Amor Impossível 186

Capítulo 10 — A Fuga Noturna e a Falsa Promessa de Refúgio

por Isabela Santos

Capítulo 10 — A Fuga Noturna e a Falsa Promessa de Refúgio

A noite caiu sobre a fazenda com a lentidão de um sudário. As estrelas, antes pontilhadas de esperança, agora pareciam distantes e frias, refletindo a escuridão que se instalava no coração de Helena. As palavras de Miguel ecoavam em sua mente: "Eu te amo, mas preciso te deixar ir." A confissão, tão carregada de dor, a atingia mais forte do que qualquer rejeição. Ela sabia que a influência de Armando Valença era perigosa, mas a decisão de Miguel de partir, de se afastar, era um golpe ainda mais profundo.

Helena não podia aceitar. Não podia se conformar com um amor que era declarado impossível. A imagem do beijo roubado na noite anterior, a intensidade nos olhos de Miguel, tudo isso gritava contra a lógica fria e calculista de Armando Valença. Ela sentiu uma determinação crescente, alimentada pela raiva e pelo desespero.

Ela voltou para casa com o coração partido, mas com uma resolução firme. Conversou com o pai, explicou a situação. O Sr. Almeida, embora preocupado, viu a chama de coragem nos olhos da filha. Ele sabia que não poderia detê-la.

"Eu vou ajudar você, Helena", ele disse, a voz embargada pela emoção. "Mas você precisa ter muito cuidado. Armando Valença é um homem perigoso. E Miguel... ele pode estar indo para um caminho sem volta."

Naquela noite, enquanto a família Almeida dormia, Helena preparou uma pequena mala. Pegou alguns documentos importantes, dinheiro e uma foto antiga de seus pais. Ela não tinha para onde ir, mas sabia que precisava sair dali. Precisava encontrar Miguel, ou pelo menos, encontrar uma maneira de protegê-lo.

Com o coração martelando contra as costelas, Helena desceu as escadas silenciosamente. A casa parecia sombria e opressora. Ela abriu a porta dos fundos, o ar frio da noite envolvendo-a. A lua, escondida atrás de nuvens densas, oferecia pouca luz.

Enquanto se dirigia para o carro, um movimento nas sombras a fez parar. Um homem emergiu da escuridão, alto e com um porte que lhe era vagamente familiar. Era um dos capangas de Armando Valença, um homem de olhar duro e poucas palavras, que Helena já havia visto algumas vezes.

"Aonde pensa que vai, Srta. Almeida?", ele perguntou, a voz rouca e ameaçadora.

O pânico tomou conta de Helena. Ela sabia que estava em perigo. Armando Valença estava vigiando-a.

"Eu... eu só queria tomar um ar", ela gaguejou, tentando disfarçar o medo.

O capanga riu, um som sem humor. "Não se faça de boba. Sabemos que você está tentando fugir. O Sr. Valença nos instruiu a impedir sua partida."

Helena sentiu o sangue gelar. Armando Valença estava um passo à frente dela. Ela tentou se afastar, mas o homem bloqueou seu caminho. Em pânico, Helena correu de volta para a casa, batendo a porta e trancando-a. Seu coração disparou, a adrenalina correndo em suas veias. Ela estava presa.

Do lado de fora, ouviu o capanga gritar para seus comparsas. A situação era desesperadora. Helena correu para a sala de estar, procurando uma saída. A janela era grande, e ela sabia que, se conseguisse abri-la, poderia tentar pular.

Com um esforço tremendo, ela conseguiu destrancar a janela e abri-la. Do lado de fora, a escuridão parecia menos ameaçadora do que a presença dos homens de Armando Valença. Ela sabia que o risco era grande, mas a alternativa era pior.

Com um último olhar para a casa que fora seu lar, Helena pulou. A queda não foi longa, e ela aterrissou com um baque doloroso no chão. A dor percorreu sua perna, mas ela não se importou. Levantou-se e correu para o carro, ainda estacionado perto da casa.

Para sua surpresa, o carro ligou. Alguém havia deixado para ela. Quem? Ela não sabia, mas não tinha tempo a perder. Com os homens de Armando Valença possivelmente em seu encalço, Helena acelerou, saindo da propriedade dos Almeida e adentrando a estrada escura.

Ela dirigiu por horas, sem rumo definido, apenas tentando se afastar o máximo possível. A cada curva, esperava ver os faróis de um carro seguindo-a. A cada sombra, imaginava a silhueta dos capangas de Armando Valença. O medo era constante, mas a determinação de encontrar Miguel, de protegê-lo, a impulsionava.

Ao amanhecer, Helena se viu em uma cidade pequena e desconhecida. Estava exausta, com fome e com a perna dolorida. Parou em um posto de gasolina, sem saber o que fazer. Foi então que viu um jornal jogado em uma mesa. A manchete a fez arregalar os olhos: "Jovem Herdeiro Valença Desaparecido. Suspeitas Recaem Sobre Armando Valença."

O coração de Helena deu um salto. Miguel havia desaparecido. Armando Valença estava envolvido. Ela sabia que estava no caminho certo. Miguel precisava dela.

De repente, uma figura familiar se aproximou dela. Era Sofia Valença. Ela parecia diferente, mais suave, menos fria. Seus olhos transmitiam uma preocupação genuína.

"Helena?", Sofia disse, surpresa. "O que você está fazendo aqui? Achei que você estava em casa."

Helena hesitou, desconfiada. Sabia que Sofia era leal ao pai. Mas algo nos olhos dela a fez sentir uma ponta de esperança.

"Eu... eu fugi", Helena confessou, a voz fraca. "Miguel desapareceu, e eu sei que Armando Valença está por trás disso."

Sofia suspirou, a expressão mais sombria. "Eu sei. Meu pai está se tornando cada vez mais perigoso. E Miguel... ele se foi para enfrentá-lo." Ela olhou para Helena com uma intensidade inesperada. "Eu não concordo com o que meu pai está fazendo. E eu quero ajudar Miguel. Eu quero ajudar você."

Helena a olhou com ceticismo. Sofia Valença, a filha de Armando, ajudando-a? Parecia impossível.

"Por que eu deveria acreditar em você?", Helena perguntou, a desconfiança evidente em sua voz.

Sofia estendeu a mão. "Porque eu sou a única pessoa que pode realmente te ajudar agora. Meu pai está fora de controle. E eu tenho informações que podem ser úteis. Se você me deixar te ajudar, talvez possamos encontrar Miguel e acabar com isso de uma vez por todas."

Helena olhou para a mão estendida de Sofia, o dilema estampado em seu rosto. Confiar em Sofia Valença era um risco enorme. Mas, sozinha, ela não sabia o que fazer. Miguel precisava dela. E, de alguma forma, sentia que Sofia estava falando a verdade. A ideia de que a filha de Armando Valença pudesse estar contra ele era intrigante.

Com um suspiro resignado, Helena pegou a mão de Sofia. Era uma aliança improvável, um acordo selado em meio à incerteza e ao perigo. Uma fuga noturna que a levou a um encontro inesperado, e a uma falsa promessa de refúgio, mas que, talvez, fosse o único caminho para encontrar o amor perdido. O jogo de Armando Valença estava longe de acabar, mas agora, Helena não estava mais sozinha.

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