Entre o Amor e o Ódio 193

Capítulo 10 — O Jogo de Viana e a Armadilha do Amor

por Isabela Santos

Capítulo 10 — O Jogo de Viana e a Armadilha do Amor

O ar na fazenda parecia mais denso, carregado de uma antecipação silenciosa. Aurora, munida das verdades descobertas nos documentos de seu avô e do apoio inabalável de Matias, sentia-se mais forte do que nunca. A confissão de Matias, o amor que ele declarava, e a descoberta do legado de injustiças cometido por Viana haviam solidificado sua determinação. No entanto, Viana, com sua astúcia habitual, não tardou a sentir a mudança no ar, a crescente resistência que emanava da fazenda.

Naquele dia, Viana apareceu na sede da fazenda sem aviso prévio, como um predador que fareja o cheiro do medo. Ele desceu de seu carro luxuoso, um sorriso arrogante estampado no rosto, observando Aurora e Clarice na varanda com um olhar que misturava desdém e cobiça.

“Aurora, minha querida”, disse ele, sua voz melosa e falsamente gentil. “Que surpresa agradável encontrá-la tão… radiante. Parece que as preocupações com a colheita não a têm abatido tanto assim.”

Aurora manteve a compostura, o coração batendo forte, mas sem demonstrar o tremor que sentia. “Sr. Viana. O que o traz à nossa humilde propriedade?”

Viana riu, um som seco e desagradável. “Humilde? De forma alguma. Sua família sempre teve um lugar de destaque nesta terra. E eu… eu sou apenas um amigo, um conselheiro, que se preocupa com o bem-estar de todos.” Ele olhou para Clarice, seus olhos brilhando com um lampejo de antigo ressentimento. “E com a tia Clarice, é claro. Sempre um prazer revê-la.”

Clarice respondeu com um aceno de cabeça frio, recusando-se a ser intimidada.

“Na verdade, Aurora”, continuou Viana, aproximando-se um pouco mais, “tenho notícias interessantes sobre o Sr. Matias. Ouvi dizer que ele tem se tornado um visitante frequente por aqui. Um homem de… passado obscuro, não é mesmo? Dizem que ele tem um interesse peculiar em assuntos que não lhe dizem respeito. Um homem que se envolve onde não é chamado, com métodos… questionáveis.”

Aurora sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Viana sabia. De alguma forma, ele sabia sobre Matias, sobre a conexão deles, e estava tentando usar isso contra ela.

“O Sr. Matias tem sido um cavalheiro, Sr. Viana”, respondeu Aurora, a voz firme. “Ao contrário de outros que se aproximam com intenções ocultas.”

O sorriso de Viana vacilou por um instante, substituído por uma carranca disfarçada. “Intenções ocultas? Que acusação grave, Aurora. Eu, que sempre tentei ajudá-la a manter esta fazenda à tona. Lembre-se das dívidas, minha cara. Dívidas que precisam ser pagas. E não me venha com histórias de amorzinho com forasteiros misteriosos para me deter.”

Ele estava jogando suas cartas sujas, tentando manipulá-la, usar as dívidas como arma. Mas Aurora já não era a mesma. A força que ela encontrou em si mesma, alimentada pelo amor de Matias e pela verdade de seu legado, a tornava imune às suas chantagens.

“As dívidas serão honradas, Sr. Viana”, disse Aurora, seus olhos fixos nos dele. “Mas à nossa maneira. E com a ajuda daqueles que realmente se importam com esta terra e com as pessoas que nela vivem.”

Viana a observou por um longo momento, seus olhos estreitos em desconfiança. Ele percebeu que a jovem Aurora que ele tentava intimidar anos atrás não existia mais. “Você se engana se pensa que pode me desafiar, Aurora. Eu controlo o destino desta fazenda. E se Matias ousar interferir, ele descobrirá que mexeu com a pessoa errada.”

Ele se virou e entrou em seu carro, partindo com a mesma arrogância com que chegou, deixando para trás um rastro de ameaças veladas. Aurora observou-o ir, sentindo uma mistura de raiva e determinação. Viana não desistiria facilmente.

