O Ladrão do meu Coração 197

Capítulo 12 — A Caçada Pelas Relíquias e os Rivais Inesperados

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 12 — A Caçada Pelas Relíquias e os Rivais Inesperados

A manhã se desdobrava em um véu de incertezas, mas para Sofia, uma nova determinação havia nascido. A carta de Arthur, outrora um documento aterrorizante, agora era um mapa, um guia para desvendar os mistérios que envolviam o homem que ela amava. A fazenda, antes um refúgio, agora se tornara o palco de uma caçada, onde cada objeto, cada canto, parecia guardar um segredo. A coleção de Arthur, antes um tesouro de beleza e arte, agora era um enigma a ser decifrado, uma chave para entender o seu passado e, quem sabe, garantir o seu futuro.

Sofia passou o dia imersa nos arquivos da biblioteca, os dedos sujos de poeira e tinta antiga. Cada livro, cada documento, cada fotografia era escrutinada com um olhar atento. Ela buscava por pistas, por indícios que pudessem corroborar as palavras de Arthur, que pudessem iluminar os recantos escuros de sua vida. A coleção, espalhada em diferentes cômodos da casa, era o seu principal foco. Ela revisava cada peça, cada detalhe, procurando por algo que pudesse ter passado despercebido antes.

A obsessão de Ricardo pela coleção, antes um mistério, agora se tornava mais clara. Arthur acreditava que a coleção continha algo valioso, não apenas em termos monetários, mas em um sentido mais profundo, algo que poderia ajudá-lo a se livrar de seus problemas. Sofia sentia o peso dessa responsabilidade. Ela não podia falhar. Não podia decepcionar o homem que a amava.

Enquanto revirava uma caixa antiga no sótão, onde Arthur guardava objetos de valor sentimental, Sofia encontrou um pequeno diário de couro, desgastado pelo tempo. A caligrafia era inconfundível: a de Arthur. Com mãos trêmulas, ela abriu o diário, o coração acelerado.

As páginas contavam uma história diferente da que ela conhecia. Arthur descrevia sua infância em um ambiente precário, a luta de sua família para sobreviver, o sonho de se tornar um arquiteto renomado para provar seu valor. Mas havia também passagens sombrias, onde ele falava de suas primeiras incursões no mundo do crime, de pequenas fraudes que o ajudaram a conseguir o dinheiro necessário para seus estudos. O jovem Arthur, que ela idealizara como um anjo, agora se revelava um ser complexo, com suas falhas e seus acertos.

"Eu sempre fui um lutador, Sofia. Desde criança. Aprendi a sobreviver, a pegar o que era meu por direito, mesmo que por meios nem sempre lícitos. A coleção... era a minha chance de redenção. De me livrar das sombras que me perseguiam, de um passado que eu não podia apagar. Eu sabia que você me amava, e isso me deu a força para tentar ser um homem melhor. Mas os fantasmas do passado são teimosos, meu amor."

Sofia sentiu uma pontada de dor, mas também de compreensão. Arthur não era um santo, mas era um homem que lutou contra seus demônios, que tentou mudar seu destino. A coleção era a sua esperança, o seu fardo, a sua salvação.

Em um dos compartimentos secretos do diário, Sofia encontrou um pequeno mapa, desenhado à mão, com anotações crípticas. Parecia indicar um local específico dentro da fazenda, um lugar escondido, que Arthur parecia ter esquecido ou omitido. Ao lado do mapa, havia uma pequena chave de metal oxidado.

A chave e o mapa se tornaram a nova obsessão de Sofia. Ela passou o resto do dia tentando decifrar as anotações, conectando-as com os detalhes da fazenda que conhecia. A noite caiu, pintando o céu de tons alaranjados e roxos, mas Sofia não se permitiu descansar. A urgência em descobrir o que Arthur havia escondido era maior do que o cansaço.

O mapa parecia indicar a antiga adega, um lugar empoeirado e raramente visitado, que ficava nos fundos da propriedade. Com uma lanterna na mão e a chave no bolso, Sofia saiu em direção à adega. O vento soprava forte, as árvores balançavam com um som fantasmagórico. O silêncio da noite era quebrado apenas pelos sons da natureza e pelos seus próprios passos.

