Amar foi meu Erro 196

Amar Foi Meu Erro 196

por Ana Clara Ferreira

Amar Foi Meu Erro 196

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 16 — A Tempestade que Separa Almas

O céu de Ipanema, outrora um azul vibrante e promissor, transformara-se em um manto cinzento e ameaçador. As nuvens pesadas pairavam sobre a cidade, prenunciando a tempestade que há muito parecia iminente em todos os corações. No terraço do apartamento de Laura, o vento uivava, revolvendo os cabelos escuros da moça em um frenesi que espelhava a turbulência em sua alma. Ela observava o mar revolto, as ondas quebrando com violência contra as pedras, cada uma delas um eco da dor que a consumia.

A carta de Miguel ainda estava em suas mãos, as palavras outrora tão doces agora pareciam veneno a corroer seus pensamentos. "Não posso mais. Preciso de espaço. Preciso de mim." A frieza daquelas frases era um golpe cruel, uma ducha de água gelada em um amor que ela julgava inabalável. Será que ele não via? Não sentia? A intensidade do que compartilhavam, as promessas sussurradas sob o luar, os olhares que diziam mais que mil palavras? Como ele podia simplesmente desistir, apagar tudo com uma assinatura?

Um arrepio percorreu sua espinha, não apenas pelo frio que o vento trazia, mas pela solidão que a envolvia. Ela se sentia naufragada em um oceano de incertezas, sem um porto seguro para ancorar. A imagem de Miguel, seu sorriso torto, o jeito que seus olhos brilhavam quando falava sobre seus sonhos, tudo isso a assombrava. O que a havia levado a esse ponto? Onde a linha tênue entre o amor e a obsessão se rompera?

“Laura?”, a voz de sua mãe, Dona Helena, soou suavemente, vinda da porta que dava para a sala. A mulher entrou no terraço, um xale de lã sobre os ombros, os olhos cheios de preocupação. Ela sabia. Laura não precisava dizer nada. A tristeza no rosto da filha era um livro aberto para quem a conhecia bem.

Laura virou-se, os olhos marejados, mas a teimosia a impedia de desabar. “Mãe”, sua voz era rouca.

Dona Helena aproximou-se, abraçando a filha com ternura. “Meu amor, o que aconteceu?”

“Ele… ele se foi, mãe”, Laura murmurou, as lágrimas finalmente transbordando, rolando quentes por seu rosto. “Miguel… ele não me quer mais.”

O abraço de Dona Helena apertou, um refúgio seguro em meio à tempestade. “Não diga isso, minha filha. As coisas se ajeitam. Vocês são jovens, se amam…”

“Amam? Ele ama, mãe?”, Laura se afastou, a voz carregada de desespero. “Como se ama alguém e se escreve algo assim? Como se apaga anos de nós em um pedaço de papel?” Ela mostrou a carta, o papel branco em contraste com a escuridão que a envolvia.

Dona Helena pegou a carta, lendo as palavras cruas. Um suspiro escapou de seus lábios. “Miguel sempre foi um homem de atitudes impulsivas, Laura. Talvez ele esteja confuso, assustado…”

“Assustado com o quê, mãe? Com o nosso amor? Com a nossa vida juntos?”, Laura riu, um som amargo e sem alegria. “Eu dei tudo a ele. Meu tempo, meu coração, minha alma. E ele joga tudo fora porque precisa de ‘espaço’?” As palavras saíram com uma raiva contida, uma fúria que queimava por dentro.

“Talvez ele precise de um tempo para pensar, para entender o que realmente quer”, Dona Helena tentou consolar, acariciando o rosto da filha. “Mas isso não significa que ele não te ame. O amor nem sempre é um caminho reto, filha. Há curvas, desvios…”

“E por que eu tenho que ser a única a sofrer os desvios?”, Laura questionou, a voz embargada. “Eu o amo tanto, mãe. Amo mais que a minha própria vida. E ele me destrói assim? De repente?” A chuva começou a cair com mais intensidade, acompanhando o choro contido de Laura. Cada gota parecia um lamento pela perda, pela dor que a dilacerava.

Ela pensou em tudo que havia investido em Miguel. As renúncias, os sacrifícios, as noites em claro pensando nele, as brigas que ela havia evitado por ele, as vezes que engoliu o orgulho para fazê-lo feliz. E agora, ele a descartava como se fosse um objeto sem valor?

“Eu não entendo”, ela sussurrou, olhando para o céu escuro. “Eu fiz tudo certo. Fui a namorada perfeita. A mulher que ele sempre sonhou ter. O que mais eu poderia ter feito?”

Dona Helena a abraçou novamente, sentindo a dor da filha como se fosse sua. “Nenhum de nós pode controlar o coração do outro, Laura. O que podemos fazer é controlar o nosso. E o seu coração, minha filha, é forte. Ele vai superar isso.”

“Superar? Como?”, Laura perguntou, o desespero tomando conta de sua voz. “Ele é meu mundo, mãe. Eu respiro ele.”

“E você vai aprender a respirar sem ele”, Dona Helena disse com firmeza, embora seus olhos traíssem a angústia. “Você é forte, Laura. Mais forte do que imagina. E agora, a tempestade lá fora é apenas uma metáfora para a tempestade que você sente aqui dentro. Mas lembre-se, após toda tempestade, o sol sempre volta a brilhar. Talvez demore, talvez a paisagem mude, mas ele volta.”

Laura encostou a cabeça no ombro da mãe, sentindo o calor e a segurança que emanavam dela. Mas a tempestade dentro dela era implacável, rugindo com a força de um furacão. Ela sentia que seu mundo desabara, que as fundações de sua felicidade haviam sido arrancadas.

Olhou novamente para a carta, as palavras frias e calculadas. Havia algo ali que ela não estava vendo? Uma razão mais profunda para a partida de Miguel? Ou seria tudo apenas uma desculpa esfarrapada para se livrar dela? A incerteza era um veneno cruel.

Ela se lembrou da última vez que o viu. O beijo apressado, a promessa de ligar mais tarde, o sorriso que, agora, ela percebia, era um pouco forçado. Na época, ela não havia notado, tão cega estava pela paixão.

A chuva caía torrencialmente, batendo contra as janelas do apartamento, como se o próprio céu chorasse junto com ela. Laura se sentia afogada em sua própria dor, perdida em um mar de desilusão. Miguel, o homem que prometera amá-la para sempre, havia se tornado o centro de seu tormento. E agora, em meio à tempestade, ela teria que encontrar forças para não ser arrastada pela correnteza de sua própria tristeza. A noite era longa, e a escuridão do céu refletia a escuridão em sua alma.

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