Rendida ao seu Amor 181

Capítulo 14 — A Fuga Desesperada e o Preço da Traição

por Camila Costa

Capítulo 14 — A Fuga Desesperada e o Preço da Traição

O som dos tiros, o grito de dor do informante, a voz de Rafael mandando-a correr... tudo se misturava em um turbilhão de terror na mente de Isabella enquanto ela corria desabaladamente em direção ao carro. O chão irregular do armazém batia em seus pés descalços, cada pedra uma ameaça, cada sombra um perigo oculto. A adrenalina pura a impulsionava, transformando o medo paralisante em uma força bruta de sobrevivência. Ela não podia pensar, apenas agir. O instinto a guiava.

Conseguiu alcançar o carro, as mãos tremendo enquanto tentava destravar a porta. O metal frio sob seus dedos era um alívio momentâneo. Entrou, trancou as portas freneticamente e girou a chave na ignição. O motor tossiu, hesitou por um instante agoniante, e então ganhou vida com um rugido furioso.

Olhou para trás, para o local onde Rafael havia ficado, o coração batendo descompassado em seu peito. Via vultos se movendo nas sombras, ouvia gritos abafados e o som de luta. Não conseguia distinguir Rafael. Um pânico avassalador a dominou. Não podia simplesmente fugir e deixá-lo para trás.

Mas então, em meio ao caos, viu a figura de Rafael emergir da escuridão. Ele estava ferido, um corte profundo na testa sangrava, manchando seu terno escuro, mas estava de pé, lutando com a ferocidade de um leão encurralado. Ele olhou na direção dela, seus olhos encontrando os dela por um instante fugaz, um olhar que transmitia uma ordem clara: "FUJA!".

Isabella obedeceu. Acelerou o carro, os pneus cantando no asfalto precário. Olhou pelo retrovisor, vendo os faróis de um carro negro se acenderem e saírem em perseguição. Nowitzki não desistiria tão facilmente. A informação valiosa que o informante tentou entregar estava provavelmente em posse de Rafael, ou perdida no caos daquele confronto. De qualquer forma, Nowitzki não podia permitir que a verdade viesse à tona.

A perseguição começou. As ruas escuras e desertas da periferia se tornaram um palco para uma corrida desesperada. Isabella dirigia com habilidade surpreendente, a tensão a tornando mais focada, mais rápida. O carro negro, potente e agressivo, a perseguia implacavelmente, ameaçando alcançá-la a cada curva. Ela sabia que não podia simplesmente dirigir até a polícia. Quem acreditaria nela? E se Nowitzki tivesse influências ali?

Precisava pensar. Precisava encontrar um lugar seguro, um refúgio temporário, e, o mais importante, precisava encontrar Rafael. Ele estava ferido, possivelmente em perigo. A ideia a consumia.

Em uma curva acentuada, Isabella decidiu arriscar. Desviou para uma rua lateral estreita, mais escura e sinuosa, na esperança de despistar os perseguidores. O carro negro hesitou por um momento, mas logo seguiu, a audácia de seus motoristas mais forte que a cautela.

Ela dirigiu por mais alguns minutos, o coração martelando contra as costelas, o suor escorrendo por sua testa. Avistou uma pequena área industrial, com armazéns fechados e pouca iluminação. Era o lugar perfeito para se esconder, pelo menos por um tempo. Manobrou o carro para dentro de um dos pátios, desligou o motor e as luzes, e ficou em silêncio, ofegante, ouvindo os sons da noite.

O carro negro passou pela entrada da rua, seguiu em frente e desapareceu na escuridão. Isabella esperou, contando os segundos, os minutos. O silêncio retornou, pesado e opressor. Será que eles haviam desistido? Ou estavam apenas procurando por ela em outro lugar?

Ela não podia ficar ali. Precisava de ajuda. E precisava de Rafael.

Lembrou-se de um antigo contato de seu pai, um advogado discreto e confiável que sempre a ajudara com questões legais antes mesmo de ela herdar os negócios da família. O nome dele era Dr. Almeida. Ele morava em um bairro mais afastado, mas era conhecido por sua discrição e lealdade.

Com as mãos ainda trêmulas, pegou o celular. A tela acendeu, revelando a lista de contatos. Buscou pelo nome de Dr. Almeida. Respirou fundo e discou o número. A ligação chamou, e por um momento, Isabella temeu que ele não atendesse a uma hora tão tardia.

"Almeida, advocacia. Em que posso ajudar?", uma voz calma e profissional atendeu.

"Dr. Almeida, sou eu, Isabella Drummond", disse ela, a voz embargada pela emoção e pelo medo. "Preciso da sua ajuda. É uma emergência. Algo muito grave aconteceu."

Ela explicou a situação de forma sucinta, omitindo os detalhes mais perigosos, mas deixando claro o perigo que corria. Dr. Almeida a ouviu atentamente, sem interromper.

