O CEO e a Secretária 189

Capítulo 2 — O Encontro dos Titãs

por Isabela Santos

Capítulo 2 — O Encontro dos Titãs

O som suave da porta se abrindo a fez sobressaltar. Helena virou-se da janela, o coração batendo descompassado em seu peito, um tambor frenético anunciando a chegada dele. Leonardo Vasconcelos. A figura imponente que se materializou na soleira do seu escritório era ainda mais avassaladora do que ela se lembrava. Alto, com ombros largos que pareciam carregar o peso do mundo, envolto em um terno escuro que exalava poder e sofisticação. Seus olhos, de um azul profundo e penetrante, varreram o escritório, pousando em Helena com uma intensidade que a fez sentir-se nua.

Ele não disse nada. Apenas a observou, uma expressão indecifrável no rosto. Aquele silêncio era mais eloquente do que qualquer palavra. Helena sentiu a necessidade de preenchê-lo, de quebrar a tensão palpável que pairava no ar.

"Senhor Vasconcelos", disse ela, a voz um pouco mais rouca do que o normal. "Por favor, sente-se." Ela gesticulou em direção à poltrona de couro à sua frente.

Leonardo fez um leve aceno com a cabeça, seus movimentos fluidos e calculados. Ele caminhou até a poltrona e sentou-se, sem tirar os olhos dela. Helena sentou-se em sua própria cadeira, tentando projetar uma calma que não sentia. A presença dele era magnética, um furacão contido que a atraía e a repelia simultaneamente.

"Senhorita Almeida", sua voz era grave, um timbre aveludado que parecia vibrar em suas entranhas. "Agradeço por me receber."

"Eu não tive muita escolha, não é?", Helena respondeu, a ironia escapando sem querer. Ela se arrependeu no instante em que as palavras saíram de sua boca.

Um leve sorriso brincou nos lábios de Leonardo. Um sorriso que não alcançou seus olhos, mantendo a intensidade fria. "Digamos que as circunstâncias exigiram certa... urgência."

"Urgência", Helena repetiu, ponderando a palavra. "Meu pai era um homem de palavra, Senhor Vasconcelos. Se ele prometeu algo, acredito que havia um motivo."

Leonardo inclinou a cabeça, o olhar fixo. "E você está aqui para cumprir a promessa dele?"

A pergunta era direta, mas carregada de um subtexto que Helena não ousava decifrar completamente. Ela sabia que a promessa envolvia algo valioso, algo que seu pai havia tirado da família Vasconcelos anos atrás, um segredo que agora a assombrava.

"Eu estou aqui para entender exatamente o que foi prometido e como posso resolver isso", Helena respondeu, escolhendo suas palavras com cuidado. "A carta do meu pai foi... esclarecedora, em muitos aspectos."

"Esclarecedora?", Leonardo ergueu uma sobrancelha. "Acredito que ela apenas abriu um leque de novas dúvidas."

"De fato", Helena concordou. "Por isso preciso que o senhor me explique, em detalhes, o que exatamente seu pai e o meu pai acordaram."

Leonardo a estudou por um longo momento, como se estivesse avaliando cada palavra, cada nuance de sua expressão. "Meu pai e o seu eram rivais, Senhorita Almeida. Mas também, em certa medida, eram homens que se respeitavam. Havia um acordo tácito entre eles, uma rivalidade saudável que mantinha ambos em alerta. No entanto, em determinado momento, a linha da ética foi cruzada. Seu pai, em busca de uma vantagem, apropriou-se de algo que pertencia à minha família. Algo que, para nós, representava mais do que um simples bem material. Representava um legado."

Helena sentiu um nó na garganta. A arrogância do pai, sua sede insaciável por poder, sempre a assombravam. "E o que era esse 'algo'?"

