Entre o Amor e o Ódio 193

Capítulo 17 — A Fúria Contida e o Pacto Silencioso

por Isabela Santos

Capítulo 17 — A Fúria Contida e o Pacto Silencioso

A fúria era um vulcão adormecido em Mariana, e o silêncio de Rafael era o fogo que a alimentava. Cada dia que passava sem uma resposta dele era como uma nova erupção, cada tentativa frustrada de contato uma rachadura mais profunda em sua esperança. Ela sabia que precisava de mais do que palavras para reconquistar a confiança dele, para desfazer o nó de mágoas que os separava. Precisava de provas, de ações que falassem mais alto que as mentiras de Laura.

O apartamento, outrora um refúgio de paz, agora era um campo de concentração de suas angústias. Os croquis da nova coleção, que antes inspiravam seu espírito criativo, agora pareciam zombar dela, cada traço uma lembrança daquela noite fatídica. Ela se via presa em um labirinto de emoções conflitantes: a raiva por ter sido enganada, a tristeza pela perda de Rafael, e um medo crescente do que Laura seria capaz de fazer.

Sofia e Carlos continuavam sendo seu apoio inabalável. Eram seus ouvidos atentos, seus ombros para chorar, seus braços que a impediam de sucumbir ao desespero. Mas Mariana sabia que eles não podiam carregar o peso de sua batalha. Esta era uma guerra que ela teria que travar sozinha, com as armas que lhe restavam: sua inteligência, sua resiliência, e uma determinação que começava a se cristalizar em sua alma.

“Mariana, você tem que sair daqui”, disse Sofia, a voz firme, mas cheia de carinho. “Ficar trancada aqui só vai te fazer mal. Precisamos pensar em um plano.”

“Um plano para quê, Sofia?”, Mariana respondeu, a voz rouca de tanto chorar. “Para provar a ele que eu não sou a vilã que ele pensa que sou? Como eu faço isso? Mentindo, assim como Laura fez?”

Carlos interveio, sentando-se à frente delas, o olhar sério. “Você não precisa mentir, Mariana. Você precisa mostrar a verdade. A verdade sobre o plano da Laura. E você precisa de provas.”

As palavras de Carlos acenderam uma faísca em Mariana. Provas. Era isso. O que Laura havia feito era um crime, uma manipulação cruel que tinha consequências devastadoras. Se Mariana pudesse expor a verdade sobre as intenções de Laura, talvez, apenas talvez, ela pudesse limpar seu próprio nome e, quem sabe, reconquistar um fragmento do que havia perdido com Rafael.

“Mas como? Laura é esperta. Ela não deixaria nada para trás”, Mariana ponderou, a mente começando a trabalhar em velocidade máxima.

“Precisamos pensar como ela pensa”, disse Carlos, os olhos brilhando com uma nova ideia. “Laura sempre foi calculista. Ela deve ter registrado algo, algum plano, alguma comunicação que comprove suas intenções.”

Sofia concordou. “E se a gente… a gente tentar entrar em contato com ela? Não para confrontar, mas para fazê-la se gabar. Talvez gravarmos uma conversa…”

Um arrepio percorreu a espinha de Mariana. Era arriscado. Perigoso. Mas a ideia de se esconder e esperar que tudo se resolvesse parecia ainda mais assustadora. Laura não pararia. Ela continuaria com seu plano, machucando mais pessoas, destruindo mais vidas. Mariana sentia um dever, uma responsabilidade, de detê-la.

“Eu posso tentar”, Mariana decidiu, a voz ganhando uma firmeza que não sentia há dias. “Eu posso tentar falar com ela. Mas não podemos ser descobertos. Se ela desconfiar, tudo estará perdido.”

Os dias seguintes foram de uma tensão palpável. Mariana começou a ensaiar possíveis conversas, a pensar em estratégias para extrair informações de Laura sem levantar suspeitas. Ela se concentrou em um único objetivo: obter provas concretas da sabotagem de Laura. Ela sabia que Rafael nunca a perdoaria se ela não fizesse isso. A dúvida que o assombrava, a incerteza sobre quem ela realmente era, precisava ser dissipada com a verdade.

