O Amor que Perdi 198

O Amor que Perdi 198

por Valentina Oliveira

O Amor que Perdi 198

Por Valentina Oliveira

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Capítulo 11 — O Sussurro da Verdade e a Teia de Mentiras

O sol da manhã mal ousava romper a névoa espessa que envolvia a mansão dos Albuquerque, mas dentro do quarto de Helena, a escuridão era ainda mais densa. As palavras de Ricardo, proferidas na noite anterior, ecoavam em sua mente como um trovão distante, prometendo tempestades. "Você é minha, Helena. Sempre foi." A possessividade em sua voz, antes um deleite, agora soava como um grilhão prestes a ser apertado. Ela se encolheu sob o edredom, o corpo ainda tremendo com a lembrança de seus lábios quentes, da promessa tácita de perigo que emanava dele.

Não era apenas o desejo ardente que a perturbava. Era a verdade por trás das palavras dele, a verdade sobre o destino que os unia em um emaranhado de paixão e segredos. Ricardo, com sua arrogância calculada, havia ressuscitado fantasmas que ela pensava ter enterrado para sempre. A lembrança do rosto de sua mãe, dilacerada pela dor, a assombrava. A culpa, sempre à espreita, agora se agigantava, tomando conta de cada espaço de sua alma.

Enquanto isso, no escritório imponente, Ricardo se deleitava com o café forte, o olhar perdido no horizonte nebuloso. A noite anterior fora um turbilhão de emoções, um campo de batalha onde ele havia reafirmado seu domínio sobre Helena. Ele sabia que ela o temia, que o desejava, e que, no fundo, ela sabia que era dele. A confissão de que ela sentia algo por outro homem, dita com a voz embargada de lágrimas e culpa, apenas atiçara seu fogo interior. Era um desafio, e Ricardo Albuquerque jamais recusava um desafio.

Ele se levantou, a silhueta imponente preenchendo a sala. Precisava agir com astúcia. A fragilidade de Helena era sua arma, mas também sua vulnerabilidade. Ele precisava afastá-la de qualquer influência externa, qualquer um que pudesse sussurrar ideias de liberdade em seus ouvidos. E aquele médico... Dr. André Lins. Um nome que se repetia com frequência em seus pensamentos, um incômodo constante.

Enquanto isso, na modesta casa de veraneio à beira-mar, André acordava com o som das ondas quebrando suavemente na praia. O cheiro salgado do mar, a brisa fresca que entrava pela janela aberta, tudo lhe trazia uma sensação de paz. Mas a paz era efêmera. A imagem de Helena, seu sorriso triste, seus olhos marejados, o assombrava. Ele sabia que algo estava errado, que a fragilidade que via nela era mais profunda do que simples timidez. Havia um medo latente, uma dor contida.

Ele pegou o celular, hesitante. Deveria ligar para ela? Talvez fosse invasivo, poderia colocá-la em uma situação ainda mais delicada. Mas a necessidade de protegê-la, de garantir que ela estava bem, era avassaladora. Ele decidiu esperar, mas seu coração batia acelerado, ansioso por notícias. Ele se sentia impotente, um espectador da tragédia que se desenrolava.

Helena, finalmente reunindo coragem, desceu para o café da manhã. A atmosfera na sala de jantar era tensa, carregada de silêncios eloquentes. Ricardo a cumprimentou com um sorriso calculista, seus olhos azuis penetrantes fixos nos dela. "Bom dia, meu amor. Dormiu bem?"

"Bom dia, Ricardo", respondeu Helena, a voz baixa, tentando manter a compostura. Ela pegou uma torrada, as mãos ligeiramente trêmulas.

"Imaginei que sim", disse Ricardo, com um tom de satisfação que a fez estremecer. "Tivemos uma noite... produtiva, não acha?" Ele a olhou de forma sugestiva, e Helena sentiu o rubor subir em suas bochechas.

A governanta, Dona Clara, uma mulher de feições severas, mas com um coração de ouro, observava a cena com preocupação discreta. Ela via a forma como Ricardo exercia controle sobre Helena, a maneira como a jovem se encolhia sob seu olhar. E ela sabia, por ter servido a família Albuquerque por décadas, que Ricardo Albuquerque não era um homem de amar, mas de possuir.

"O Dr. Lins ligou, senhor", anunciou Dona Clara, com a voz calma, interrompendo o clima sufocante.

