Rendida ao seu Amor 181
Capítulo 19 — A Infiltração Perigosa e a Verdade Desvelada
por Camila Costa
Capítulo 19 — A Infiltração Perigosa e a Verdade Desvelada
A madrugada ainda envolvia a zona portuária em um manto de escuridão e neblina. O cheiro de maresia e diesel pairava no ar, misturado ao som distante de guindastes e de navios atracados. Isabella e Miguel, vestidos com roupas escuras e camufladas, moviam-se com a agilidade de sombras entre os contêineres empilhados. Cada passo era calculado, cada som abafado. O silêncio era seu aliado, mas também o inimigo, pois qualquer ruído indesejado poderia alertar os guardas de Nowitzki.
O galpão que Bruno identificara como base de operações do intermediário ficava no final de um cais isolado. Era um prédio colossal, com poucas janelas e portas de aço maciço. A segurança parecia mínima à primeira vista, mas Isabella sabia que Nowitzki não deixaria nada ao acaso.
"Estamos quase lá", Miguel sussurrou, apontando para a lateral do galpão. "Bruno disse que existe uma entrada de serviço, pouco usada, perto da doca 7. É ali que vamos tentar entrar."
Enquanto se aproximavam, avistaram dois homens armados, patrulhando a área. Seus passos pesados ecoavam no concreto molhado, e suas lanternas vasculhavam a escuridão. Isabella sentiu o coração acelerar, mas manteve a calma. Ela havia treinado para isso.
Miguel fez um sinal, e eles se agacharam atrás de uma pilha de paletes. Aguardaram pacientemente que os guardas se afastassem, seus movimentos sincronizados pela experiência compartilhada. Quando a rota ficou livre, eles avançaram rapidamente em direção à porta de serviço.
A fechadura era antiga e aparentemente robusta. Miguel sacou um kit de arrombamento e começou a trabalhar com habilidade e precisão. Isabella vigiava os arredores, seus sentidos aguçados a qualquer sinal de perigo. O tempo parecia se arrastar, cada segundo uma eternidade.
Com um clique suave, a porta se abriu. Eles deslizaram para dentro, mergulhando na escuridão úmida e fria do galpão. O ar era carregado com o cheiro de óleo e metal. O som de máquinas ao longe indicava que o local ainda estava em operação, mesmo nas primeiras horas da manhã.
"Bruno disse que o escritório do gerente fica nos fundos, no segundo andar", Miguel sussurrou, guiando-os através de corredores estreitos, repletos de caixas e equipamentos.
O subir as escadas foi tenso. Cada degrau rangia, um convite para serem descobertos. No segundo andar, encontraram a porta do escritório. Era de madeira escura, mais elaborada que as outras. Miguel tentou a maçaneta, mas estava trancada.
"Paciência", ele murmurou, voltando a usar o kit de arrombamento. Desta vez, a fechadura cedeu com um pouco mais de dificuldade.
O escritório era luxuoso, um contraste gritante com o ambiente industrial do galpão. Uma grande mesa de mogno dominava o espaço, e as paredes eram adornadas com quadros de paisagens marítimas e cenas de navios. Havia um computador ligado e vários documentos espalhados.
"Vamos lá", Isabella disse, dirigindo-se à mesa. Ela começou a revirar os papéis, procurando por qualquer coisa que pudesse incriminar Nowitzki. Miguel, por sua vez, ligou o computador e começou a tentar acessar os arquivos.
Os documentos eram principalmente contratos de frete e notas fiscais, a maioria de uma empresa fictícia. Mas Isabella encontrou algo que chamou sua atenção: um pequeno caderno de anotações, escrito à mão, com detalhes sobre cargas específicas, destinos e valores. As anotações eram crípticas, mas uma entrada em particular a fez arregalar os olhos.
"Miguel, olhe isso", ela disse, mostrando o caderno a ele. "Recebimento de 'relíquias sagradas'. Origem: Egito. Destino: Porto de… Aquele mesmo. E aqui, os detalhes de um pagamento, em criptomoedas, para a conta de um nome que eu reconheço."
Miguel se aproximou, e seus olhos se arregalaram ao ler a anotação. "É a conta da fundação beneficente do seu pai. Nowitzki está desviando dinheiro para a fundação dele? Ou ele está usando a fundação como fachada para receber os pagamentos?"
A revelação foi chocante. Nowitzki, o homem que causara tanta dor, que desfigurara o legado de seu pai, estava usando a própria fundação dele para legitimar suas atividades ilícitas. Era um ato de profanação e crueldade sem tamanho.
Enquanto isso, Miguel havia conseguido acessar alguns arquivos no computador. "Isabella, você precisa ver isso. Bruno estava certo. Nowitzki está lidando com artefatos egípcios antigos. Peças de valor inestimável, roubadas de um sítio arqueológico recém-descoberto. E ele planeja vendê-las em um leilão clandestino, o maior do mundo, que acontecerá em breve."
Ele mostrou a ela fotos dos artefatos: estatuetas douradas, sarcófagos minúsculos e tábuas com hieróglifos. Eram belíssimos, mas a origem ilícita e o propósito de Nowitzki os tornavam sinistros.
"Meu pai lutou tanto para proteger esses artefatos", Isabella sussurrou, a voz embargada pela emoção. "Ele sabia do perigo que representavam nas mãos erradas. Ele temia que fossem usados para fins nefastos, para alimentar cultos obscuros, ou simplesmente para enriquecer criminosos."
"E é exatamente isso que Nowitzki pretende fazer", Miguel disse, seu rosto sombrio. "Ele não se importa com a história, com o valor cultural. Ele só se importa com o dinheiro e o poder."
De repente, um barulho do lado de fora quebrou a concentração deles. Passos pesados se aproximavam.
"Merda! Alguém nos viu", Miguel disse, fechando rapidamente o computador. "Precisamos ir!"
Eles pegaram o caderno e o pendrive, e saíram do escritório, correndo em direção à escada. Ao chegarem ao térreo, encontraram o caminho bloqueado por três homens armados, que pareciam estar se dirigindo para o escritório.
"Parados!", um deles gritou, erguendo a arma.
O coração de Isabella disparou. O plano havia dado certo, mas a fuga seria mais difícil do que imaginavam. A verdade sobre Nowitzki estava nas mãos deles, mas agora, precisavam sobreviver para expô-la.