O Ladrão do meu Coração 197

Capítulo 13 — O Confronto na Adega e a Traição Revelada

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 13 — O Confronto na Adega e a Traição Revelada

O ar na adega parecia ter engrossado, pesado com a tensão e a ameaça. A luz trêmula da lanterna de Sofia dançava sobre os rostos de Ricardo e Helena, pintando-os com sombras sinistras. A surpresa inicial deu lugar a uma onda de adrenalina que percorreu o corpo de Sofia. Ela estava encurralada, a antiga adega, outrora um lugar de mistérios e descobertas, agora se transformara em uma armadilha.

"Vocês não vão pegar nada", repetiu Sofia, a voz um pouco mais firme, embora o coração martelasse contra suas costelas como um tambor frenético. Ela ergueu a mão, instintivamente protegendo o cofre e os documentos.

Ricardo deu um passo à frente, ignorando o aviso. "Não seja tola, Sofia. Essa coleção é o meu legado. Arthur roubou de mim. E eu vou ter de volta o que é meu." Seus olhos brilhavam com uma febre possessiva.

Helena, com sua postura altiva e um sorriso gélido, completou: "O que Arthur construiu sobre as minhas ideias. Ele era um parasita, Sofia. Um parasita que precisava ser eliminado. E agora, o que resta dele, o que ele escondeu, também me pertence." Havia um tom de amargura profunda em sua voz, uma raiva antiga que parecia corroê-la por dentro.

Sofia sentiu um arrepio ao ouvir Helena falar de Arthur com tanto desprezo. A mulher parecia guardar um rancor monumental. E a menção de "ideias roubadas" e "parasita" acendeu uma nova luz sobre as palavras de Arthur em sua carta e em seu diário. Será que a coleção, ou parte dela, realmente pertencia a Helena?

"Arthur nunca roubou nada de ninguém", defendeu Sofia, com a convicção que a carta e o diário de Arthur haviam reforçado em sua alma. "Ele lutou pela vida dele, pelos sonhos dele. E ele me amava. Ele me deixou essas coisas para proteger."

Ricardo soltou uma gargalhada sarcástica. "Amor? Que doce ingenuidade. Arthur amava o poder, Sofia. E ele sabia como usá-lo para manipular as pessoas. Ele te manipulou. E agora ele te deixou aqui, como um peão em seu jogo sujo."

Enquanto falava, Ricardo tentou avançar em direção ao cofre, mas Helena o deteve com um gesto. "Primeiro, vamos ver o que ele escondeu. Pode haver algo mais valioso do que simples documentos." Seus olhos percorreram a adega, avaliando cada canto, cada sombra.

Sofia sabia que precisava agir rápido. Ela não podia permitir que eles pusessem as mãos nos documentos e no cofre. Olhou ao redor, procurando uma saída, uma arma improvisada. A velha adega estava cheia de objetos que poderiam ser usados, mas ela não queria recorrer à violência, a menos que fosse absolutamente necessário.

"Vocês não entendem", disse Sofia, tentando ganhar tempo. "Arthur me deixou isso como uma prova. Uma prova de que ele não era quem vocês pensam."

"Provas? De quê?", retrucou Helena, a voz agora carregada de desconfiança. "Arthur era um impostor. Um criador de mentiras. E tudo que ele construiu foi sobre as ruínas do meu trabalho."

A palavra "ruínas" ecoou na mente de Sofia. Ela se lembrou de uma passagem no diário de Arthur, onde ele mencionava um projeto ambicioso que ele havia desenvolvido em parceria com uma mulher, um projeto que foi abruptamente interrompido e que o deixou com dívidas e inimigos. Seria Helena essa mulher?

"Por que você está tão certa de que Arthur roubou de você?", perguntou Sofia, tentando extrair mais informações. "O que exatamente ele te tirou?"

Helena hesitou por um instante, o olhar perdido em algum lugar do passado. "Um projeto. Um projeto revolucionário em arquitetura sustentável. Eu tinha as ideias, a visão. Arthur tinha os contatos, o capital inicial. Nós éramos um time. Mas quando o projeto começou a ganhar forma, a ter valor, ele me traiu. Ele me tirou da sociedade, registrou as patentes em seu nome e desapareceu com todo o crédito."

A história de Helena soava convincente, cheia de dor e frustração. Mas Sofia também se lembrava da carta de Arthur, onde ele falava de ser perseguido, de ter dívidas, de precisar da coleção para se salvar. Seria possível que Arthur, em sua luta desesperada, tivesse sido forçado a tomar atitudes drásticas, a se defender de alguma forma?

"Arthur me disse que precisava da coleção para se livrar de problemas", disse Sofia, olhando diretamente para Helena. "Ele disse que estava sendo ameaçado. Que ele tinha inimigos."

"E quem eram esses inimigos, Sofia?", provocou Ricardo, com um sorriso cruel. "Talvez fosse a lei, cobrando seus impostos sonegados? Ou os credores que ele deixou sem nada? Arthur era um mestre em criar inimigos."