Naquela noite, Matias veio ao encontro de Aurora. Ele a encontrou na biblioteca, revisando os documentos de seu avô, tentando traçar um plano contra Viana.

“Ele esteve aqui hoje”, disse Aurora, sua voz tensa.

Matias assentiu, seu semblante sério. “Eu soube. Ele está preocupado. E quando Viana está preocupado, ele se torna ainda mais perigoso.” Ele se aproximou dela, segurando suas mãos. “Aurora, eu sei que ele está tentando te assustar. Mas você não pode ceder. Seu amor por mim não é uma fraqueza, é uma força. É a prova de que Viana não pode controlar tudo.”

“Eu sei, Matias”, respondeu Aurora, apertando as mãos dele. “Mas ele mencionou seu nome. Ele sabe que você está envolvido. E eu não quero que você corra riscos por minha causa.”

Matias a puxou para perto, envolvendo-a em seus braços. “Eu estou correndo riscos por nós, Aurora. Por um futuro onde possamos viver sem o medo constante de Viana. E meu amor por você… ele me dá a coragem que eu preciso para enfrentá-lo.” Ele a olhou nos olhos, sua voz baixa e sincera. “Viana é astuto. Ele vai tentar usar qualquer coisa contra nós. Ele pode até tentar se aproximar de você de uma forma que pareça amigável, tentar te manipular com promessas falsas. Mas você precisa confiar em mim, Aurora. Confiar no que sentimos um pelo outro.”

Aurora assentiu, sentindo o calor de seus braços e a força de suas palavras. Mas uma dúvida persistia em sua mente. E se Viana estivesse certo? E se Matias, em sua busca por vingança, estivesse levando-a para um caminho sem volta? A possibilidade a assustava, mas o amor que sentia por ele a impelia a confiar.

Nos dias seguintes, Viana intensificou suas manobras. Ele começou a espalhar boatos na vila sobre a instabilidade financeira da fazenda, sobre a imprudência de Aurora em se envolver com um homem de passado duvidoso como Matias. Ele também fez uma visita a Clarice, oferecendo ajuda financeira em troca de… algo que ela se recusou a revelar a Aurora, apenas dizendo que era mais uma tentativa de Viana de controlá-la.

Certa tarde, Aurora recebeu um convite inesperado de Viana para um jantar formal em sua mansão. O convite dizia ser uma “reconciliação” e um desejo de “resolver as pendências de forma amigável”. Aurora desconfiou imediatamente. Era uma armadilha, ela sabia.

“Não vá, Aurora”, disse Matias, quando ela lhe contou sobre o convite. “É uma armadilha. Viana quer te isolar, te intimidar.”

“Mas se eu não for, ele vai usar isso contra mim, Matias. Vai dizer que estou evitando a conversa, que tenho algo a esconder. Preciso enfrentá-lo, mostrar que não tenho medo.”

Matias a segurou pelos ombros, seus olhos cheios de preocupação. “Eu não posso deixá-la ir sozinha. Eu irei com você.”

Aurora hesitou. A ideia de Matias enfrentar Viana cara a cara era arriscada. Viana era imprevisível e perigoso. Mas ela sabia que não poderia enfrentar Viana sem o apoio dele.

“Tudo bem”, disse ela. “Mas precisamos ter um plano. Não podemos cair na armadilha dele.”

Eles passaram horas planejando, traçando cada passo, cada palavra. Aurora sabia que o jantar seria um campo de batalha, onde Viana tentaria usar a manipulação e a pressão psicológica para desestabilizá-la. Ela precisava estar preparada para qualquer coisa. O amor que sentia por Matias era sua âncora, mas também a razão pela qual Viana a atacava. Era um jogo perigoso, onde o amor e o ódio se entrelaçavam, e Aurora sabia que a próxima jogada seria decisiva. Ela estava pronta para lutar por seu legado, por sua família e pelo amor que havia encontrado, mesmo que isso significasse caminhar diretamente para o covil do leão. A noite do jantar se aproximava, e com ela, a promessa de um confronto que poderia mudar tudo.

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