Entre Sombras 182

Capítulo 6

por Camila Costa

Ah, minha querida leitora, a história de "Entre Sombras 182" se adensa como um bom café coado em tarde chuvosa. As almas inquietas de nossa protagonista e do homem que a cerca se debatem em um mar de sentimentos, segredos e perigos. Prepare o coração, pois a saga está apenas começando a desvelar seus véus.

Capítulo 6 — O Sussurro das Mágoas e o Calor do Perigo

A noite caíra sobre o Rio de Janeiro como um manto denso, tingindo os arranha-céus de um azul profundo, salpicado pelas luzes que começavam a acender, promessas cintilantes em meio à vastidão escura. No apartamento luxuoso de Helena, o silêncio pesava mais que o ouro em seus adornos. Ela se movia de um lado para o outro, a seda do roupão deslizando sobre sua pele em um sussurro que parecia ecoar a inquietação em sua alma. O encontro com Davi fora… perturbador. Não apenas pelas informações que ele trouxera, mas pela forma como seu olhar a desnorteava, como sua voz rouca parecia despertar algo adormecido dentro dela.

O aroma do café, agora frio, pairava no ar, um vestígio da tentativa frustrada de encontrar algum conforto. Helena parou diante da enorme janela, o vidro refletindo seu rosto pálido, os olhos escuros emoldurados por olheiras que a noite parecia ter intensificado. Ela revivia cada palavra de Davi, cada hesitação, cada olhar que ele lançava, um misto de urgência e… algo mais, algo que a confundia. Ele falara de sua irmã, da necessidade de desvendar a verdade por trás de sua morte, e a maneira como ele a envolvida nessa busca a deixava em alerta. Vargas era um fantasma persistente, e agora Davi parecia ser a encarnação de um perigo que ela não podia ignorar.

"Por que eu?", murmurou para si mesma, a voz embargada. A conexão que sentira com Davi, por mais fugaz que fosse, era inegável. Havia uma faísca, um reconhecimento, uma atração magnética que a assustava. Ela se considerava uma mulher forte, dona de si, mas diante dele, sentia-se como uma folha ao vento, levada por uma correnteza que ela não compreendia. A imagem do rosto dele, marcado pela dor e pela determinação, voltava sem cessar. E o toque de suas mãos, quando ele a ajudara a se recompor após o susto na rua, ainda parecia queimar em sua pele. Era um calor perigoso, um convite para adentrar um abismo.

De repente, um som discreto, quase inaudível, a tirou de seus devaneios. Um arrastar suave na soleira da porta. Helena congelou, o coração disparado como um tambor frenético. Ela não esperava ninguém. A segurança do prédio era impecável, ou assim ela pensava. Lentamente, com os sentidos aguçados, ela se afastou da janela, buscando abrigo nas sombras do corredor que levava ao seu quarto. A escuridão era sua aliada, e o silêncio, seu escudo.

O som se repetiu, desta vez mais claro. Um clique metálico, sutil, indicando que a fechadura fora manipulada. Pânico começou a borbulhar em seu peito, uma onda fria que a gelou até os ossos. Ela não era uma presa fácil, mas estava desarmada, despreparada para uma invasão. Sua mente correu, buscando uma saída, um refúgio. O pânico, porém, era um veneno que embotava seus pensamentos.

Um vulto passou pela fresta da porta, e Helena se encolheu contra a parede, o fôlego suspenso. O vulto se movia com agilidade, com um propósito que a deixava apreensiva. Ela não conseguia distinguir o rosto, apenas a silhueta esguia, furtiva. Era Vargas? Ou alguém enviado por ele? A ideia a fez tremer. As palavras de Davi sobre a ameaça que pairava sobre ela voltaram com força total.

"Quem está aí?", sua voz saiu trêmula, mas firme, uma última tentativa de bravura.

O vulto parou. O silêncio se estendeu, tenso, pesado. Então, uma voz. Não era a voz grave e ameaçadora de Vargas. Era uma voz mais suave, quase familiar.

"Helena? Sou eu, Sofia."

Sofia? A assessora de Davi? Por quê? Como ela entrara ali? O alívio inicial foi rapidamente substituído por uma nova onda de desconfiança. Helena saiu das sombras, o corpo ainda tenso, os olhos fixos na figura de Sofia, que emergia da escuridão. Ela usava roupas escuras, um capuz cobrindo parte do rosto, mas o brilho em seus olhos era inconfundível.

"Sofia! O que você está fazendo aqui? Como entrou?" A voz de Helena ainda carregava a adrenalina da invasão.

Sofia tirou o capuz, revelando um rosto preocupado. "Tive que ser rápida, Helena. Não tínhamos tempo a perder. Davi me enviou."

"Davi? Ele sabia que eu estava correndo perigo?"

"Ele sentiu. E ele tem motivos para acreditar que Vargas está se aproximando. Pensei que ele já teria te avisado, mas pelo seu semblante, acho que não. Ele quer que você saia daqui. Agora."

A urgência na voz de Sofia era palpável. Helena olhou ao redor, para o luxo que a cercava, para a segurança que agora parecia uma ilusão frágil. A ameaça de Vargas não era um jogo, era uma realidade brutal.

"Vargas está atrás de mim?"

Sofia assentiu, os olhos fixos nos de Helena. "Ele sabe que você tem algo que ele quer. Algo que Davi está tentando recuperar. E ele não vai parar até conseguir. Davi te pediu para vir até ele. Ele disse que é o único lugar seguro para você."

O único lugar seguro. A ironia era cruel. O homem que a envolvia em um perigo que ela não entendia era agora a única esperança. Helena sentiu um misto de revolta e resignação. Ela não era mais dona de seu destino. Estava sendo jogada em um tabuleiro de xadrez perigoso, movida por forças que ela mal conseguia conceber.

"Ele está esperando por mim?"

"Sim. Um carro está aguardando lá embaixo. Você precisa ser discreta. E rápida."

Helena respirou fundo, o perfume de café agora misturado a um odor metálico de medo. Ela sabia que não tinha escolha. Ficar significava enfrentar Vargas sozinha, sem defesas. Seguir Davi, por mais incerto que fosse, parecia ser a única saída. A atração que sentia por ele, a necessidade de entender o que estava acontecendo, tudo isso a impulsionava.

"Eu vou", disse Helena, sua voz agora carregada de uma nova determinação. A mulher forte que ela pensava ser estava emergindo, moldada pela adversidade. Ela vestiu um casaco escuro por cima do roupão, pegou sua bolsa, e seguiu Sofia para fora do apartamento, deixando para trás o luxo e a aparente segurança, rumando para o desconhecido, para o calor do perigo que a chamava. O perfume do mistério agora se misturava com o cheiro da adrenalina e da incerteza, e Helena sabia que sua vida, a partir daquele momento, seria uma travessia constante entre as sombras e a esperança.

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