O Amor que Perdi 198
Capítulo 13 — O Confronto dos Gigantes e a Fuga Planejada
por Valentina Oliveira
Capítulo 13 — O Confronto dos Gigantes e a Fuga Planejada
A tensão na mansão Albuquerque era tão densa que parecia quebrar o ar. A cena era digna de um melodrama: Ricardo, o magnata implacável, de um lado; André, o médico idealista, do outro; e Helena, no centro, com o tornozelo machucado e o coração dividido. A mão de André, entrelaçada à dela, era um sinal de desafio que Ricardo não podia ignorar.
"Senhorita Helena não precisa da sua 'ajuda' desinteressada, Lins", disse Ricardo, a voz baixa e perigosa, cada palavra carregada de ameaça. "Ela está sob minha proteção. E você, meu caro doutor, está ultrapassando todos os limites."
André apertou a mão de Helena, um gesto de apoio silencioso. "Minha preocupação é genuína, Albuquerque. E eu não sairei daqui enquanto ela não estiver segura."
Helena sentiu um misto de admiração e pavor. André estava se colocando em risco por ela, desafiando o homem mais poderoso da região. A coragem dele era inspiradora, mas a imprudência também a apavorava.
Ricardo soltou uma risada sarcástica. "Segura? Ela está perfeitamente segura comigo. Mais segura do que jamais estaria nas mãos de um… médico de província." O desprezo em sua voz era palpável.
"Segurança não é apenas estar protegida de perigos físicos, Albuquerque", retrucou André, com firmeza. "É também ter liberdade. Algo que você claramente nega a Helena."
As palavras de André atingiram Helena como um raio. Liberdade. Era tudo o que ela desejava. A mansão, a riqueza, o controle de Ricardo, tudo isso a aprisionava. Ela olhou para o médico, para a sinceridade em seus olhos, e sentiu uma onda de esperança.
"Você não sabe do que está falando, Lins", disse Ricardo, a mandíbula tensa. "Helena e eu temos um futuro. Um futuro que você jamais poderá oferecer."
"Um futuro forçado não é futuro, Albuquerque", disse André, a voz calma, mas firme. "É uma sentença. E eu não vou permitir que Helena seja condenada."
Helena sentiu uma força renovada. Ela não era mais a vítima indefesa. Ela era uma mulher com sentimentos, com desejos, com o direito de escolher seu próprio destino. Ela olhou para Ricardo, a arrogância em seu rosto, e decidiu que era hora de confrontá-lo.
"Ricardo", começou Helena, a voz trêmula, mas decidida. "Você fala em futuro, em destino. Mas você nunca me perguntou o que eu queria. Você sempre decidiu por mim."
Ricardo se virou para ela, a surpresa momentaneamente substituindo a raiva. "Helena, o que você está dizendo? Eu estou fazendo o que é melhor para nós dois."
"Melhor para você, talvez", retrucou Helena, os olhos fixos nos dele. "Você fala em amor, mas o que você demonstra é posse. Você fala em proteção, mas o que você me dá é aprisionamento."
A confissão de Helena era um golpe direto no ego de Ricardo. Ele nunca havia sido desafiado assim, especialmente por ela. A fúria borbulhava em seu peito.
"Você está sendo ingrata, Helena", disse Ricardo, a voz perigosamente baixa. "Eu lhe dei tudo."
"Você me deu uma gaiola dourada, Ricardo", disse Helena, com a voz embargada. "E eu não quero mais viver nela."
André, vendo a determinação de Helena, sabia que aquele era o momento. "Senhorita Helena", disse ele, com gentileza. "Se você quiser sair daqui, eu a levarei. Longe de tudo isso. Longe dele."
A proposta de André era tentadora, mas a realidade era sombria. Ricardo era poderoso. Uma fuga seria arriscada, quase impossível. E a ameaça a André era real.
"Você não pode fugir, Helena", disse Ricardo, a voz assumindo um tom de advertência. "Não há para onde ir. Eu a encontrarei."
"Eu não tenho medo de você, Ricardo", disse Helena, surpreendendo a si mesma com a própria ousadia. "E se eu tiver que enfrentar você, eu enfrentarei."
