O Homem que Amei 187

Capítulo 5 — A Tempestade Se Instaura

por Valentina Oliveira

Capítulo 5 — A Tempestade Se Instaura

A decisão de Clara de dar uma nova chance a Elias foi como um bálsamo para a alma dele. A atmosfera entre eles mudou. A incerteza deu lugar a uma cumplicidade renovada, mais profunda e verdadeira. Os olhares trocados, os toques breves, tudo agora carregava um novo significado, uma promessa de futuro. A parceria profissional na “Páginas da História” avançava a passos largos. A reforma do espaço estava em sua fase final, o novo site pronto para ser lançado, e a expectativa de Clara para apresentar ao mundo o novo rosto da livraria era palpável. Elias, ao seu lado, era um pilar de apoio e inspiração.

Uma tarde, enquanto Clara supervisionava a instalação de novas estantes de madeira nobre, o celular dela tocou. Era um número desconhecido. Curiosa, ela atendeu.

“Alô?”, Clara disse.

“Clara? É a Sofia Abreu”, uma voz feminina, fria e calculista, respondeu do outro lado da linha.

Clara sentiu um arrepio percorrer seu corpo. A menção daquele nome trouxe de volta à tona todas as suas inseguranças, todas as dúvidas sobre Elias e seu passado.

“Sofia Abreu?”, Clara repetiu, a voz tensa. “Como conseguiu meu número?”

“Não se preocupe com isso. O que importa é que eu sei sobre você e Elias. Sei sobre o seu pequeno empreendimento aqui em Ouro Preto. E sei sobre o dinheiro que ele usou para isso”, Sofia disse, a voz carregada de um veneno sutil. “Um dinheiro que, de certa forma, também me pertence.”

Clara sentiu o sangue gelar. A ameaça velada era clara. Sofia Abreu não estava disposta a deixar Elias em paz, e agora, parecia estar usando Clara como um meio para atingi-lo.

“O que você quer, Sofia?”, Clara perguntou, tentando manter a calma.

“Quero que você se afaste de Elias. Quero que você desfaça essa sociedade patética que vocês montaram. Elias é meu, Clara. Ele fez um acordo comigo, e esse acordo tem consequências. Ele não pode simplesmente seguir em frente como se nada tivesse acontecido, especialmente com você.” Sofia riu, um som seco e sem alegria. “Ele é um homem pragmático, Clara. Ele sabe que não pode ter tudo. Ele tem responsabilidades. E eu sou uma delas.”

“Você está enganada”, Clara respondeu, a voz firme, apesar do medo que a consumia. “Elias e eu estamos construindo algo juntos. Algo que é nosso.”

“Ah, minha querida Clara, você é tão ingênua”, Sofia zombou. “Você realmente acha que um homem como Elias, com o passado que ele tem, pode ser redimido por uma livraria empoeirada e um romance de segunda mão? Ele precisa de poder, de influência. E é isso que eu posso oferecer. O que você pode oferecer a ele, além de um conto de fadas barato?”

Clara sentiu a raiva borbulhar dentro de si. A arrogância de Sofia era insuportável. “Eu posso oferecer a ele um futuro onde ele não precise se curvar a ninguém. Um futuro onde ele seja livre. E isso é mais valioso do que todo o dinheiro que você tem.”

“Veremos quem tem razão”, Sofia disse, a voz mudando de tom, tornando-se mais ameaçadora. “Se Elias não cumprir com a parte dele do nosso acordo, as consequências serão… desagradáveis. Para ele, e para você também. Não se meta em algo que você não entende, Clara. Esse jogo é mais antigo e mais perigoso do que você imagina.”

A ligação caiu, deixando Clara em um estado de choque. As palavras de Sofia ecoavam em sua mente, pintando um quadro sombrio do passado de Elias e do perigo que eles corriam. Era a confirmação de seus medos mais profundos: Elias estava preso em uma teia de compromissos que poderia destruir tudo o que eles estavam construindo.

Naquela noite, Clara procurou Elias. Ela o encontrou em seu escritório na livraria, analisando os últimos relatórios financeiros. A imagem dele ali, imerso em números, cercado pelos livros que ela amava, ainda a tranquilizava. Mas agora, a presença de Sofia pairava como uma nuvem negra.

“Elias, precisamos conversar”, Clara disse, a voz tensa.

Elias levantou os olhos, percebendo a aflição dela. “O que aconteceu, Clara?”

Clara, com a voz embargada, contou sobre a ligação de Sofia. Elias ouviu em silêncio, a expressão se tornando cada vez mais sombria. Quando ela terminou, ele se levantou, a mandíbula contraída.

“Aquela mulher… ela não vai descansar”, Elias murmurou, andando de um lado para o outro. “Eu pensei que tivesse lidado com ela. Que tivesse pago o preço.”

“Que preço, Elias?”, Clara perguntou, a voz cheia de angústia. “Que acordo foi esse que a faz sentir que tem direito sobre você, sobre o nosso futuro?”

