Cap. 13 / 25

Alma Gêmea 194

Capítulo 13 — Sussurros no Porto e a Fúria de um Amor Protegido

por Valentina Oliveira

Capítulo 13 — Sussurros no Porto e a Fúria de um Amor Protegido

A noite caía sobre o Rio de Janeiro com sua habitual e dramática beleza. As luzes da cidade começavam a acender, pontilhando a escuridão como um mar de estrelas artificiais. Para Sofia, no entanto, a beleza da paisagem era ofuscada pela crescente inquietação em seu coração. A conversa com Helena e a revelação sobre Victor Valente haviam acendido um alerta vermelho em sua mente. Ela se sentia vigiada, como um animal em um cercado, com predadores à espreita.

Naquela noite, em vez de ir para casa, Sofia decidiu seguir a próxima pista que Helena havia lhe dado. A pista apontava para um antigo galpão no Porto do Rio, um lugar que Arthur usara como fachada para alguns de seus negócios mais discretos no passado. Helena havia lhe entregue um mapa antigo, com marcações a lápis que só ela e Arthur entenderiam.

"Seu pai era um homem de métodos incomuns, Sofia", Helena dissera, com um tom de advertência. "Ele não deixaria pistas fáceis. Este local, no Porto, é um desses lugares. É um ponto de encontro, um lugar de trocas… mas não necessariamente de bens lícitos."

Sofia sentiu um arrepio. A ideia de ir a um lugar como aquele, sozinha, à noite, era assustadora. Mas a necessidade de desvendar os segredos de seu pai a impulsionava. Ela sabia que Gabriel não a deixaria ir sozinha.

"Eu vou com você", Gabriel disse, com a voz firme, quando ela lhe contou sobre seus planos. Seus olhos transbordavam preocupação, mas também uma determinação inabalável. "Eu não posso te deixar enfrentar isso sozinha. Não sou um herói de ação, Sofia, mas sou seu companheiro. E estarei ao seu lado, custe o que custar."

Sofia tentou argumentar, a preocupação com a segurança dele a dominando. "Gabriel, é perigoso. Eu não quero que você se machuque por minha causa."

"O único dano que eu sofreria seria não estar com você quando você mais precisa", ele respondeu, puxando-a para um abraço apertado. "Não se preocupe comigo. Preocupe-se em descobrir o que seu pai deixou para você. Eu cuidarei do resto."

A jornada até o Porto foi tensa. A cidade parecia diferente à noite, mais sombria, com sombras dançando nas esquinas. Ao chegarem ao galpão indicado no mapa, o lugar parecia abandonado, uma carcaça enferrujada de um passado industrial. O cheiro de maresia e de metal corroído pairava no ar.

"Parece que ninguém vem aqui há anos", murmurou Gabriel, olhando ao redor com desconfiança.

"Meu pai disse que haveria uma marca", Sofia respondeu, consultando o mapa. "Um símbolo que ele usava para identificar seus esconderijos. Ele me disse que estaria… escondido à vista."

Eles vasculharam o local. O silêncio era opressor, quebrado apenas pelo som distante das ondas e o rangido de metal ao vento. Sofia sentiu uma pontada de desânimo. Será que tudo aquilo era uma pista falsa?

Foi então que Gabriel notou algo. Em uma das vigas de metal, quase imperceptível, havia um pequeno arranhão, formando um símbolo familiar: um círculo com uma linha atravessada. Era o símbolo que Arthur usava em seus cadernos de anotações mais pessoais.

"Aqui, Sofia!", ele chamou, a voz baixa. "É o símbolo do seu pai."

Seguindo a indicação, eles encontraram, escondida atrás de uma pilha de caixas empoeiradas, uma porta metálica antiga. A chave que Sofia encontrara no ateliê de Mário se encaixou perfeitamente na fechadura. Com um clique metálico, a porta se abriu, revelando um pequeno cômodo escuro e empoeirado.

Dentro, havia uma mesa, uma cadeira e um cofre antigo. O cofre era grande e imponente, e não parecia haver nenhuma fenda para uma chave. Sofia sentiu uma pontada de decepção.

"A chave não serve aqui", disse Gabriel, examinando o cofre.