"Eu entendo, senhorita Isabella. Onde você está agora?", ele perguntou.

Isabella descreveu sua localização, e Dr. Almeida prometeu que estaria lá o mais rápido possível. "Fique no carro, mantenha as luzes apagadas. Não saia por nada até eu chegar. E, por favor, não confie em ninguém que não seja eu."

Enquanto esperava, Isabella tentava processar tudo o que havia acontecido. O informante, a traição, a perseguição... e Rafael. Onde ele estaria? Ele estava gravemente ferido? A preocupação a consumia, um nó de angústia apertando seu peito.

Minutos depois, um carro discreto parou na entrada do pátio. Era Dr. Almeida. Ele desceu, um homem de meia-idade com um olhar atento e uma postura profissional. Isabella saiu do carro e correu em sua direção.

"Dr. Almeida!", ela exclamou, a voz quase um sussurro.

"Senhorita Isabella, graças a Deus você está bem", ele disse, o alívio visível em seu rosto. Ele a conduziu de volta para o carro. "Agora, vamos tirá-la daqui. E depois, vamos pensar em como encontrar o senhor Rafael."

Enquanto se afastavam, Isabella não conseguia tirar a imagem de Rafael de sua mente. Ele havia se colocado em perigo para protegê-la, para garantir que ela escapasse com a informação. Ele era um homem corajoso, um lutador, mas ela temia que Nowitzki tivesse levado a melhor.

Os dias seguintes foram um borrão de ansiedade e incerteza. Isabella, sob a proteção discreta de Dr. Almeida, tentava desesperadamente obter notícias de Rafael. Ele havia desaparecido. Nenhum rastro dele. Os homens de Nowitzki pareciam ter sumido também, como se a terra os tivesse engolido. A falta de informações era torturante.

Ela passava horas em seu antigo escritório, agora mais como um refúgio seguro, revisando os poucos documentos que Rafael havia compartilhado com ela antes do encontro fatídico. A pasta que o informante trouxera parecia ter desaparecido junto com ele. A esperança de expor Nowitzki parecia cada vez mais distante.

Até que, em uma tarde chuvosa, o telefone tocou. Era um número desconhecido. Com o coração disparado, Isabella atendeu.

"Alô?", ela disse, a voz tensa.

"Isabella?", uma voz rouca e fraca respondeu. Era Rafael.

"Rafael! Graças a Deus!", ela exclamou, as lágrimas correndo por seu rosto. "Onde você está? Estive tão preocupada!"

"Eu... eu estou bem", ele respondeu, mas a fraqueza em sua voz era evidente. "Consegui escapar. Mas não foi fácil. Nowitzki tem informantes em todos os lugares. Alguém me traiu."

"Traiu? Quem?", Isabella perguntou, a raiva reacendendo em seu peito.

"Ainda não tenho certeza. Mas o informante que eu tinha... ele foi pego. E parece que ele revelou mais do que deveria. Ou talvez Nowitzki tenha sido mais esperto do que pensávamos." Rafael hesitou, e Isabella sentiu uma pontada de apreensão. "Isabella, eu preciso que você faça uma coisa por mim. O que quer que tenha acontecido, a informação... ela ainda é importante. Mas agora, o perigo é ainda maior. E eu não posso mais te proteger diretamente."

"Como assim? Rafael, o que está acontecendo?", ela implorou.

"Eu... eu precisei desaparecer por um tempo. Meus contatos foram comprometidos. Mas eu encontrei uma nova maneira. Alguém em quem posso confiar. Alguém que vai te ajudar a concluir o que começamos." Ele fez uma pausa, e Isabella sentiu a urgência em sua voz. "Esse alguém vai entrar em contato com você em breve. Siga as instruções dele. Ele tem o que precisamos. O preço da traição foi alto, Isabella. Mas não podemos deixar que ele vença. Não podemos deixar que Nowitzki saia impune."

"Mas quem é essa pessoa? Rafael, eu preciso saber!", Isabella insistiu.

"Ele se apresentará. Confie nele. E confie em mim. Eu voltarei. E quando eu voltar, vamos acabar com Nowitzki de uma vez por todas. Apenas... seja forte. E tenha cuidado." A voz dele se tornou mais fraca, e então a ligação caiu.

Isabella ficou ali, o telefone mudo em sua mão, as lágrimas ainda escorrendo por seu rosto. Rafael estava vivo, mas distante, envolvido em uma teia de perigo e traição. A missão de desmascarar Nowitzki se tornara ainda mais perigosa, o preço da traição, palpável. Mas a promessa de Rafael de voltar, a esperança de justiça, a mantinha firme. Ela estava sozinha agora, mas não desistiria. Pelo seu pai, por Rafael, pela verdade. O jogo ainda não havia acabado.

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