Rendida ao seu Amor 181
Capítulo 20 — O Confronto na Escuridão e a Promessa de Vingança
por Camila Costa
Capítulo 20 — O Confronto na Escuridão e a Promessa de Vingança
A adrenalina inundou o corpo de Isabella. O grito dos seguranças ecoou pelo vasto galpão, rompendo a relativa paz da madrugada. Seus olhos encontraram os de Miguel, e em um instante, eles entenderam um ao outro. A fuga não seria pacífica.
"Corre!", Miguel gritou, empurrando Isabella para o lado, enquanto um dos seguranças disparava. O tiro ricocheteou em um contêiner metálico, lançando faíscas e um som estridente.
Eles se separaram, usando os empilhamentos de caixas e equipamentos como cobertura. Isabella sentiu o suor escorrer por sua testa, o coração batendo descompassado contra suas costelas. O caderno com as anotações e o pendrive com as informações cruciais estavam seguros em uma bolsa interna de sua jaqueta. A verdade estava ali, mas agora, precisavam sair com vida para revelá-la.
"Para a doca 7! Pela entrada de serviço!", Miguel gritou, sua voz abafada pela distância e pelo eco do galpão.
Isabella corria, seus pulmões queimando. O som dos disparos a perseguia, cada estalo uma ameaça iminente. Ela se agachou atrás de uma máquina pesada, tentando recuperar o fôlego. Um dos seguranças, um homem corpulento com um olhar cruel, se aproximava.
"Não tem para onde correr, garota", ele rosnou, sua arma apontada para ela.
Isabella sentiu um arrepio de medo percorrer sua espinha, mas a raiva e a determinação a impulsionaram. Ela se lembrou dos ensinamentos de seu pai sobre a coragem, sobre a necessidade de lutar pelo que é certo. Ela não era mais a mesma Isabella de antes. Ela era uma guerreira.
Com um movimento rápido, ela pegou uma barra de metal que estava caída no chão e a usou para se impulsionar. Saltou de trás da máquina, surpreendendo o segurança. Ele disparou, mas Isabella se esquivou, a bala passando perigosamente perto de seu rosto.
Em um movimento fluido, ela girou a barra de metal e atingiu o homem no pulso, fazendo-o soltar a arma. Ele grunhiu de dor, mas antes que Isabella pudesse reagir, outro segurança surgiu, empurrando-a com força. Ela caiu no chão, sentindo a dor irradiar pelo corpo.
Antes que o segundo segurança pudesse atacá-la, Miguel apareceu, desferindo um soco poderoso no rosto do homem. Ele caiu atordoado, e Miguel estendeu a mão para Isabella.
"Você está bem?", ele perguntou, seus olhos cheios de preocupação.
"Sim", ela respondeu, aceitando sua ajuda e se levantando. "Precisamos sair daqui."
Eles correram em direção à entrada de serviço, com os seguranças em seu encalço. A neblina do lado de fora era densa, oferecendo uma vantagem para a fuga. Eles se embrenharam na escuridão, o som de seus passos se misturando ao barulho da água batendo nos cascos dos navios.
Ao chegarem à caminhonete, Miguel a destravou rapidamente. Eles entraram e ele deu partida no motor, os pneus cantando no asfalto molhado enquanto aceleravam para longe do galpão. Os faróis dos carros dos seguranças surgiram atrás deles, mas a caminhonete de Miguel, equipada para terrenos difíceis, era mais rápida.
Eles dirigiram em silêncio por alguns minutos, o som da respiração ofegante de Isabella preenchendo o espaço. A adrenalina começava a diminuir, dando lugar ao cansaço e à exaustão.
"Conseguimos", Miguel disse, sua voz rouca. "Conseguimos as provas."
Isabella assentiu, apertando a bolsa onde guardava o caderno e o pendrive. "Agora, precisamos tirá-las daqui. Precisamos expor Nowitzki."
Miguel pegou o celular. "Bruno. Precisamos avisar o Bruno."
Ele discou o número de Bruno, e esperaram ansiosamente pela ligação. Finalmente, Bruno atendeu, sua voz soando tensa.
"Miguel? Isabella? O que aconteceu? Eu vi a movimentação no galpão. Algo deu errado?"
"Não, Bruno, nós conseguimos. Nós temos as provas. Os artefatos, os pagamentos, tudo. Mas tivemos um pequeno contratempo. Agora precisamos sair dessa área e entregar tudo a você."
Bruno suspirou de alívio. "Ótimo! Mandem a localização. Eu vou organizar um ponto de encontro seguro. E sim, você precisará sair dessa área. Nowitzki vai enlouquecer quando descobrir que você escapou com as provas."
Eles transmitiram a localização para Bruno e continuaram dirigindo, adentrando a mata densa, longe dos olhos curiosos. A promessa de vingança, que antes era apenas um desejo sombrio, agora ganhava contornos reais.
Enquanto dirigiam, Isabella olhou para Miguel, seus olhos encontrando os dele no reflexo do espelho. Havia uma intensidade em seu olhar, uma mistura de amor e gratidão. Eles haviam passado por muito, enfrentado perigos inimagináveis, e saíram vitoriosos.
"Nós vamos acabar com ele, Miguel", Isabella disse, sua voz firme e determinada. "Nós vamos honrar a memória do meu pai e garantir que a justiça seja feita."
Miguel segurou sua mão, apertando-a com força. "Nós vamos, meu amor. Juntos."
A aurora começava a raiar, pintando o céu com tons rosados e dourados. A escuridão da noite começava a se dissipar, e com ela, a sombra de Nowitzki também começava a diminuir. A batalha final estava prestes a começar, e Isabella, ao lado de Miguel, estava pronta para travá-la. A vingança era doce, mas a justiça era o seu verdadeiro objetivo. E ela a conquistaria, custasse o que custasse.