"Espere", Sofia disse, lembrando-se de algo que Helena havia mencionado. Arthur gostava de esconder seus segredos em lugares inesperados. Ela olhou ao redor do cômodo, seus olhos varrendo cada detalhe. E então, ela viu. Em uma das paredes, um quadro antigo, retratando uma cena marítima. Atrás do quadro, havia um pequeno painel de metal com um encaixe. Era ali que a chave deveria ir.

Com as mãos trêmulas, Sofia inseriu a chave no painel. Um mecanismo interno se ativou, e um bipe suave ecoou no silêncio. O cofre abriu-se com um rangido lento, revelando seu interior.

Lá dentro, não havia ouro ou joias. Havia pilhas de documentos, disquetes antigos, e um pequeno caderno de capa de couro. Sofia pegou o caderno. Era o diário de Arthur. Ela abriu em uma página aleatória.

"12 de Março de 1998. O trabalho com Valente está se tornando insustentável. Ele é mais perigoso do que imaginei. Preciso encontrar uma maneira de neutralizá-lo, mas sem expor Sofia a nenhum risco. O legado que estou construindo para ela não pode ser manchado pela escuridão que me cerca. Preciso protegê-la, mesmo que isso signifique me afastar. A verdade virá à tona, um dia. E quando vier, ela será a chave para um futuro mais justo."

Lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Sofia. Arthur havia se sacrificado, se isolado, para protegê-la. A profundidade de seu amor era avassaladora.

De repente, um som de passos ecoou do lado de fora. Pessoas estavam se aproximando.

"Temos companhia", Gabriel sussurrou, pondo-se em posição de defesa.

A porta do galpão se abriu com estrondo. Seis homens corpulentos, liderados por Montezuma, invadiram o local. Seus olhos estavam fixos em Sofia e no conteúdo do cofre.

"A moça Montenegro", disse Montezuma, com um sorriso cruel. "O Sr. Valente manda lembranças. E quer saber o que você encontrou aqui. Entregue tudo, e talvez você saia daqui sem um arranhão."

Gabriel se colocou à frente de Sofia, protegendo-a. "Ela não vai entregar nada. E vocês não vão machucá-la."

Montezuma riu. "Um artista defendendo sua amada. Que cena romântica. Mas isso não nos intimida."

O confronto era inevitável. Gabriel, apesar de não ser um lutador experiente, usou sua agilidade e o ambiente a seu favor. Ele derrubou caixas, empurrou um dos homens contra uma parede, criando uma distração. Sofia, aproveitando a confusão, pegou um dos disquetes do cofre e o guardou em sua bolsa.

Montezuma, furioso com a resistência, avançou em direção a Gabriel. A luta era desigual, mas Gabriel lutava com a fúria de um leão protegendo sua companheira. Sofia, vendo Gabriel em perigo, sentiu uma onda de adrenalina percorrer seu corpo. Ela não podia ser apenas uma vítima.

"Gabriel!", ela gritou, correndo para pegar um pedaço de metal que estava no chão. Ela o brandiu com toda a sua força contra um dos homens que se aproximava dela. O impacto foi forte, e o homem cambaleou, dando a Sofia a chance de fugir.

"Vamos, Gabriel!", ela gritou, estendendo a mão para ele.

Montezuma, vendo que estava perdendo o controle da situação, ordenou: "Peguem a garota! Não deixem que ela escape!"

Gabriel e Sofia correram para fora do galpão, enquanto os homens de Valente os perseguiam. A noite escura se tornou seu aliado. Eles se embrenharam pelas ruas labirínticas do Porto, o som dos passos de seus perseguidores ecoando atrás deles.

No meio da corrida desesperada, Sofia sentiu a mão de Gabriel segurando a dela com força. "Não se preocupe, Sofia", ele ofegou. "Nós vamos sair dessa. Juntos."

O amor deles, testado em meio à violência e ao perigo, se solidificava. A fúria de Gabriel em protegê-la era palpável, um testemunho do poder de seu amor. Eles haviam escapado por pouco, mas Sofia sabia que isso era apenas o começo. Victor Valente não desistiria tão facilmente. A verdade sobre Arthur estava começando a emergir, e com ela, um perigo iminente que ameaçava engolir a todos eles.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%