Amar foi meu Erro 196

Capítulo 22 — O Labirinto de Verdades Ocultas

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 22 — O Labirinto de Verdades Ocultas

O ar na sala de estar de Isabella ficou pesado, carregado pela tensão palpável entre Tiago e Lucas. O silêncio que se seguiu à chegada de Tiago era mais eloquente do que qualquer grito, um prenúncio de tempestade. Isabella, paralisada entre os dois homens, sentia o coração disparar em seu peito, um tambor frenético anunciando a iminente colisão.

Tiago deu um passo à frente, sua presença exalando uma força protetora que, pela primeira vez, não era apenas a de um amigo preocupado, mas a de um pai que descobria a filha. Seus olhos, antes repletos de uma ternura recém-descoberta, agora ardiam com uma fúria contida em direção a Lucas.

"O que você pensa que está fazendo aqui, Lucas?" A voz de Tiago era um rosnado baixo, perigoso.

Lucas riu, um som seco e desprovido de qualquer humor. "Ora, Tiago, o que mais eu faria senão vir ver a minha noiva? Ou você acha que ela escolheria se afogar em suas lágrimas de desespero, depois que a realidade a atingisse?"

A menção a "noiva" fez Isabella estremecer. Por anos, ela se viu presa a um futuro com Lucas, um futuro que agora parecia uma armadilha. A ideia de que ele a considerava sua, de que a via como um prêmio a ser conquistado ou mantido à força, a enojava.

"Ela não é sua, Lucas. E você sabe disso." Tiago deu outro passo, posicionando-se entre Lucas e Isabella, um escudo humano.

"Ah, mas ela se casaria comigo. E você, meu caro Tiago, é apenas um fantasma do passado. Um erro que deveria ter sido esquecido." Lucas sorriu de forma condescendente, mas seus olhos traíam uma pontada de insegurança.

Isabella sentiu uma onda de raiva percorrer suas veias. "Um erro? Você fala de erros, Lucas? Você, que me escondeu a verdade sobre meu pai por anos? Que me manipulou, me afastou dele, tudo para manter o controle?" Sua voz, embora embargada pela emoção, soava firme.

Lucas virou-se para ela, o semblante mudando de arrogância para uma fúria fria. "Você não sabe o que está falando, Isabella. Eu te protegi de um homem que te abandonaria, que nunca seria capaz de te dar o que você merece."

"E quem te deu o direito de decidir isso por mim?" Isabella deu um passo à frente, confrontando-o diretamente. "Eu o amei, Lucas. Eu acreditei em você. E você me traiu. Você me roubou o direito de conhecer meu próprio pai."

Tiago observava a cena, o coração apertado. Ver Isabella confrontando Lucas com tanta força o enchia de orgulho, mas a dor em sua voz o feria profundamente. Ele sabia que aquele momento era o ponto de virada, o fim de uma ilusão que havia durado anos.

"Você está enganada, Isabella. Eu fiz tudo por amor. Um amor que você, com sua ingratidão, parece não ser capaz de compreender." Lucas tentava desesperadamente resgatar a imagem do homem arrependido, mas a máscara havia caído demais.

"Amor? O seu 'amor' era posse, Lucas. E eu não sou um objeto para ser possuído." Isabella sentiu as lágrimas marejarem seus olhos, mas não permitiu que caíssem. Ela não daria a ele a satisfação de vê-la desmoronar.

Tiago colocou a mão suavemente no ombro de Isabella, um gesto de apoio silencioso. "Ela está certa, Lucas. Você a aprisionou. Mas agora ela está livre para escolher seu próprio caminho."

Lucas riu novamente, um som amargo. "Livre? E para onde ela iria? Para os braços de um homem que ela mal conhece, que carrega o peso de um passado obscuro?" Ele lançou um olhar penetrante para Tiago. "Você acha que ela está segura com você, Tiago? Você, que teve que esconder a verdade por tantos anos?"