Leonardo se recostou na poltrona, o olhar perdido em algum ponto distante. "Era um projeto. Um projeto arquitetônico inovador, desenhado pelo meu avô. Algo que poderia ter mudado o rumo da minha família, mas que seu pai, com seus recursos e sua influência, roubou. Ele o apresentou como seu, o patenteou e o transformou em um dos pilares da Almeida Global. Um projeto que levou o nome dele, mas que era, na essência, o sonho do meu avô."

A confissão atingiu Helena como um soco no estômago. O orgulho ferido de Leonardo, a injustiça que sua família sofrera, tudo ressoava em sua própria consciência. Ela sabia que seu pai era capaz de muita coisa, mas roubar a obra-prima de um rival e se apropriar dela... era uma crueldade que a envergonhava.

"Eu... eu não sabia", Helena gaguejou, sentindo a necessidade de se desculpar, mesmo sabendo que a culpa não era inteiramente dela. "Eu sinto muito que isso tenha acontecido."

"Sinto muito não reescreve a história, Senhorita Almeida", Leonardo disse, a voz fria como o gelo. "O que meu pai queria, e o que ele me encarregou de buscar, era justiça. Era o reconhecimento. Era a devolução do que nos foi tirado. E a carta do seu pai é a prova de que ele, em seus últimos momentos, percebeu a gravidade de seu erro."

"E o que o senhor quer agora?", Helena perguntou, a coragem ressurgindo em sua voz. "Dinheiro? Compensação?"

Um brilho perigoso passou pelos olhos de Leonardo. "Não estou aqui por dinheiro, Senhorita Almeida. Estou aqui pelo reconhecimento. Pela verdade. E, se possível, por uma forma de reparação que honre a memória do meu avô e a justiça que ele tanto almejava." Ele fez uma pausa, estudando a reação dela. "A carta do seu pai menciona uma reunião. Uma reunião para discutir uma solução. E eu estou aqui para essa reunião."

Helena assentiu, a mente trabalhando a mil. Ela precisava analisar os contratos, os registros da empresa, para entender a extensão da fraude de seu pai. Precisava encontrar uma maneira de honrar a memória dele, sem comprometer a integridade da Almeida Global ou a sua própria.

"Eu preciso de tempo, Senhor Vasconcelos", disse Helena. "Tempo para revisar os documentos, para entender todos os detalhes. Mas eu me comprometo a encontrar uma solução justa. Não apenas para a sua família, mas para a reputação do meu pai e para o futuro da Almeida Global."

Leonardo a observou, a expressão um pouco mais branda, mas ainda com uma reserva palpável. "Eu acredito em sua palavra, Senhorita Almeida. Mas não se engane, não desistirei até que a justiça seja feita. E se você tentar me enganar, ou blefar, as consequências serão severas."

A ameaça, embora implícita, pairava no ar. Helena sabia que estava lidando com um homem perigoso, um homem que não se contentaria com menos do que o que acreditava ser seu por direito.

"Eu entendo", Helena disse, mantendo o olhar firme. "E eu lhe garanto que não há trapaça em minhas intenções. Apenas o desejo de corrigir um erro do passado."

Ele se levantou, a altura imponente preenchendo o espaço. "Bom. Eu confio que você encontrará uma solução. Digo isso porque, por mais que eu odeie admitir, há um aspecto de você que me lembra meu pai. A determinação. A força para enfrentar o que for preciso."

Antes que Helena pudesse responder, Leonardo se virou e saiu do escritório, deixando-a sozinha com o eco de suas palavras e o peso de uma promessa que ela agora precisava cumprir. O encontro havia sido intenso, dramático, e mais uma vez, a presença de Leonardo Vasconcelos a havia deixado perturbada. A batalha pela justiça, pela verdade, havia começado, e ela sabia que seria longa e árdua. E, para sua surpresa, uma parte dela sentia uma estranha eletricidade em enfrentar aquele homem, um desafio que, por mais perigoso que fosse, a fazia sentir-se viva.

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