Amor Impossível 183

Capítulo 3 — O Reencontro na Metrópole Cinzenta

por Camila Costa

Capítulo 3 — O Reencontro na Metrópole Cinzenta

O retorno para Belo Horizonte foi marcado por uma melancolia persistente. Helena tentava se concentrar em sua rotina como bibliotecária, mas a imagem de Rafael, ao lado daquela mulher misteriosa na igreja, assombrava seus pensamentos. A cidade de concreto e asfalto, tão diferente da beleza histórica de Ouro Preto, parecia sufocar ainda mais sua alma.

"Você parece distante, Helena", comentou sua colega de trabalho, Lúcia, uma mulher de fala mansa e olhar perspicaz, enquanto organizavam uma pilha de livros recém-chegados. "A viagem para Ouro Preto foi boa?"

Helena forçou um sorriso. "Foi, sim. Muito bonita. Mas o retorno é sempre um pouco difícil, não é?"

"Eu sei como é. Mas essa sua melancolia parece um pouco mais profunda do que o normal", Lúcia observou, com um tom de preocupação genuína. "Algo aconteceu lá?"

Helena hesitou por um instante. Contar para Lúcia sobre Rafael seria como abrir uma ferida que ela ainda tentava fechar. Mas a amizade delas era antiga e sincera.

"Conheci alguém", Helena confessou, a voz baixa. "Ou achei que tivesse conhecido."

Lúcia parou o que estava fazendo e a encarou. "E o que aconteceu?"

"Acho que nada", Helena suspirou, sentindo o peso da decepção. "Conheci um homem encantador, em Ouro Preto. Parecíamos ter uma conexão. Mas quando tentei reencontrá-lo, ele parecia ter desaparecido. E aí, no meu último dia, o vi com outra mulher."

O olhar de Lúcia se encheu de compreensão. "Ah, Helena. Sinto muito. Esse tipo de coisa dói muito."

"Dói mesmo", Helena concordou, sentindo as lágrimas voltarem. "Parecia algo especial. Mas talvez eu tenha imaginado tudo."

"Não se culpe, minha querida", Lúcia disse, pousando uma mão reconfortante em seu ombro. "Às vezes, as conexões que sentimos são mais fortes em nossa imaginação do que na realidade. Ou talvez a realidade seja apenas mais complicada do que esperamos."

Os dias se transformaram em semanas. Helena se dedicava ao trabalho, aos seus livros, tentando esquecer Rafael. Ela evitava pensar nas montanhas mineiras, nas ladeiras de pedra, no sol dourado que parecia ter dissipado seu encanto. A rotina em Belo Horizonte era um refúgio, um lugar onde ela podia se esconder em meio à multidão e ao anonimato.

Certa tarde, chuvosa e cinzenta, a biblioteca estava particularmente movimentada. Helena estava no balcão de atendimento, ajudando um estudante a encontrar material para uma pesquisa, quando sentiu um arrepio familiar. Uma sensação de que estava sendo observada. Ela levantou os olhos lentamente, em direção à porta de entrada.

E lá estava ele. Rafael.

Ele estava parado na entrada, olhando ao redor, como se procurasse alguém. O mesmo cabelo escuro, a mesma postura elegante. Ele usava um casaco escuro que parecia contrastar com a atmosfera mais casual da biblioteca. O coração de Helena deu um salto doloroso e inesperado. Aquele encontro em Ouro Preto parecia ter sido um sonho, mas a presença dele ali, na metrópole cinzenta, era palpável.

Ele a viu. Seus olhos azuis se fixaram nos dela, e um leve choque pareceu percorrer seu corpo. Por um instante, ele ficou imóvel, como se não acreditasse no que via. Helena sentiu um turbilhão de emoções: raiva, tristeza, uma ponta de esperança misturada com a dor do passado.

Rafael se aproximou do balcão, com passos firmes. Helena tentou controlar sua respiração, sua expressão. Ela não lhe daria o gosto de ver o quanto ele ainda a afetava.

"Helena?", ele disse, a voz baixa, com um tom de surpresa genuína. "Eu não esperava te encontrar aqui."

"Rafael", ela respondeu, a voz um pouco mais firme do que esperava. "Nem eu a você."

Um silêncio constrangedor se instalou entre eles. A chuva batia nas janelas, criando uma trilha sonora melancólica para aquele reencontro inesperado.

"Eu… eu estou em Belo Horizonte a trabalho", Rafael explicou, desviando o olhar por um momento. "Precisei resolver algumas questões relacionadas a um projeto."

"Ah, entendo", Helena disse, friamente. Aquele projeto. Provavelmente o mesmo que a mulher misteriosa em Ouro Preto estava envolvida.

"E você? Continua trabalhando aqui?", ele perguntou, seus olhos azuis voltando a encontrá-la, com uma intensidade que a fez se sentir novamente desarmada.