A menção ao "passado obscuro" e ao "esconder a verdade" fez Isabella erguer os olhos para Tiago. Uma pergunta pairava no ar, uma incerteza que a assustava. Ela sentiu a necessidade de entender o que Lucas estava insinuando, qual era o verdadeiro peso dos segredos de Tiago.

Tiago suspirou, seus ombros cedendo ligeiramente. Ele sabia que a verdade, por mais dolorosa que fosse, precisava vir à tona. "Lucas está certo em uma coisa, Isabella. Há segredos. Segredos que eu guardei por muito tempo, na esperança de te proteger."

Lucas sorriu, triunfante. "Viu? Eu disse. E você acha que ela quer ouvir tudo isso? Você acha que ela quer saber as verdadeiras razões pelas quais sua mãe e eu a afastamos de você?"

"Isabella," Tiago começou, sua voz ganhando uma gravidade que prendia a atenção dela, "eu não a afastei de você por não te amar. Eu a afastei porque temia por você. Havia pessoas perigosas envolvidas na minha vida naquela época, pessoas que poderiam ter te machucado. Sua mãe, em sua infinita sabedoria e amor, tomou a decisão mais difícil: nos afastar, para te manter segura."

Isabella olhou de Tiago para Lucas, tentando processar as novas informações. A narrativa de Lucas, de um pai abandonador, estava desmoronando, sendo substituída por uma história de proteção e sacrifício. Mas as palavras de Lucas ainda ecoavam em sua mente, sobre o "passado obscuro".

"Proteção? Ou conveniência?" Isabella questionou, a voz ainda incerta. "Por que sua mãe nunca me contou nada? Por que ela me deixou acreditar que o senhor Almeida era meu pai, se a intenção era me proteger?"

"Sua mãe acreditava que o melhor para você era uma vida normal, longe das minhas complicações", explicou Tiago, o olhar tingido de tristeza. "Ela era uma mulher forte, mas também pragmática. Ela viu em João Almeida um homem bom, capaz de te dar a estabilidade que eu não podia oferecer na época. E quanto a Lucas..." Ele hesitou, olhando para Lucas com desprezo. "Lucas sempre soube. Ele usou a minha ausência e o silêncio da sua mãe a favor dele, te manipulando para que você dependesse dele."

Lucas deu um passo para frente, com a raiva estampada no rosto. "Isso é um monte de mentiras! Eu te amo, Isabella! E eu nunca teria permitido que você se envolvesse com alguém como ele!"

"Alguém como eu?" Tiago retrucou, a calma superficial começando a rachar. "Eu sou o homem que a ama incondicionalmente, Lucas. Eu sou o pai dela. Algo que você, com toda a sua possessividade, nunca será."

A troca de acusações e verdades fragmentadas deixou Isabella tonta. O labirinto de suas emoções estava se tornando cada vez mais complexo. A inocência de sua infância parecia um sonho distante, substituída por uma realidade sombria e cheia de segredos.

"Eu preciso de tempo", Isabella sussurrou, a voz embargada. Ela olhou para Tiago, para o homem que revelara ser seu pai, o homem que a amara em silêncio. Em seus olhos, ela viu uma profundidade de emoção que a fez sentir uma conexão inegável. E olhou para Lucas, para o homem que ela pensara amar, e viu apenas a máscara vazia de um manipulador.

"Eu não vou te dar tempo, Isabella", Lucas declarou, sua voz voltando a ser fria e ameaçadora. "Você é minha. E você não vai a lugar nenhum."

Tiago deu um passo à frente, sua mão pousando firmemente no braço de Isabella. "Ela não é sua, Lucas. E você não vai mais controlá-la."

O confronto estava iminente. As verdades ocultas, os segredos desenterrados, tudo culminava em um momento de decisão. Isabella sabia que precisava escolher seu caminho, não mais guiada pelas mentiras de Lucas, mas pela força recém-descoberta de seu próprio coração. O labirinto era assustador, mas a saída, ela sentia, estava em abraçar a verdade, por mais dolorosa que fosse.

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