O Homem que Amei 187

Capítulo 12 — As Sombras do Passado e a Ira do Futuro

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — As Sombras do Passado e a Ira do Futuro

O silêncio da manhã era um véu pesado sobre a residência dos Lacerda. Helena, com olheiras profundas e um semblante sombrio, encarava o espelho, como se procurasse respostas em seu próprio reflexo. A noite anterior havia sido uma tortura, um turbilhão de angústias e esperanças esmagadas. A confissão de Matheus a Rafael fora um passo necessário, um ato de coragem que a deixou exausta, mas, ao mesmo tempo, aliviada por ter tirado um peso dos ombros. No entanto, o silêncio de Rafael, a sua necessidade de "pensar", era um prenúncio de incerteza que a consumia.

Dona Lurdes, com a sutileza de quem já viu de tudo, serviu o café, seus olhos demonstrando a preocupação que não ousava verbalizar. "A senhora dormiu mal, minha flor?", perguntou, a voz embargada de afeto.

"Pior que isso, Dona Lurdes", respondeu Helena, com um suspiro. "Acho que não dormi nada." A verdade era que o sono a abandonara, substituído por um coro de medos e inseguranças. Cada som da casa parecia um prenúncio de más notícias, cada rangido do assoalho um passo de Rafael se afastando para sempre.

Ela sabia que a reação de Rafael era compreensível. Ele a amava, e ela o havia enganado. Não um engano trivial, mas um segredo que moldava sua identidade, que explicava muito de seu comportamento reservado e de sua hesitação em se entregar completamente. O amor que sentia por ele era genuíno, mas a sombra do passado sempre pairava, um fantasma que ela tentava, em vão, manter trancado em um armário escuro.

Em um escritório luxuoso, com vista para o agitado centro da cidade, Rafael sentava-se à sua mesa, o olhar perdido no horizonte. O dossiê sobre Helena repousava em sua frente, a papelada desordenada como a sua mente. Ele relembrou cada detalhe da conversa da noite anterior, cada palavra carregada de dor e confissão. Matheus. Um filho. A palavra ecoava em sua mente, fria e calculista. Ele se sentia traído, não por Helena ter um filho, mas por ela ter escondido essa parte fundamental de sua vida dele. A confiança que ele depositava nela era inabalável, e essa revelação a abalara profundamente.

Ele se lembrava de como a conheceu, em um evento de caridade, a elegância discreta, o sorriso cativante, a inteligência aguçada. A atração foi instantânea, magnética. Ele se apaixonou pela mulher forte e determinada que via, pela resiliência em seus olhos. Mas agora, essa imagem se fragmentava, dando lugar a uma mulher que guardava segredos profundos.

"Por que, Helena?", ele murmurou para o vazio, a voz um sussurro de frustração. Ele era um homem que valorizava a transparência, a honestidade acima de tudo. E Helena, a mulher que ele amava, havia construído um muro de mentiras ao redor de sua vida.

Enquanto isso, em seu apartamento, Eduardo sorria com perverso deleite. O telefonema para Helena, a conversa que ela teve com Rafael, tudo estava sendo monitorado. A informação sobre Matheus era um trunfo valioso em seu jogo de vingança contra os Lacerda, e especialmente contra Rafael.

"A pequena Helena se afogando em suas próprias mentiras", pensou Eduardo, girando o copo de uísque. "E Rafael, com seu orgulho ferido, prestes a sucumbir à dor. O palco está montado."

Ele sabia que precisava agir com cautela. Helena era forte, resiliente, mas também previsível em seus medos. Rafael, por outro lado, era mais volátil, com um temperamento que podia ser facilmente inflamado. A chave era jogar um contra o outro, alimentando as dúvidas e as mágoas.

De volta à casa de Helena, o dia transcorreu em um estado de apreensão. Ela se esforçou para manter a aparência de normalidade, atendendo telefonemas, revisando documentos, mas sua mente estava em outro lugar. Imaginava Rafael, a decepção em seus olhos, a frieza em sua voz. O medo de perdê-lo era um buraco negro em seu peito, sugando toda a sua energia.

Ao meio-dia, um carro preto e imponente estacionou em frente à casa de Helena. Dela desceu Eduardo, com seu sorriso polido e seu olhar penetrante. Dona Lurdes o recebeu com a cortesia habitual, embora sentisse uma estranha apreensão.

"Bom dia, Dona Lurdes", disse Eduardo, com a voz melíflua. "A senhorita Helena está em casa?"

"Sim, senhor. Vou avisá-la", respondeu Dona Lurdes, desconfiada. Ela sabia que Eduardo era um homem de negócios, um rival de Rafael, e a presença dele ali, naquele momento, parecia sinistra.

Helena recebeu a notícia da visita de Eduardo com um misto de surpresa e desconforto. Ela o conhecia de eventos sociais, sabia de sua rivalidade com Rafael, mas nunca imaginou que ele seria capaz de algo tão invasivo.

