O Príncipe das Sombras 191

Capítulo 9 — O Fantasma do Passado

por Valentina Oliveira

Capítulo 9 — O Fantasma do Passado

A rotina do palácio, outrora um refúgio de tranquilidade para Sofia, agora parecia permeada por uma tensão latente. Elias estava mais ausente, seus compromissos se multiplicando, seus olhares lançados a ela cada vez mais carregados de um peso não dito. Sofia sentia a distância crescer entre eles, um abismo sutil, porém doloroso, que a deixava ansiando pela proximidade que antes parecia tão natural. Ela se agarrava aos momentos que tinham juntos, às breves conversas, aos olhares trocados, buscando neles a confirmação de que o amor que os unia ainda era forte.

Em uma tarde ensolarada, enquanto passeava pelos jardins, Sofia avistou uma figura solitária sentada em um banco afastado, sob a sombra frondosa de um antigo carvalho. Era uma mulher de cabelos escuros, vestida com um elegante, porém sombrio, vestido preto. Havia uma aura de melancolia em torno dela, uma beleza etérea que parecia assombrada por lembranças. Sofia, movida por uma curiosidade que beirava a apreensão, aproximou-se lentamente.

Ao se aproximar, a mulher ergueu o olhar, revelando olhos de um azul profundo, carregados de uma tristeza ancestral. Sofia sentiu um reconhecimento estranho, uma sensação de déjà vu que a fez parar. A mulher era de uma beleza estonteante, mas havia nela uma fragilidade, uma vulnerabilidade que a tocava.

“Bom dia”, Sofia disse, a voz suave, tentando não assustá-la. “Eu… eu nunca a vi por aqui antes.”

A mulher sorriu, um sorriso fraco que não alcançou seus olhos. “Sou Isabella. Uma antiga amiga da família.” Sua voz era melodiosa, mas tingida de uma melancolia que parecia ecoar os ventos que sopravam entre as árvores.

Isabella. O nome pairou no ar, e Sofia sentiu um aperto no peito. Ela não conhecia nenhuma Isabella entre os círculos de Elias. “Amiga da família?”, ela repetiu, a curiosidade se misturando com uma pontada de ciúme.

Isabella acenou com a cabeça, seu olhar fixo em um ponto distante, como se revivesse memórias do passado. “Sim. Eu conheci o pai de Elias muito jovem. Éramos… próximos.” A última palavra foi dita com um suspiro quase imperceptível, mas carregada de um significado profundo.

Sofia sentiu o sangue gelar em suas veias. Elias raramente falava de seu pai, um homem que, segundo ele, era uma figura imponente e distante, moldado pela responsabilidade de um reino. Mas Isabella falava dele com uma intimidade que sugeria algo mais.

“Próximos?”, Sofia insistiu, a voz um pouco mais firme agora, a inquietação crescendo. “Como exatamente?”

Isabella finalmente voltou seu olhar para Sofia, um olhar que parecia penetrar em sua alma. “Houve um tempo, antes que Elias fosse… o que ele é hoje, em que meu coração pertencia ao seu pai. Tivemos um amor profundo, verdadeiro. Mas o dever… o dever sempre se interpõe entre as almas apaixonadas, não é mesmo?”

As palavras de Isabella atingiram Sofia como um raio. O pai de Elias. Um amor profundo. A ideia de que Elias pudesse ter uma história de amor em sua família, uma história tão intensa quanto a que ela vivia com ele, era ao mesmo tempo fascinante e assustadora. Seria esse o fantasma do passado que Elias tentava manter trancado?

“O pai de Elias… ele nunca mencionou um romance com alguém chamada Isabella”, Sofia disse, tentando manter a voz neutra, embora seu coração estivesse batendo descompassado.

Isabella riu, um som triste e frágil. “Ele não falava de mim. E Elias… Elias não falava de mim para você. As pessoas têm segredos, querida. E o passado… o passado tem uma maneira de nos assombrar, mesmo quando tentamos enterrá-lo sob camadas de poder e responsabilidade.”

Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O que Isabella estava querendo dizer? Que Elias estava escondendo essa parte de sua história dela? Que ele era como o pai, incapaz de ser totalmente honesto sobre seus sentimentos e suas conexões?

“Por que você está me contando isso, Isabella?”, Sofia perguntou, a voz carregada de uma suspeita crescente. “Qual o seu interesse em me falar sobre o passado do pai de Elias?”

Isabella se levantou do banco, sua figura esguia destacando-se contra a paisagem verde. Ela caminhou em direção a Sofia, seus olhos azuis fixos nos dela. “Porque eu vejo em você a mesma paixão que eu sentia. O mesmo fogo que ardia em mim quando eu olhava para o pai de Elias. E eu não quero que você sofra o mesmo destino que eu.”

“Que destino?”, Sofia questionou, o medo crescendo em seu peito.

“O destino de ser deixada para trás”, Isabella sussurrou, a voz carregada de uma dor profunda. “O destino de ver o homem que você ama escolhido pelo dever, pelo poder, em vez do amor. Elias é como o pai dele, Sofia. Ele pode te amar agora, mas o peso de seu reino, as responsabilidades que o cercam… elas podem ser mais fortes que qualquer sentimento.”

As palavras de Isabella ecoavam os medos mais profundos de Sofia. Elias, o Príncipe das Sombras, tão dedicado a protegê-la, mas também tão envolto em seus segredos. Seria verdade que ele a amava, mas que o dever o levaria a fazer escolhas que a afastariam dele?

“Elias luta para proteger o reino, para manter a ordem”, Sofia defendeu, a voz trêmula. “Ele me disse que faz isso para que possamos ter um futuro juntos.”

Isabella balançou a cabeça lentamente, um olhar de compaixão em seus olhos. “O futuro é incerto, querida. E o passado… o passado tem um poder imenso. Elias carrega o fardo de seu nome, de sua linhagem. E essa linhagem, por vezes, exige sacrifícios que o coração não pode suportar.” Ela se aproximou de Sofia, e pegou suas mãos, as dela frias e delicadas. “Eu vi o amor do pai de Elias por seu reino ser mais forte que o amor por mim. Tenho medo que Elias siga o mesmo caminho. Que você se torne apenas mais uma peça em seu jogo de poder, uma peça que ele um dia terá que sacrificar para proteger o seu trono.”

Sofia sentiu um nó se formar em sua garganta. As palavras de Isabella eram venenosas, plantando dúvidas onde antes havia certeza. O fantasma do passado, personificado por Isabella, parecia assombrar o presente, ameaçando destruir o futuro que ela tanto desejava construir com Elias. Ela olhou para Isabella, para seus olhos azuis cheios de uma tristeza que parecia real, e sentiu um medo gelado se espalhar por seu corpo. Teria Elias herdado não apenas o reino, mas também a capacidade de seu pai de sacrificar o amor em nome do dever?

Enquanto Isabella se afastava, deixando Sofia sozinha com seus pensamentos sombrios, o sol parecia perder seu brilho. O fantasma do passado havia se manifestado, e agora, Sofia sabia que a sombra que pairava sobre Elias era mais profunda e antiga do que ela imaginara. O amor que ela sentia era intenso, mas seria ele suficiente para competir com o peso de um reino e as cicatrizes de um passado que se recusava a morrer? A dúvida, uma semente plantada por Isabella, começava a germinar em seu coração, ameaçando sufocar as flores do amor que ela tanto se esforçava para cultivar.

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