas pessoas. Pessoas que ele prejudicou no passado. Elas estão dispostas a testemunhar, mas precisam de segurança.

— A segurança é o problema. Ele tem muito poder.

De repente, a porta do restaurante se abriu com um estrondo. Era Ricardo. Ele estava acompanhado por dois homens corpulentos. O sorriso que ele exibiu era de puro escárnio.

— Ora, ora, o casalzinho que achou que podia desaparecer no mundo. Que recepção calorosa para os meus queridos convidados.

Os clientes do restaurante se viraram, observando a cena com espanto. Lucas se levantou, posicionando-se entre Helena e Ricardo.

— O que você quer, Ricardo?

— Quero o que é meu, é claro. E você, Helena, é minha.

— Eu não sou de ninguém, Ricardo. E você nunca mais vai me machucar.

— Ah, mas você não tem escolha. Essa cidade é meu palco, e todos vocês são meus atores. Vocês vão dançar conforme a minha música.

Ricardo gesticulou para seus capangas. Eles avançaram em direção a Lucas, que estava pronto para se defender. Mas antes que a violência pudesse explodir, Helena falou.

— Pare!

Todos se viraram para ela. O olhar de Helena, embora ainda carregasse o medo, agora era firme e resoluto.

— Eu não vou fugir mais. Eu não tenho medo de você, Ricardo. E eu vou te destruir.

Ricardo riu, um som áspero e desagradável.

— Que coragem! Mas a coragem não paga as contas, minha querida. E a polícia não pode te ajudar. Eu cuidei disso.

Ele tirou um celular do bolso e mostrou uma foto. Era Helena, em um momento íntimo, mas com um ângulo que a fazia parecer vulnerável e comprometida.

— Se você tentar algo contra mim, essa foto vai para todos os lugares. E a sua reputação, a sua vida... tudo vai acabar.

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. A manipulação de Ricardo era cruel e implacável. Ele sabia exatamente onde atingi-la.

— Você é doente, Ricardo.

— Eu apenas me defendo. Agora, se me dão licença, eu tenho uma festa para ir. Mas nos veremos em breve. E você, Helena, vai me agradecer por tudo isso.

Ricardo se virou e saiu do restaurante, seus capangas o seguindo. O silêncio que se instalou foi pesado, quebrado apenas pelos murmúrios dos outros clientes.

Helena sentiu as lágrimas brotarem. Ela se sentiu encurralada, sem saída. Lucas a abraçou, sentindo o desespero dela.

— Não chora, Helena. Ele está mentindo. Ele não tem essa foto.

— E se tiver, Lucas? E se ele a espalhar? Tudo o que eu construí...

— Nós vamos lidar com isso. Juntos. Eu vou provar que essa foto é uma farsa. E que você é a vítima.

Eles deixaram o restaurante, a noite parecendo ainda mais sombria. A falsa liberdade que Helena havia conquistado em Porto das Galinhas se desfez em pedaços. Ricardo havia encontrado uma nova maneira de mantê-la sob seu controle.

De volta ao apartamento, o clima era de desolação. Helena se sentou no sofá, o olhar perdido no vazio.

— Eu não sei mais o que fazer, Lucas. Ele parece estar sempre um passo à frente.

— Ele não está. Ele apenas explora nossos medos. Mas nós somos mais fortes que ele.

Lucas se ajoelhou diante dela, segurando suas mãos.

— Helena, olhe para mim. Você não está sozinha. Eu estou aqui. E nós vamos encontrar uma maneira de vencer isso. Sempre há uma saída. Sempre.

Helena olhou para Lucas, para a força e o amor em seus olhos. Aquele olhar era seu farol, sua âncora.

— Eu te amo, Lucas.

— Eu também te amo, meu amor. E vamos lutar por nós.

Naquela noite, o sono foi difícil. A ameaça de Ricardo pairava sobre eles como uma nuvem negra. Mas no fundo, uma chama de esperança ainda ardia. A esperança de que, juntos, eles poderiam superar qualquer obstáculo. A luta estava longe de terminar, e a verdadeira batalha pela liberdade estava apenas começando.

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