Entre o Amor e o Ódio 193

Capítulo 11

por Isabela Santos

Ah, que delícia mergulhar de volta nesse universo vibrante e cheio de reviravoltas! Com o coração a mil, preparo-me para desvendar os próximos capítulos desta saga que tanto amamos. Preparem os lenços, pois a emoção está prestes a transbordar!

Capítulo 11 — O Preço da Desilusão e o Despertar de um Sonho

O sol da manhã em Ipanema, de um azul tão intenso quanto as lágrimas que Clara ainda não derramara, espalhava-se pelas ruas, mas para ela, a luz parecia embaçada. A noite anterior havia se arrastado como uma eternidade, um labirinto de pensamentos tortuosos onde a imagem de Viana, em sua frieza calculista, se repetia incessantemente. Aquele beijo, que um dia fora promessa de paraíso, agora se tornara o selo de uma traição dolorosa. Clara sentia o corpo pesado, a alma em frangalhos. Cada lembrança de Viana, cada toque, cada promessa sussurrada, tudo parecia corrompido pela sombra do seu passado, pela sua manipulação.

Ela se levantou da cama com um gemido baixo, o corpo dolorido pela insônia e pela angústia. O apartamento, antes um refúgio de sonhos compartilhados, agora parecia um mausoléu de esperanças perdidas. Ao se olhar no espelho, viu uma Clara diferente. Os olhos, antes cheios de um brilho esperançoso, estavam agora marcados por olheiras profundas e um vazio que a assustava. A desilusão era um veneno lento, mas implacável, que corroía suas defesas, deixando-a exposta e vulnerável.

Na cozinha, o aroma do café recém-passado pairava no ar, um convite à normalidade que Clara sentia ser impossível alcançar. Ela preparou sua xícara com as mãos trêmulas, o silêncio da manhã amplificando o barulho do seu próprio coração acelerado. Cada gole era amargo, como o gosto da verdade que a atingira com a força de um soco. Viana era um jogo, e ela, a peça principal.

Foi nesse torpor de dor que o telefone tocou. Um toque insistente, quase agressivo, que a fez sobressaltar. Era o número de Mariana.

“Clara? Meu Deus, você está bem? Não te vi ontem à noite, fiquei preocupada.” A voz de Mariana vinha carregada de afeto genuíno, um bálsamo inesperado no deserto emocional de Clara.

“Mariana… eu…” Clara tentou falar, mas a voz embargou. As lágrimas, finalmente, começaram a rolar, quentes e pesadas, lavando um pouco da dor.

“Não precisa falar nada, meu amor. Eu te entendo. Eu sei que você está sofrendo.” Mariana, com sua intuição afiada, parecia ler a alma de Clara através do telefone. “Mas você precisa ser forte. Viana não merece suas lágrimas. Ele é um monstro, Clara. Um predador.”

As palavras de Mariana, embora duras, trouxeram um fio de clareza para a confusão de Clara. Sim, Viana era um monstro. Um monstro que ela, em sua ingenuidade, havia alimentado com seu amor e sua confiança. A raiva começou a se misturar à tristeza, uma força nova e instigante.

“Eu sei, Mari. Eu sei. Ele me usou. Ele me enganou.” A voz de Clara, antes um lamento, ganhava um tom de determinação crescente. “Mas eu não vou deixar que ele destrua tudo o que eu sou.”

Mariana suspirou aliviada. “É assim que eu gosto de te ouvir! Minha Clara, essa é a força que eu conheço. Você é uma mulher incrível, Clara. E você merece muito mais do que ele jamais poderá oferecer.”

Elas conversaram por mais um tempo, Mariana oferecendo palavras de conforto e apoio, ajudando Clara a reorganizar os fragmentos de sua vida. A conversa terminou com um plano: Clara iria até o apartamento de Mariana assim que se sentisse pronta.

Enquanto Clara se arrumava, ainda com a fragilidade de quem acabou de passar por uma tempestade, seu olhar recaiu sobre um pequeno caderno de desenho esquecido em cima da mesa. Era um dos primeiros presentes que Viana lhe dera, cheio de esboços que ela achava adoráveis na época. Agora, folheá-lo era como reviver uma farsa. Mas em uma das últimas páginas, entre os desenhos de Viana, havia um que ela não se lembrava de ter visto: um esboço detalhado de um vestido de noiva, com rendas delicadas e um véu esvoaçante. Era um desenho impressionante, com uma assinatura discreta no canto: "Clara M."

Um arrepio percorreu sua espinha. Ela sempre amara desenhar, mas havia anos que não pegava em um lápis com a mesma paixão. Era um talento adormecido, soterrado sob as expectativas alheias e a busca por um amor que se revelou ilusório. Naquele momento, algo mudou dentro dela. A dor da desilusão começou a dar lugar a um outro sentimento, um vislumbre de um futuro que não dependia de Viana, de um sonho que era unicamente seu.

Ela pegou o caderno e um lápis, e sentou-se à mesa. O primeiro traço foi hesitante, mas logo ganhou confiança. Ela começou a desenhar, não mais as fantasias de um amor idealizado, mas a personificação de sua própria força, de sua própria independência. As linhas fluíam com uma naturalidade surpreendente, como se o lápis tivesse memória própria. As formas começaram a se moldar, criando um design que era a sua cara: elegante, moderno, com um toque de ousadia.

Ao redor, o apartamento ainda ecoava a ausência de Viana, mas agora, em meio ao silêncio, Clara sentia a presença de um novo começo. A desilusão era um portal, e ela, com um lápis em mãos e um sonho renascido, estava pronta para atravessá-lo. O caminho seria árduo, sem dúvida, mas pela primeira vez em muito tempo, Clara sentia que estava no controle da sua própria história. O amor podia ter lhe trazido dor, mas o despertar do seu sonho era um presente que ninguém poderia tirar dela.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%