"Por favor, diga a ele que não quero vê-lo", disse Helena para Dona Lurdes, a voz firme, mas o coração acelerado.

"Ele insiste, minha flor. Diz que é algo urgente", respondeu Dona Lurdes, os olhos fixos no rosto pálido de Helena.

Relutantemente, Helena desceu para receber Eduardo na sala de estar. Ele a cumprimentou com um sorriso que não alcançava seus olhos.

"Helena, minha querida. Que bom vê-la. Embora, devo confessar, seu semblante não reflita a felicidade que eu esperava", disse Eduardo, com uma falsa preocupação na voz.

"O que você quer, Eduardo?", Helena perguntou diretamente, sem rodeios. A presença dele era perturbadora.

Eduardo sentou-se em uma poltrona, a postura relaxada, mas seu olhar era calculista. "Quero apenas oferecer meus pêsames. Ouvi dizer que você e Rafael tiveram… dificuldades." Ele fez uma pausa, saboreando a palavra. "Algo sobre um filho que você escondeu dele, não é mesmo?"

Helena gelou. Como ele sabia? A informação era recente, extremamente pessoal. O medo a invadiu, um medo frio e paralisante.

"Não sei do que você está falando", ela disse, tentando manter a compostura, mas sua voz tremia levemente.

Eduardo soltou uma risada baixa e rouca. "Oh, Helena, não se faça de desentendida. Eu sei tudo. Sei sobre Matheus. Sei sobre sua vida antes de Rafael. E sei que Rafael está devastado."

"Você está mentindo", Helena acusou, os olhos fixos nos dele, buscando qualquer sinal de hesitação.

"Mentindo? Eu? Jamais. Apenas tenho… informantes bem posicionados", disse Eduardo, com um sorriso malicioso. "E sei que essa informação, se divulgada, poderia arruinar a reputação de Rafael, a sua reputação, e destruir o seu relacionamento para sempre."

O ar na sala ficou pesado, denso de ameaça. Helena sentiu o estômago revirar. Eduardo estava usando o seu segredo como arma, como chantagem.

"O que você quer em troca?", ela perguntou, a voz baixa, resignada.

"Simples, minha querida. Quero apenas ver Rafael sofrer. Quero vê-lo pagar por todas as humilhações que ele me causou. E você, Helena, será a chave para isso." Eduardo se inclinou para frente, seu olhar fixo no dela. "Você vai se afastar dele. Para sempre. Ou então, a história de Matheus será contada ao mundo. E não apenas a história dele, mas todos os detalhes sórdidos que o cercam."

O pânico tomou conta de Helena. Perder Rafael era uma coisa, mas expor Matheus, seu filho, a um escrutínio público, a um escândalo, era impensável. Ela se viu em um dilema cruel, presa entre o amor por Rafael e a proteção de seu filho.

"Você não pode fazer isso", ela implorou, as lágrimas começando a brotar.

"Posso, e farei. A menos que você coopere comigo", Eduardo disse, seu tom implacável. "Você tem 24 horas para me dar sua resposta. Ou um adeus definitivo a Rafael, ou a exposição de tudo que você escondeu."

Eduardo se levantou, um ar de triunfo emanando dele. Deu um último olhar para Helena, um olhar de desprezo misturado com satisfação, e saiu, deixando-a sozinha em meio à ruína de suas esperanças.

Naquela noite, enquanto Helena lutava contra o desespero, Rafael estava em seu apartamento, o telefone em mãos, a imagem de Helena em sua mente. Ele ainda estava chocado, confuso, mas a raiva começava a dar lugar a uma compreensão dolorosa. Talvez Helena tivesse seus motivos. Talvez o medo a tivesse paralisado. Mas a verdade era que ele não conseguia apagar a sensação de traição.

Ele discou o número de Helena. A chamada foi para a caixa postal.

"Helena", disse Rafael, a voz carregada de emoção. "Eu… eu pensei muito sobre tudo. Eu sei que você teve medo. Eu sei que você se arrepende. Mas a mentira… ela nos afastou. Eu preciso de você, Helena. Preciso que sejamos honestos um com o outro. Se você ainda me ama, por favor, me ligue. Precisamos conversar."

Ele desligou, sentindo um vazio imenso. A incerteza era um veneno corrosivo, espalhando-se por suas veias. Ele amava Helena, amava-a profundamente, mas a sombra de Eduardo, a sombra do passado, pairava sobre eles, ameaçando destruir tudo.

O jogo de Eduardo havia começado, e as peças estavam se movendo em um tabuleiro de manipulação e dor. Helena estava acuada, e Rafael, dividido entre a confiança e a mágoa. O futuro, antes promissor, agora se apresentava sombrio e incerto, um reflexo das sombras que se adensavam sobre suas vidas.

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