O corpo de Helena congelou. André. Ela havia prometido ligar para ele, avisá-lo de que estava bem, mas o turbilhão de emoções da noite anterior a havia impedido. Um misto de alívio e pânico a invadiu.

Ricardo ergueu uma sobrancelha, o interesse momentaneamente desviado. "Ah, sim? E o que o distinto doutor desejava?" Sua voz carregava um tom de sarcasmo.

"Ele perguntou se a senhorita Helena estava bem. Disse que se preocupou com a sua ausência ontem à noite." Dona Clara manteve o olhar fixo em Helena, esperando uma instrução.

Ricardo deu uma risadinha seca. "Preocupado, é? Que delicadeza da parte dele. Por favor, diga ao Dr. Lins que a senhorita Helena está sob meus cuidados e não precisa de mais nenhuma 'preocupação' de sua parte. E que se ele se intrometer mais uma vez, lidará diretamente comigo." A frieza em sua voz era gélida, um aviso claro.

Helena sentiu um aperto no peito. Ricardo estava isolando-a, cortando qualquer fio que a ligasse ao mundo exterior. O medo se intensificou. Ela precisava pensar, precisava encontrar uma saída.

Após o café, Ricardo a levou para um passeio pelo jardim, as roseiras em plena floração exalando um perfume doce que contrastava com a amargura que ela sentia. Ele falava sobre os planos para o futuro, sobre a união deles como um destino inabalável, sobre como ela seria a rainha de seu império. Cada palavra era uma tentativa de cimentar as correntes que a prendiam.

"Você sabe, Helena, que nossa família tem uma história antiga com a sua", disse Ricardo, colhendo uma rosa vermelha vibrante. "Nossos avós eram amigos íntimos. E nossos pais... bem, eles tinham planos para nós dois desde que éramos crianças."

Helena o olhou, chocada. "Como assim, planos?"

"Sim. Um casamento arranjado, para unir nossas fortunas e nossos destinos. Eles nunca chegaram a concretizar, mas a intenção sempre esteve lá. E agora, é nosso dever honrar essa promessa." Ele colocou a rosa em seu cabelo, um gesto possessivo.

A mentira, habilmente tecida, desmoronou em sua mente. Ela sabia que os negócios de seu pai haviam entrado em declínio anos atrás, e que a família Albuquerque, com sua vasta riqueza, havia se tornado uma tábua de salvação. Mas um casamento arranjado? Era demais. Ela não era um peão em um jogo de poder.

"Ricardo, eu não... eu não sabia disso", gaguejou Helena, sentindo-se cada vez mais encurralada.

"Claro que não sabia. Eles acharam que seria melhor você descobrir gradualmente. Mas eu não quero mais jogos, Helena. Eu quero você. E você é minha, por direito." Ele a puxou para perto, o olhar intenso. "Você pertence a mim, assim como sempre pertenceu."

Naquele momento, Helena tomou uma decisão. Não podia mais ser uma marionete. Ela precisava lutar. A fúria, que antes estava adormecida, começou a borbulhar. Ricardo a havia subestimado, achando que sua fragilidade a tornaria dócil. Ele estava enganado. Ela era mais forte do que ele imaginava.

Enquanto isso, André, impaciente, decidiu tomar uma atitude. Ele não podia simplesmente ficar parado. Pegou o carro e dirigiu em direção à mansão dos Albuquerque. Ele sabia que era uma imprudência, que Ricardo Albuquerque era um homem perigoso, mas a preocupação com Helena superava qualquer medo. Ele precisava ver com seus próprios olhos se ela estava bem.

Ao se aproximar da entrada imponente, ele viu Helena no jardim, com Ricardo ao seu lado. A cena transmitia uma aura de posse, de controle. Ele sentiu uma pontada de ciúme, misturada com a angústia de vê-la em um ambiente tão opressivo. Ele decidiu esperar, observando de longe, procurando uma oportunidade para falar com ela, para oferecer o apoio que ela claramente precisava.

A verdade sobre os planos de seus pais, sobre a teia de mentiras que a cercava, havia sido revelada. Helena sentiu uma força nova percorrer suas veias. A fragilidade se transformou em determinação. Ela não seria mais a vítima. Ela seria a protagonista de sua própria história, custe o que custar. A batalha havia apenas começado.

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