Entre o Amor e o Ódio 193

Capítulo 7 — Sussurros da Verdade e Sombras do Passado

por Isabela Santos

Capítulo 7 — Sussurros da Verdade e Sombras do Passado

A noite caiu sobre a fazenda, trazendo consigo o perfume adocicado das flores noturnas e o canto insistente dos grilos. Aurora, incapaz de conciliar o sono, sentou-se à janela de seu quarto, observando a lua cheia que banhava a paisagem em um brilho prateado. Seus pensamentos giravam incessantemente em torno de Matias. Cada palavra trocada, cada olhar trocado, cada toque acidental parecia gravado em sua memória com uma intensidade perturbadora. Havia algo em sua presença que a atraía e a assustava ao mesmo tempo. Era a força bruta contida, a inteligência afiada por trás de seus olhos penetrantes, ou a vulnerabilidade que ela, por vezes, vislumbrava em um breve momento de distração?

Ela se perguntava sobre seu passado. Quem era realmente o Sr. Matias? De onde ele viera? Por que ele se interessava tanto pela história de sua família, em particular pela situação delicada com Viana? As perguntas pairavam no ar como fumaça, sem respostas claras. A tia Clarice havia a alertado sobre os perigos, mas também deixara um rastro de curiosidade, como se soubesse mais do que dizia.

De repente, um vulto escuro cruzou o jardim. Aurora prendeu a respiração. Seria ele? A tentação de descer, de ir ao seu encontro, era quase insuportável. Mas a prudência, a educação rigorosa, a impediam. Ela não era uma moça impulsiva, a filha de uma família tradicional. No entanto, o coração, essa entidade traiçoeira, parecia ter outras ideias.

Na manhã seguinte, o sol raiou com a promessa de um novo dia, mas também com a notícia de um acontecimento que abalaria os alicerces da tranquilidade da fazenda. Um dos empregados mais antigos, o Sr. Benedito, um homem leal e discreto, fora encontrado em seu quarto, pálido e febril, balbuciando palavras desconexas sobre ameaças e cobranças. Aurora, ao saber da notícia, sentiu um aperto no peito. Benedito sempre fora um homem forte, de poucas palavras, mas de grande caráter. Vê-lo assim, debilitado e amedrontado, só aumentava sua desconfiança em relação a Viana e a seus métodos.

Ela correu para o quarto de Benedito, encontrando Clarice ao lado de sua cama, aplicando compressas frias em sua testa. O cheiro de ervas medicinais pairava no ar.

“O que aconteceu, tia?”, perguntou Aurora, a voz tensa.

Clarice levantou o olhar, seus olhos expressando preocupação. “Ele não está bem, Aurora. Diz que recebeu uma visita indesejada durante a noite. Alguém que o ameaçou por causa de… dívidas antigas.”

A palavra “dívidas” ecoou na mente de Aurora como um sino fúnebre. As dívidas que Viana usava como pretexto para controlar sua família. “Dívidas antigas? De quem ele está falando, tia?”

Benedito, em meio a sua febre, murmurou um nome entre dentes: “Viana… Viana… e um homem… alto… com um olhar frio…”

Aurora sentiu o sangue gelar. Ela sabia que Viana não agiria sozinho. Ele era um manipulador, um homem que usava outros para atingir seus objetivos. Mas quem seria esse homem com o olhar frio? A descrição parecia tão vaga, tão genérica, e ainda assim, um calafrio percorreu sua espinha. Poderia ser Matias? A ideia a fez hesitar. Não, não podia ser. Matias lhe demonstrara apenas gentileza. Seria possível que ela estivesse sendo enganada, que a atração que sentia fosse apenas um truque, uma armadilha?

Clarice pareceu ler seus pensamentos. “Não se apresse em julgamentos, Aurora. O Sr. Benedito está delirando. Mas é preocupante que ele mencione Viana e alguém mais. Precisamos descobrir o que está acontecendo nos bastidores.”

Naquele mesmo dia, enquanto acompanhava a ordenha das vacas, Aurora viu Matias cavalgar em direção à sede da fazenda. Seu coração acelerou. Era a oportunidade perfeita para confrontá-lo, ou pelo menos, para tentar entender suas intenções. Ela se aproximou dele, a dignidade em seus passos contrastando com a turbulência em seu interior.

“Sr. Matias”, ela cumprimentou, a voz firme, mas com um toque de hesitação.

Ele desmontou, seus olhos encontrando os dela. Havia uma intensidade neles que a desarmava. “Sra. Aurora. Que bom vê-la. Espero que a saúde do Sr. Benedito esteja melhorando.”

Aurora piscou, surpresa pela menção. “Como o senhor soube?”

Um leve sorriso brincou nos lábios de Matias. “Soube por acaso. Ouvi alguns comentários na vila. E eu me importo com o bem-estar das pessoas desta terra. E, especialmente, com o seu.”

A confissão, tão direta, a deixou sem palavras. Havia algo genuíno em seu tom, uma sinceridade que desarmava sua desconfiança. Mas, então, a imagem do homem de “olhar frio” surgiu em sua mente. Ela precisava ter certeza.

“Sr. Matias, o Sr. Benedito mencionou um homem alto, com um olhar frio, que o ameaçou em nome de Viana. O senhor… o senhor conhece alguém assim?” A pergunta saiu de seus lábios antes que ela pudesse contê-la.

Matias a observou por um momento, seus olhos sondando os dela. Uma sombra pareceu cruzar seu rosto, um lampejo de algo que ele rapidamente disfarçou. “Viana tem muitos capangas, Sra. Aurora. Pessoas que se prestam a fazer seu trabalho sujo. Eu não conheço todos, mas sei que ele usa de intimidação para manter as pessoas sob controle.” Ele fez uma pausa, seu olhar se tornando mais sério. “E é exatamente por isso que você precisa ter cuidado. Viana não hesitará em usar a violência para conseguir o que quer.”

“E o senhor? Qual é o seu interesse em Viana? Por que o senhor parece tão… informado sobre seus métodos?” A desconfiança voltou a assombrá-la. A maneira como ele falava parecia quase pessoal, como se ele tivesse uma história com Viana.

Matias deu um passo em sua direção, e Aurora sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ele baixou a voz, tornando-a rouca e íntima. “Digamos que eu tenho um interesse especial em ver Viana pagar por seus crimes. E você, Sra. Aurora, está no centro de tudo isso. Seu destino e o meu estão, de certa forma, entrelaçados por essa questão.”

O que ele quis dizer com isso? O coração de Aurora disparou. As palavras dele eram enigmáticas, cheias de promessas e ameaças veladas. Ela sentiu uma mistura avassaladora de medo e atração. Matias era um enigma envolto em mistério, uma sombra que pairava sobre a fazenda, mas que também parecia ser a única esperança contra a escuridão de Viana. Ela sabia que estava se aproximando perigosamente de um abismo, mas a atração era forte demais para resistir. A verdade, ela percebeu, estava escondida nas sombras, e ela precisava descobrir quem era o homem por trás do mistério, mesmo que isso a levasse para o caminho mais perigoso.

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