"Sim. Eu trabalho na biblioteca há alguns anos", respondeu Helena, tentando manter a compostura. "E você? Não mora mais em Ouro Preto?"

Um leve rubor subiu pelo pescoço de Rafael. Ele hesitou antes de responder. "Eu… eu me mudei para cá há alguns meses. Minha empresa abriu um escritório em Belo Horizonte. E… sim, a mulher que você viu em Ouro Preto… ela é minha noiva. Mariana."

Aquelas palavras atingiram Helena como um golpe. A confirmação de seus medos, a realidade que ela tentara ignorar. Ela sentiu o chão sumir sob seus pés, mas se agarrou à força dos seus livros, à solidez do balcão.

"Entendo", ela disse, a voz embargada, forçando um sorriso que não alcançou seus olhos. "Parabéns."

Rafael a observou por um momento, seus olhos azuis parecendo carregar uma mistura de remorso e algo que Helena não conseguia decifrar. "Helena, eu… eu sinto muito se houve algum mal-entendido em Ouro Preto. As coisas foram… confusas."

"Mal-entendido?", Helena repetiu, a raiva começando a borbulhar em seu peito. "Você sumiu, Rafael. E eu vi você com sua noiva. Não acho que houve mal-entendido algum."

O tom de Helena era mais afiado do que ela pretendia, mas a dor e a decepção a impulsionaram.

Rafael suspirou, um suspiro pesado. "Você tem razão. Eu fui um covarde. Eu deveria ter sido mais claro. Mariana e eu estávamos passando por um momento difícil naquela época, e quando te conheci, eu… eu me senti atraído pela sua leveza, pela sua inocência. Mas eu estava comprometido."

"E por que não disse isso?", Helena perguntou, a voz trêmula.

"Eu não sei", ele admitiu, olhando para o chão. "Eu estava confuso. E talvez eu tenha tido medo de… de magoar você. Mas acabei magoando ainda mais."

As palavras dele eram um consolo frágil, uma tentativa de reparação tardia. Helena sentiu um misto de compaixão e ressentimento.

"Não se preocupe, Rafael", ela disse, tentando soar mais fria do que se sentia. "Aconteceu. E agora, eu preciso voltar ao trabalho."

Rafael assentiu, um olhar de pesar em seus olhos. "Claro. Helena, eu… desejo-lhe tudo de bom."

Ele se virou e saiu da biblioteca, desaparecendo na multidão e na chuva. Helena o observou ir, sentindo um vazio imenso se instalar em seu peito. O reencontro, que ela temia e secretamente desejava, havia sido ainda mais doloroso do que ela imaginara. A metrópole cinzenta, com sua indiferença aparente, parecia agora um reflexo de seu próprio coração partido.

Lúcia se aproximou, com um copo d'água na mão. "Você está bem?"

Helena pegou o copo, as mãos tremendo levemente. "Não sei, Lúcia. Acho que não."

"Ele te magoou de novo", Lúcia deduziu, o olhar cheio de empatia.

"De uma forma diferente", Helena admitiu, sentindo as lágrimas rolarem livremente pelo rosto. "Ele confirmou tudo. E admitiu que eu fui apenas uma distração confusa em sua vida."

"E você é muito mais que isso, Helena", Lúcia disse firmemente. "Você é uma pessoa incrível. E a sua história não termina aqui. Esse homem não te merece."

Helena olhou para Lúcia, grata pelo conforto e pela força que sua amiga lhe oferecia. Aquele reencontro, por mais doloroso que fosse, havia lhe dado uma clareza brutal. A ilusão de um amor impossível em Ouro Preto havia finalmente se dissipado, deixando para trás apenas a amarga certeza de que algumas histórias não foram feitas para serem vividas, mas apenas para serem lembradas como lições.

Ela respirou fundo, tentando recompor-se. O trabalho a esperava, e os livros, seus fiéis companheiros, eram o único refúgio que ela tinha agora. A metrópole cinzenta, com sua chuva incessante, parecia abraçar sua tristeza, mas Helena sabia que, de alguma forma, precisaria encontrar a sua própria luz. Uma luz que não dependesse de olhares azuis profundos ou de promessas não cumpridas. Uma luz que viesse de dentro.

No entanto, enquanto limpava as lágrimas, Helena não conseguia se livrar de uma sensação incômoda. A confissão de Rafael, a forma como ele a olhava… algo ainda pairava no ar, um resquício de um mistério que não se dissipara completamente. Seria possível que a história de Rafael e Mariana fosse realmente tão simples quanto ele pintou? Ou haveria algo mais, algo escondido sob a superfície polida de suas palavras? A dúvida, como uma pequena semente, começava a germinar em seu coração, mesmo em meio à dor da desilusão.

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