Rendida ao seu Amor 181

Capítulo 3 — O Jantar Sob as Estrelas e as Sombras do Passado

por Camila Costa

Capítulo 3 — O Jantar Sob as Estrelas e as Sombras do Passado

O dia seguinte amanheceu com um sol radiante, como se o céu quisesse compensar a tempestade da véspera. O ar estava fresco, e a cidade parecia renovada, vibrante. Clara, porém, sentia-se dividida entre a euforia de seu encontro com Rafael e a melancolia que seu trabalho insistia em trazer.

No escritório, o cheiro de café e papel velho a recebia, um lembrete constante de suas responsabilidades. Ela tentava se concentrar no processo que estava analisando, mas sua mente vagava para a noite anterior. A voz grave de Rafael, o brilho em seus olhos azuis, o toque suave de sua mão em sua testa… Tudo isso a deixava em um estado de torpor delicioso.

Ela sabia que estava se apaixonando, ou pelo menos, se deixando levar por uma forte atração. E isso a assustava. O medo de se machucar novamente, de depositar suas esperanças em alguém que poderia decepcioná-la, era um fantasma que a assombrava desde o fim de seu último relacionamento.

No fim da tarde, o celular de Clara tocou. Era Rafael.

“Clara, boa tarde. Espero que seu dia tenha sido produtivo”, disse ele, a voz calorosa como um abraço.

“Boa tarde, Rafael. Foi… produtivo, sim”, respondeu ela, tentando manter a calma. “E o seu carro? Conseguiu resolver?”

Rafael riu. “O carro pode esperar. O importante é que hoje à noite eu posso te buscar. Pensei em um lugar especial, para continuarmos a nossa conversa. Que tal o ‘Mirante da Lua’?”

O ‘Mirante da Lua’ era um restaurante renomado, com uma vista deslumbrante da Baía de Guanabara. Era um lugar romântico, perfeito para um primeiro encontro mais íntimo. Clara sentiu um friozinho na barriga.

“O ‘Mirante da Lua’? Que maravilha, Rafael. Aceito, com certeza”, disse ela, sentindo o sorriso em seu rosto.

“Ótimo. Te busco às oito. Prepare-se para uma noite sob as estrelas”, ele respondeu, com uma promessa em sua voz.

Às oito em ponto, Rafael estava à sua porta, impecavelmente vestido em um terno escuro que realçava sua figura imponente. Ele lhe entregou um buquê de rosas vermelhas, o aroma delas invadindo o carro.

“Para a mulher que ilumina até as noites mais escuras”, disse ele, seus olhos azuis brilhando de admiração.

Clara sentiu o rosto corar. Ela usava um vestido azul-marinho, simples, mas elegante, que realçava seus olhos e sua pele clara.

A viagem até o restaurante foi preenchida por conversas animadas. Rafael era um conversador nato, com um senso de humor inteligente e uma capacidade de fazer Clara se sentir à vontade. Ele a elogiava, não de forma superficial, mas observando detalhes que a faziam sentir-se especial.

Ao chegarem ao ‘Mirante da Lua’, Clara ficou maravilhada com a vista. As luzes da cidade cintilavam como diamantes espalhados sobre um veludo negro, e a lua cheia, majestosa, pairava no céu, banhando tudo em uma luz prateada. Era um cenário digno de um romance.

Sentaram-se à mesa, e a conversa fluiu ainda mais naturalmente. Rafael contou sobre sua família, sobre a mãe portuguesa que o inspirou em sua paixão pela arte, sobre o pai brasileiro, um empresário que sempre o incentivou a seguir seus sonhos. Ele falou sobre sua infância em Portugal, sobre a saudade que sentia da terra de sua mãe, mas sobre a sua escolha de viver no Brasil, onde suas raízes mais profundas se encontravam.