Nesse momento, um barulho metálico vindo do cofre chamou a atenção de todos. Sofia havia conseguido, com um pequeno ajuste na fechadura, abrir uma fresta. Uma luz fraca emanava do interior.

"O que é isso?", perguntou Helena, seus olhos brilhando de curiosidade e ganância.

Ricardo deu um passo à frente, mas Helena o impediu novamente. "Deixe que ela abra. Se for o que eu acho que é, Arthur não teria coragem de nos privar."

Com as mãos ainda trêmulas, mas com uma determinação renovada, Sofia abriu completamente o cofre. Lá dentro, não havia ouro, nem joias. Havia um conjunto de documentos originais, plantas arquitetônicas detalhadas, relatórios técnicos e, o mais surpreendente, uma gravação em fita de áudio antiga.

"Isso... isso é o projeto", murmurou Helena, seus olhos fixos nas plantas. "O meu projeto. Ele o roubou."

"Não", disse Sofia, pegando a fita de áudio. "Ele não roubou. Ele o completou. E ele gravou isso." Ela procurou pelo toca-fitas que Arthur mantinha em seu escritório. Por sorte, ele o havia deixado na adega, junto com outros objetos.

Com cuidado, Sofia colocou a fita no toca-fitas e apertou o play. A voz de Arthur, embargada pela emoção, preencheu o silêncio da adega.

"Se esta gravação for ouvida, é porque eu não consegui mais esconder a verdade. Helena, minha querida amiga e sócia. Eu sei que você me acha um ladrão. E talvez, em alguns momentos, eu tenha agido de forma egoísta. Mas a sua visão, a sua genialidade, estava sendo ameaçada por pessoas perigosas. Pessoas que queriam roubar o nosso projeto e usá-lo para fins destrutivos. Eu me vi forçado a tomar uma decisão. Eu assumi a responsabilidade, o risco, para proteger não só a mim, mas a todos nós. Eu fui atrás de quem estava nos ameaçando. Eu negociei. E, infelizmente, tive que fazer um sacrifício. Tive que criar uma barreira entre nós, para que eles não te encontrassem. Eu usei os recursos que consegui com a coleção para pagar esses homens, para garantir a sua segurança e a integridade do projeto. Eu sei que te magoei. Eu sei que te decepcionei. Mas eu fiz isso por amor. E eu confio que um dia você entenderá."

A gravação terminou. Um silêncio sepulcral se instalou na adega. Helena estava pálida, seus olhos fixos no nada. Ricardo, por outro lado, parecia furioso.

"Mentiras! Tudo isso são mentiras!", gritou Ricardo. "Ele te enganou, Helena! Ele usou você para esconder o que ele roubou dele!"

Mas Helena não parecia mais convencida. A dor em seus olhos deu lugar a uma confusão profunda. "Ele... ele me protegeu? De quem?"

"De pessoas que queriam a sua tecnologia para criar armas", respondeu Sofia, com a voz firme. "Arthur me contou sobre isso. Ele se sentiu culpado por ter te afastado, mas acreditava que era a única maneira de te manter segura."

Ricardo, sentindo que estava perdendo o controle da situação, tentou uma última cartada. Ele avançou em direção a Sofia, tentando arrancar a fita do toca-fitas. "Chega dessa conversa fiada! A coleção é minha!"

Sofia, em um movimento rápido e instintivo, pegou um velho porrete de madeira que estava encostado na parede e o golpeou com força no braço de Ricardo. Ele soltou um grito de dor e recuou.

Nesse momento, os gritos de Ricardo alertaram os seguranças da fazenda, que estavam em rondas noturnas. As luzes das lanternas invadiram a adega.

"O que está acontecendo aqui?", perguntou um dos seguranças, apontando a luz para Ricardo, que segurava o braço ferido, e para Helena, que estava em choque.

Ricardo, percebendo que estava em desvantagem, tentou culpar Sofia. "Ela tentou me roubar! Ela me atacou!"

Mas Helena, ainda processando as revelações da gravação, interveio. "Não, Ricardo. Fui eu que fui enganada. Arthur... Arthur tentou me proteger."

A confusão tomou conta da adega. Os seguranças, sem saber em quem acreditar, rapidamente imobilizaram Ricardo. Sofia, com o coração ainda acelerado, sentiu um misto de alívio e tristeza. A traição que ela temia não veio de Arthur, mas de Ricardo. E a verdade, por mais dolorosa que fosse, havia sido revelada. Helena, confrontada com a verdade sobre o passado, parecia mais perdida do que nunca.

Enquanto Ricardo era escoltado para fora da adega, Sofia olhou para Helena. A rivalidade que ela pensara ser entre Arthur e Helena, na verdade, era uma luta desesperada de Arthur para protegê-la. A coleção, o motivo de toda essa confusão, continha não apenas o legado de Arthur, mas também a prova de seu amor e de seu sacrifício. E, naquele momento, Sofia soube que sua jornada para desvendar os segredos de Arthur estava longe de terminar. A revelação da verdade na adega havia apenas aberto uma nova porta, cheia de novas incertezas e desafios.

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