Amor Impossível 183
Capítulo 17 — O Encontro Sombrio na Galeria
por Camila Costa
Capítulo 17 — O Encontro Sombrio na Galeria
A galeria de arte pulsava com a energia vibrante de artistas emergentes e colecionadores ávidos. As paredes brancas ostentavam telas que gritavam com cores e formas, refletindo a alma inquieta da cidade. Isabella, elegantemente vestida em um vestido azul-marinho que realçava seus olhos, percorria o espaço com um ar de quem buscava inspiração, mas o turbilhão em seu interior a impedia de se concentrar nas obras. A conversa com Ricardo ainda ecoava em sua mente, deixando um rastro de dúvidas que ela não conseguia dissipar.
Ela tentava se convencer de que era apenas uma insegurança passageira, um reflexo da intensidade do seu amor por Ricardo, que a tornava possessiva. Mas algo na reação dele ao mencionar Sofia, aquela hesitação inicial, o tom defensivo… parecia mais do que simples surpresa. A imagem de Sofia, com aquele sorriso enigmático e a pose de quem sabia exatamente o que estava fazendo, não saía de seus pensamentos.
De repente, seus olhos captaram um movimento familiar em um canto mais afastado da galeria. Era Ricardo. Mas ele não estava sozinho. Ao seu lado, com um braço sutilmente apoiado em sua cintura, estava Sofia. O coração de Isabella disparou, um tambor frenético batendo em suas costelas. A cena era um golpe direto em sua alma, uma confirmação cruel de seus medos mais profundos.
Ela sentiu o chão sumir sob seus pés. O ar parecia rarefeito, dificultando a respiração. A beleza das obras de arte ao redor se desfez, tudo se tornou um borrão indistinto. O mundo dela, antes vibrante e cheio de promessas, agora parecia mergulhar em uma escuridão gélida.
“Não pode ser…”, ela murmurou, a voz um fio de desespero.
Ela observou, paralisada, a interação entre Ricardo e Sofia. Eles riam, conversavam, e em determinados momentos, o olhar de Ricardo se demorava em Sofia com uma intensidade que Isabella não via há tempos. Era uma cumplicidade antiga, um entendimento tácito que a deixava do lado de fora, uma intrusa em sua própria história.
Lágrimas quentes começaram a rolar por seu rosto, traçando caminhos solitários em sua pele. Ela queria correr, gritar, confrontá-los. Mas as pernas pareciam presas ao chão, o corpo emudecido pela dor.
Um garçom se aproximou, oferecendo uma taça de champanhe. Isabella pegou-a mecanicamente, o líquido borbulhante parecendo zombar de sua tristeza. Ela deu um gole, o sabor amargo se misturando ao salgado das lágrimas.
“Está tudo bem?”
A voz de Ana, sua melhor amiga, soou suavemente ao seu lado. Ana, com sua habitual perspicácia, percebeu imediatamente o estado de Isabella.
Isabella apenas acenou com a cabeça, incapaz de articular uma palavra. Seus olhos, no entanto, transmitiam toda a dor e a desilusão que a consumiam. Ana seguiu o olhar de Isabella e, ao ver Ricardo e Sofia juntos, seus olhos se arregalaram em surpresa e depois se encheram de compaixão.
“Isa… o que é isso?” Ana perguntou, a voz baixa e preocupada.
“Eu não sei, Ana. Eu não sei mais o que é nada”, respondeu Isabella, a voz embargada. “Ele disse que ela era passado. Ele jurou.”
Sofia, percebendo a presença de Isabella, soltou uma risadinha baixa e murmurou algo no ouvido de Ricardo. Ele se virou e seus olhos encontraram os de Isabella. Por um instante, o semblante dele mudou. Um lampejo de surpresa, seguido por uma expressão difícil de decifrar. Era culpa? Medo? Ou apenas o desconforto de ser pego em flagrante?
Ele se afastou de Sofia e começou a caminhar em direção a Isabella. Sofia o observou partir, um sorriso sutil brincando em seus lábios. Ela sabia que tinha plantado a semente da dúvida, e agora, era hora de colher os frutos.
Isabella sentiu seu coração apertar ainda mais. Ela não queria confrontá-lo ali, diante de todos. Mas também não podia mais fingir. Ela se virou e saiu apressadamente da galeria, sem olhar para trás, sem dar a Ricardo a chance de explicar. As lágrimas corriam livremente agora, o rosto marcado pela dor da traição.
Ana a seguiu, segurando seu braço com firmeza. “Vamos, Isa. Precisamos sair daqui.”
Lá fora, o barulho da rua parecia ensurdecedor. Isabella entrou no carro de Ana, sentindo-se completamente perdida. O amor que ela acreditava ser tão puro e inabalável havia se revelado uma ilusão cruel.
Ricardo, ainda na galeria, observava o carro de Ana se afastar. Ele sentiu um nó na garganta. Aquele encontro com Sofia havia sido inesperado, um pedido de desculpas forçado por ela. Ele havia tentado ser cordial, mas a presença dela era sufocante. Ele sabia que não deveria ter deixado que ela se aproximasse tanto, que colocasse o braço em sua cintura. Mas, naquele momento, ele estava tão focado em se livrar dela o mais rápido possível que não pensou nas consequências.
“O que foi isso, Ricardo?” A voz de Sofia era carregada de insinuação. “Ela viu, não é? A sua preciosa Isabella.”
Ricardo a encarou, a raiva começando a borbulhar. “Você fez isso de propósito, não fez, Sofia?”
Sofia deu de ombros, com um sorriso que não alcançava seus olhos. “Eu apenas queria ter certeza de que você não se esqueceu de mim. E parece que funcionou.”
“Você é doentia, Sofia. E é por isso que você está sozinha. E eu nunca mais quero te ver na minha vida.”
Ele se virou e saiu da galeria, deixando Sofia com seu sorriso vitorioso. O peso da mentira agora se tornava insuportável. Ele sabia que havia ferido Isabella profundamente, e que as desculpas, por mais sinceras que fossem, poderiam não ser suficientes. A noite que se seguia seria longa, e o peso de suas ações o assombraria como um fantasma. O amor impossível, mais uma vez, apresentava sua conta, e o preço era a confiança, um bem precioso que agora parecia irremediavelmente perdido.