Entre o Amor e o Ódio 193

Capítulo 12 — O Refúgio de Mariana e a Semente da Vingança

por Isabela Santos

Capítulo 12 — O Refúgio de Mariana e a Semente da Vingança

O apartamento de Mariana, em Copacabana, era um contraste vibrante com a melancolia que pairava sobre Ipanema. Cheio de cores, arte e uma energia contagiante, o espaço irradiava a personalidade exuberante de sua dona. Plantas exuberantes adornavam cada canto, obras de arte vibrantes cobriam as paredes e móveis de design arrojado compunham um ambiente que era ao mesmo tempo elegante e acolhedor. Clara foi recebida com um abraço apertado e um sorriso radiante que, por si só, já era um remédio para a alma.

“Minha flor de Ipanema! Que bom te ver! Vem, entra, senta. Um cafezinho? Um suco? O que você quiser, eu tenho aqui.” Mariana a conduziu para a sala, onde a luz do sol entrava generosamente pela janela, banhando tudo em um brilho dourado.

Clara sentou-se no sofá macio, sentindo o alívio de estar em um lugar seguro, longe dos fantasmas de Viana. “Obrigada, Mari. Por tudo. Por me receber assim, sem perguntas…”

“Clara, você é minha amiga. A gente se apoia. E quanto a perguntas, elas virão no seu tempo. Por enquanto, é só descanso e um pouco de força nova, tá bem?” Mariana serviu um suco de maracujá fresco, com um toque de hortelã, e entregou a Clara. “Isso aqui é pra dar uma acalmada nos nervos. E olha, não se preocupa com ele. Viana é um jogo sujo, e você não merece participar. Ponto final.”

Enquanto bebiam o suco, Clara contou a Mariana sobre o caderno de desenhos, sobre a descoberta de sua própria arte adormecida. A empolgação em sua voz era palpável, um contraste gritante com o desespero que a consumira mais cedo.

“Eu não acredito! Clara, isso é maravilhoso! Eu sempre soube que você tinha um talento incrível, sempre falei isso pra você! Você tem que voltar a desenhar, tem que investir nisso!” Os olhos de Mariana brilhavam com a mesma intensidade que os de Clara agora. “E esse vestido de noiva? Uau! Você tem que criar sua própria coleção, sua própria marca! Imagina só, ‘Clara Mendonça – Alta Costura’! Seria um sucesso absoluto!”

As palavras de Mariana plantaram uma semente de esperança ainda mais forte no coração de Clara. A ideia de criar algo seu, algo que fosse um reflexo de sua própria identidade e talento, era sedutora. Uma marca própria, um nome no mundo da moda… Era um sonho audacioso, mas agora, alimentado pela ambição e pela necessidade de se reerguer, parecia mais real do que nunca.

“Eu não sei, Mari… É um sonho tão grande. Eu me sinto tão… fora de forma, sabe? Tantos anos sem praticar, sem acreditar em mim mesma.” Clara confessou, a insegurança voltando a dar as caras.

“Fora de forma? Clara, você nasceu com esse talento. Ele só estava adormecido. E agora, com tudo o que aconteceu, você tem a inspiração perfeita. A força de uma mulher que foi ferida, mas que vai ressurgir mais forte do que nunca. O seu primeiro desfile, a sua primeira coleção… vai ser dedicada a todas as mulheres que precisaram se reinventar depois de uma decepção amorosa.” Mariana gesticulava com entusiasmo, pintando um quadro inspirador. “Pensa nisso, Clara. Pensa em toda a dor que você está sentindo agora se transformando em arte. Em beleza. Em poder.”

A conversa continuou por horas, focada nos planos de Clara. Mariana, com sua vasta experiência no mundo dos negócios e sua visão aguçada, já estava traçando estratégias, sugerindo nomes para a marca, pensando em parcerias. Clara, por sua vez, absorvia cada palavra, sentindo a energia criativa de Mariana contagiá-la, reacendendo a chama que Viana tentara apagar.

No meio da tarde, quando a conversa se acalmou um pouco, Clara mudou de assunto. “E você, Mari? Como estão as coisas com o Viana? Ele… ele ainda te procura?”

Mariana fez uma careta. “Ah, o Viana. Ele é como uma erva daninha, Clara. Sempre volta. Mas eu não dou ouvidos. Desde que descobri o que ele fez com você, e com tantas outras, eu cortei relações. Fico de olho, é claro. Não quero que ele se aproxime de ninguém que eu me importo.” Seus olhos ganharam um brilho sombrio, a determinação de proteger os seus misturada a uma raiva contida. “E eu sei o que ele é capaz. Ele não se importa com ninguém. Só com ele mesmo.”

Clara sentiu um aperto no peito ao pensar na maldade de Viana, mas também sentiu uma onda de gratidão por Mariana, por sua lealdade inabalável. “Você acha que ele vai parar por aí? Com o que ele fez com a gente?”

Mariana ponderou por um momento. “Eu não sei, Clara. Viana é imprevisível. Mas eu tenho um pressentimento… ele não vai se contentar em sair ileso. Ele vai tentar de novo. Talvez não com você, talvez não comigo diretamente, mas ele vai tentar manipular mais alguém. E quando ele for pego, ele vai ser cruel.” Ela olhou para Clara com intensidade. “Por isso, nós precisamos estar atentas. E, se possível, preparadas.”

A menção de uma "vingança" ou de "preparo" não parecia algo do estilo de Clara, que sempre fora mais pacífica. Mas, ao ouvir Mariana falar, e lembrando-se da frieza nos olhos de Viana, uma pequena semente de algo diferente começou a germinar em seu coração. Não era exatamente vingança, mas uma necessidade de justiça. De ver Viana pagar pelo que fez.

“O que você quer dizer com preparadas, Mari?” Clara perguntou, a voz baixa.

Mariana deu um sorriso enigmático. “Bom, minha querida Clara, às vezes, a melhor forma de deter um predador é conhecer seus hábitos. E mostrar a ele que ele não é o único a jogar sujo.” Ela piscou para Clara, um gesto que era ao mesmo tempo brincalhão e ameaçador. “Temos informações, Clara. Informações que Viana não imagina que nós temos. E se ele ousar cruzar o nosso caminho novamente, nós estaremos prontas para mostrar a ele a força de uma mulher que decidiu parar de ser vítima.”

Clara sentiu um misto de apreensão e excitação. O mundo de Viana, antes visto como um labirinto de sedução e poder, agora se revelava como um terreno de batalha, e ela, juntamente com Mariana, estava prestes a entrar nele. A semente da vingança, plantada nos escombros de sua desilusão, começava a germinar, impulsionada pela necessidade de justiça e pela força inabalável de uma amizade verdadeira. O jogo de Viana poderia ter começado com a ilusão do amor, mas o seu fim, Clara sabia, seria ditado pela coragem e pela determinação de mulheres que se recusavam a serem pisoteadas.

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