Enquanto a discussão se acirrava, Dona Clara, observando tudo de longe, sabia que precisava intervir. Ela amava Helena como se fosse sua filha e não podia permitir que a jovem fosse subjugada por Ricardo.
"Senhor Ricardo", disse Dona Clara, com a voz firme, aproximando-se. "A senhorita Helena está com o tornozelo machucado. Ela precisa de descanso, não de discussões. Talvez seja melhor que o Dr. Lins a ajude a se acomodar."
Ricardo olhou para Dona Clara, surpreso com sua ousadia. Mas ele sabia que ela tinha razão. A situação estava saindo do controle. Ele precisava de tempo para planejar sua vingada.
"Muito bem", disse Ricardo, com um sorriso frio. "Dr. Lins, ajude a senhorita Helena a se instalar em seu quarto. Mas saiba que isso não acabou."
André ajudou Helena a se levantar e a guiou escada acima, para o quarto que ela havia ocupado. O silêncio era carregado de emoções não ditas. A fuga parecia um sonho distante, mas a conexão entre eles se fortaleceu a cada passo.
Uma vez no quarto, André cuidadosamente a deitou na cama. Ele tirou a imobilização improvisada e a examinou novamente.
"Você precisa descansar", disse André, a voz suave. "Mas não podemos ficar aqui. Ricardo não vai desistir."
Helena o olhou, a esperança brilhando em seus olhos. "Você acha que podemos fugir?"
André hesitou. Ele sabia que era arriscado, mas a alternativa era ver Helena presa a Ricardo para sempre. "Talvez. Mas precisamos de um plano. E precisamos de ajuda."
"Dona Clara", sussurrou Helena. "Ela pode nos ajudar."
André assentiu. "Sim. Ela é a única em quem podemos confiar aqui."
Naquela noite, enquanto Ricardo se banqueteava em seu escritório, planejando sua vingada, Helena e André, com a ajuda discreta de Dona Clara, elaboraram um plano audacioso. Dona Clara, que já havia servido à família Albuquerque por décadas, conhecia todos os segredos da mansão. Ela sabia dos horários de Ricardo, das rotas de fuga menos vigiadas, dos funcionários que poderiam ser subornados.
O plano era simples, mas perigoso. Na madrugada seguinte, quando Ricardo estivesse embriagado e adormecido, André se infiltraria na mansão. Dona Clara o guiaria até o quarto de Helena. Eles sairiam pela porta dos fundos, em direção a um carro que André havia escondido em uma estrada secundária.
"Ricardo não vai te perdoar por isso, Helena", disse André, a voz séria. "Ele é implacável."
"Eu sei", respondeu Helena, a mão apertando a dele. "Mas é um risco que preciso correr. Não posso mais viver sob o controle dele. E eu não quero que você seja prejudicado por minha causa."
"Eu estou fazendo isso por você, Helena", disse André, o olhar fixo nos dela. "E eu não me arrependo de nada."
Na manhã seguinte, Ricardo acordou com uma dor de cabeça lancinante e um pressentimento sombrio. Ele desceu para o café da manhã, esperando encontrar Helena em sua cama, mas ela não estava lá. Ele chamou por Dona Clara, que apareceu com o semblante preocupado.
"Onde está Helena?", perguntou Ricardo, a voz embargada de raiva.
"Senhor Ricardo", começou Dona Clara, com a voz trêmula. "A senhorita Helena... ela saiu durante a noite. Com o Dr. Lins."
A notícia atingiu Ricardo como um soco no estômago. A raiva em seus olhos se transformou em ódio puro. Ele sabia que havia perdido o controle. A presa havia escapado.
"Ele vai se arrepender disso", rosnou Ricardo, o punho cerrado. "Eu vou caçá-los até o fim do mundo. E quando eu os encontrar, eles desejarão nunca terem nascido."
A fuga de Helena foi um ato de desespero e coragem. Ela sabia que o caminho à frente seria perigoso, que Ricardo não desistiria facilmente. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que estava no controle de seu próprio destino, ao lado do homem que amava. O confronto dos gigantes havia terminado, mas a caçada estava apenas começando.