Elias parou, virou-se para ela, e seu olhar azul estava carregado de dor e resignação. “O acordo era o seguinte: Sofia me deu o capital inicial para meus negócios, em troca de eu usar minha influência para ajudá-la a obter controle sobre uma parte significativa da herança do meu pai. E, uma vez que ela conseguisse isso, ela me libertaria das suas exigências. Eu achava que tinha cumprido a minha parte.”

“E ela não te libertou?”, Clara perguntou, a esperança diminuindo a cada palavra dele.

“Aparentemente não”, Elias respondeu, o tom amargo. “Sofia sempre quer mais. Ela está vendo o sucesso que construí, o nome que fiz, e quer mais. Ela quer que eu volte a ser o peão dela, que eu use a minha influência agora para consolidar o poder dela de vez, especialmente com as disputas que estão surgindo pela divisão dos bens do meu pai. E se eu me recusar, ela ameaça expor tudo. Expor o nosso acordo, expor o meu passado, e, como ela disse, tornar as coisas desagradáveis para nós dois.”

Clara sentiu o chão tremer sob seus pés. A tempestade que ela temia havia chegado. O passado de Elias, que ele tanto lutava para deixar para trás, agora ameaçava destruir o futuro que eles estavam construindo.

“Mas você não pode ceder, Elias!”, Clara exclamou, a voz desesperada. “Você não pode deixar que ela te controle de novo! Você construiu tudo isso sozinho, com o seu esforço!”

“E você, Clara, é a prova de que vale a pena lutar por algo mais do que poder e dinheiro”, Elias disse, a voz suavizando ao olhá-la. “Por você, eu quero ser livre. Mas Sofia… ela é implacável. E ela não hesitará em usar você para me atingir.”

Um arrepio percorreu o corpo de Clara. A ameaça velada de Sofia agora ganhava um contorno real e perigoso. Ela, a mulher que buscava refúgio nas histórias, agora se encontrava no meio de um drama real, com um antagonista tão cruel quanto os vilões dos seus livros.

“E o que vamos fazer, Elias?”, Clara perguntou, a voz fraca.

Elias a abraçou, apertando-a com força. “Vamos lutar, Clara. Vamos lutar juntos. Eu não vou deixar que ela estrague tudo o que construímos. Eu não vou deixar que ela tire você de mim.”

Nos dias seguintes, a pressão de Sofia aumentou. Ela enviou cartas formais, com linguagem jurídica intimidadora, exigindo o cumprimento do acordo. Clara sentiu a angústia de Elias crescer a cada dia. Ele tentava manter uma fachada de normalidade, mas ela via a preocupação em seus olhos, a tensão em seus ombros.

Uma noite, Clara recebeu um pacote. Era um envelope lacrado, sem remetente. Dentro, havia um conjunto de documentos, todos com o selo da família Abreu. Eram cópias de documentos legais, contratos, testamentos, que detalhavam a complexa divisão de bens do patriarca. E, em um dos documentos, Clara viu o nome de Elias, reconhecido como filho legítimo, mas com uma cláusula que o deserdava de uma parte significativa da fortuna, a menos que ele cumprisse certas “obrigações familiares” – obrigações que, Clara sabia, estavam ligadas a Sofia.

Ela sentiu uma onda de raiva e impotência. Aquilo não era apenas sobre dinheiro. Era sobre poder, sobre controle, sobre a tentativa de Sofia de manipular Elias e o legado de sua própria família.

Na manhã seguinte, Clara foi até Elias, com os documentos em mãos. Ela o encontrou em seu escritório, a expressão sombria.

“Elias, o que é isso?”, Clara perguntou, mostrando os documentos. “Sofia não está brincando, não é?”

Elias pegou os papéis, o olhar fixo nas palavras. “Não. Ela não está.” Ele ergueu os olhos para Clara, um misto de desespero e determinação neles. “Ela está me dando um ultimato. Ou eu a ajudo a consolidar a parte dela da herança, usando a minha influência e os acordos que ela tem com alguns membros da família, ou ela vai expor a minha parceria com ela, e a forma como usei o dinheiro dela para começar tudo isso. E ela vai usar esses documentos para me fazer parecer um aproveitador, um filho bastardo que voltou para sugar a família.”

“E o que você vai fazer?”, Clara perguntou, a voz embargada.

Elias a olhou, os olhos azuis fixos nos dela. “Eu não vou ceder, Clara. Eu não vou voltar a ser o peão dela. Eu construí meu próprio caminho, e não vou permitir que ela destrua isso. Mas… ela pode me machucar. Ela pode machucar você.”

A tempestade havia se instalado. O romance que parecia prometer um futuro brilhante agora estava sob a mira de um passado sombrio e de uma vilã implacável. Clara sabia que a luta seria árdua, mas, olhando para Elias, para a dor e a determinação em seus olhos, ela sentiu uma força nova brotar dentro de si. O amor que eles sentiam um pelo outro, forjado nas chamas da verdade e da vulnerabilidade, seria o seu escudo e a sua arma.

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