Ao chegar à adega, Sofia sentiu um arrepio. O lugar era escuro, úmido, e parecia guardar os segredos de séculos. O cheiro de terra e mofo invadia seus sentidos. Ela apontou a lanterna para as paredes de pedra, procurando por qualquer indício que o mapa pudesse ter sugerido.

Depois de alguns minutos de busca frenética, Sofia encontrou uma pequena porta de metal escondida atrás de algumas caixas velhas. A porta parecia antiga, mas a fechadura era moderna. A chave que Arthur havia deixado no diário era a peça que faltava. Com as mãos suando, Sofia inseriu a chave na fechadura. Um clique suave soou, e a porta se abriu.

O que Sofia encontrou lá dentro a deixou sem fôlego. Não eram joias, nem dinheiro. Era um cofre antigo, incrustado na parede de pedra. Ao lado do cofre, havia uma pilha de documentos, embrulhados em um pano escuro. E, sobre o cofre, repousava uma pequena caixa de madeira entalhada.

Com um misto de apreensão e excitação, Sofia abriu a caixa de madeira. Dentro, havia um medalhão idêntico ao seu, mas com um detalhe diferente: a gravação de um pássaro, um beija-flor, símbolo de resiliência e amor. Era a peça que faltava em sua coleção pessoal, a que sua avó sempre falava, mas que nunca havia encontrado. E, ao lado do medalhão, um pequeno bilhete.

"Sofia, meu amor. Se você encontrou isto, é porque confiou em mim, apesar de tudo. Este medalhão pertence a você, a sua linhagem. E o que está no cofre... é a nossa salvação. A prova de que eu não sou o monstro que alguns querem pintar. Use isso com sabedoria. E, por favor, confie em seu coração. Ele nunca te enganou."

Sofia pegou o medalhão, sentindo o calor familiar em suas mãos. A gravação do beija-flor parecia brilhar sob a luz da lanterna. Ela se sentiu conectada à sua avó, a Arthur, a uma história que ia além do tempo.

Mas a noite estava longe de terminar. Enquanto tentava abrir o cofre, um barulho vindo da entrada da adega a fez congelar. Alguém estava ali. A luz da lanterna tremeu em suas mãos.

"Quem está aí?", gritou Sofia, a voz ecoando na adega.

Uma figura surgiu das sombras. Era Ricardo. Mas ele não estava sozinho. Ao seu lado, uma mulher alta, de cabelos escuros e olhar penetrante, o acompanhava. Era Helena, a antiga sócia de Arthur, uma figura que Sofia só conhecia de nome e de fotos antigas.

"Ora, ora, Sofia. Parece que você encontrou o que eu tanto procurava", disse Ricardo, um sorriso cínico nos lábios. "E quem é essa bela dama que veio me ajudar a recuperar o que é meu por direito?"

Helena se aproximou, seus olhos fixos no cofre. "Arthur sempre foi um ladrão. Roubou meus projetos, roubou meu nome, e agora, roubou o que era nosso. Mas isso acaba hoje."

Sofia sentiu o perigo iminente. Ricardo e Helena, unidos pela ganância e pela vingança. Eles não hesitarão em qualquer coisa para conseguir o que queriam. A coleção, os segredos de Arthur, tudo estava em jogo.

"Vocês não vão pegar nada", disse Sofia, tentando manter a voz firme. "Arthur me deixou para protegê-la."

Ricardo riu. "Proteger? Ele te usou, Sofia. Como ele usou a todos nós. Mas a sua inocência não vai te salvar agora."

A tensão na adega era palpável. Sofia estava cercada, encurralada. A caçada pelas relíquias havia se tornado uma perigosa disputa, com rivais inesperados surgindo das sombras. Ela sabia que precisaria de toda a sua força, de toda a sua inteligência, para proteger os segredos de Arthur e, acima de tudo, a si mesma. A noite prometia ser longa e repleta de perigos.

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