Clara, por sua vez, compartilhou mais sobre sua família, sobre seus pais, que sempre foram seu porto seguro, e sobre a sua irmã mais nova, com quem mantinha uma relação muito próxima. Ela hesitou em falar sobre o seu ex-namorado, mas a forma como Rafael a ouvia, com tanta atenção e compaixão, a encorajou.

“Foi um relacionamento longo, de quase cinco anos”, começou Clara, a voz um pouco embargada. “Eu achava que era para sempre. Mas, de repente, tudo acabou. Ele simplesmente… desapareceu. Sem explicações. Foi muito doloroso. Fiquei com medo de me entregar novamente, de confiar em alguém.”

Rafael pegou a mão dela sobre a mesa. “Eu entendo perfeitamente. O amor é um presente, mas também pode ser uma armadilha se não soubermos nos proteger. Mas não deixe que o medo de um passado machuque o seu futuro. Você é uma mulher incrível, Clara, com uma força que eu admiro. E você merece ser feliz, amar e ser amada.”

O olhar dele, intenso e sincero, transmitia uma força que a fez sentir-se mais forte. Talvez ele tivesse razão. Talvez fosse hora de deixar o passado para trás e se abrir para um novo amor.

Enquanto conversavam, Clara notou que Rafael tinha um jeito peculiar de segurar a taça de vinho, sempre com a mão esquerda, e quando ele se movia, ela vislumbrava novamente a tatuagem de âncora em seu pulso. Aquele detalhe a intrigava.

“Essa âncora no seu pulso… tem algum significado especial?”, ela perguntou, a curiosidade vencendo a reserva.

Rafael olhou para o pulso, um leve sorriso surgindo em seus lábios. “É uma lembrança. Uma âncora para me manter firme, mesmo nas tempestades da vida. Minha mãe me deu quando eu completei dezoito anos. Ela dizia que eu precisava de algo para me manter conectado às minhas origens, mesmo quando o mar estivesse revolto.”

Ele falou sobre a mãe com uma ternura que emocionou Clara. Era evidente o amor e a admiração que ele sentia por ela.

A noite avançava, e a conversa se aprofundava, revelando camadas de suas personalidades. Rafael era um homem de paixões intensas, um sonhador com os pés firmes no chão. Clara, por sua vez, descobriu-se mais aberta e confiante ao lado dele.

Ao saírem do restaurante, o ar da noite estava fresco e perfumado. Rafael a acompanhou até o carro, e antes que ela pudesse se despedir, ele a puxou gentilmente para perto. O olhar dele era um convite, uma promessa.

“Clara”, ele sussurrou, seus olhos azuis fixos nos dela. “Eu nunca senti nada assim antes. Você é… especial.”

Ele a beijou. Um beijo suave no início, que logo se aprofundou, carregado de desejo e paixão. Clara se entregou àquele momento, sentindo-se viva como nunca antes. As inseguranças do passado se dissiparam, substituídas por uma euforia avassaladora. As mãos de Rafael acariciavam seu rosto, seu cabelo, e Clara sentia seu corpo responder a cada toque.

Quando o beijo terminou, eles estavam sem fôlego, os olhares ainda conectados.

“Eu preciso ir para casa, Rafael”, disse Clara, a voz rouca de emoção.

“Eu te levo”, respondeu ele, com um sorriso que prometia um futuro.

No caminho, o silêncio era carregado de cumplicidade e desejo. Ao chegarem à casa dela, Rafael a acompanhou até a porta.

“Mal posso esperar para te ver novamente, Clara”, disse ele, antes de se despedir com um beijo ainda mais intenso.

Clara entrou em casa, sentindo-se nas nuvens. Aquele encontro havia sido mágico. Rafael era o homem que ela sempre sonhou, um homem que a via, que a entendia, que a desejava. Ela sabia que estava se rendendo ao seu amor, e a perspectiva, embora assustadora, era inebriante. As sombras do passado pareciam ter sido dissipadas pela luz intensa da paixão que acabara de florescer.

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