Ela decidiu usar a única coisa que ainda a ligava ao passado de sua irmã: as memórias de infância, a fachada de uma reconciliação forçada. Mariana enviou uma mensagem para Laura, uma mensagem aparentemente inocente, cheia de um falso remorso e um desejo de paz.

“Laura, sei que as coisas estão ruins entre nós. Eu sinto muito por tudo. Gostaria de poder voltar atrás. Talvez pudéssemos conversar, tomar um café, como antigamente?”

A resposta de Laura veio rápida, quase imediata, com um tom de falsa surpresa e um convite para um encontro em um café discreto, um lugar que elas frequentavam quando eram adolescentes, um lugar que parecia ter sido escolhido a dedo para evocar um passado que Mariana sabia ser uma ilusão.

Na hora marcada, Mariana chegou ao café, o coração batendo descompassado. Laura já estava sentada em uma mesa no canto, com um sorriso doce e uma aura de inocência que contrastava com a frieza que Mariana conhecia. A tensão era palpável, mas Mariana se forçou a manter a calma, a sorrir de volta, a fingir que tudo estava bem.

“Mariana! Que bom te ver!”, exclamou Laura, abraçando-a com uma falsa afetuosidade. “Confesso que fiquei surpresa com sua mensagem. Pensei que você me odiasse para sempre.”

“Eu não posso te odiar, Laura. Você é minha irmã”, Mariana disse, escolhendo as palavras com cuidado. “E eu sinto que nos afastamos demais. Eu quero entender o que aconteceu.”

O olhar de Laura suavizou, e ela se sentou, convidando Mariana a fazer o mesmo. “Eu também me afastei, Mariana. Mas o que aconteceu… foi tudo culpa sua, você sabe. Você sempre foi a favorita, a que tinha tudo.”

As palavras de Laura eram veneno disfarçado de confissão, mas Mariana as engoliu, mantendo a fachada. “Eu sei que você se sentiu assim. E eu sinto muito por isso. Mas eu nunca quis te magoar. Eu só queria ser feliz.”

Laura sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “E você foi, não foi? Conseguiu o que sempre quis. Conquistou o Rafael, a fama, o sucesso. Eu só… eu só queria um pouco disso também.”

O tom de Laura mudou, uma sombra de malícia se insinuando em sua voz. Mariana sentiu que estava no caminho certo. Ela precisava fazê-la falar mais, confessar seus planos.

“Eu sei que você está chateada, Laura. Mas o que você fez… aquilo no evento… Foi longe demais. Rafael está devastado.” Mariana tentou soar o mais genuína possível, transmitindo a gravidade da situação.

Laura riu, um som baixo e sarcástico. “Devastado? Ele mereceu. Ele e a família dele. Eles me tiraram tudo quando eu era criança. E eu vou tirar tudo deles agora. E de você também, Mariana. Você pensou que eu estava apenas me vingando deles? Que tola.”

Mariana sentiu um frio percorrer sua espinha. A confissão de Laura era mais sombria do que ela imaginava. A vingança não era apenas contra Rafael e sua família, mas contra ela também.

“Você… você quer me prejudicar também?”, Mariana perguntou, a voz tremendo de medo e indignação.

“Você foi a porta para tudo isso, querida irmã”, Laura respondeu, inclinando-se para frente, os olhos fixos nos de Mariana. “Você me apresentou a ele, me deu acesso. E agora, quando ele descobrir quem você realmente é, quando o império dele desmoronar, você também vai cair. Você vai cair comigo, Mariana. E eu vou assistir a tudo isso com um sorriso no rosto.”

O pacto silencioso havia sido selado. Não um pacto de amor, mas um pacto de destruição mútua, imposto pela vilania de Laura. Mariana sabia que estava em uma situação perigosa, mas naquele momento, uma determinação férrea se apoderou dela. Ela não seria uma vítima. Ela lutaria. Ela não apenas se defenderia, mas também exporia Laura, por mais perigoso que fosse. A vingança de Laura seria confrontada, não com mais ódio, mas com a força implacável da verdade.

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