O Amor que Perdi 198

Capítulo 23 — A Fuga e o Refúgio na Saudade

por Valentina Oliveira

Capítulo 23 — A Fuga e o Refúgio na Saudade

O choque da revelação era um buraco negro se abrindo no peito de Ana Clara. As palavras de Roberto, "Rafael é meu filho. E Helena foi o amor da minha vida", ecoavam em sua mente, cada sílaba uma pancada que a deixava sem ar. Ela se viu fugindo do escritório, dos olhares de Roberto, da mansão que se tornara um labirinto de verdades sombrias.

Ela não se lembrava de como chegou ao seu quarto, apenas de ter trancado a porta, o corpo tremendo incontrolavelmente. As fotografias e as cartas caíram de suas mãos no chão. Ali, em meio aos destroços de seu mundo, Ana Clara desabou. As lágrimas que ela segurara por tantos dias agora jorravam sem controle, um rio de dor e desilusão.

Ela se agarrou à imagem de Rafael, a criança inocente que carregava o peso de um pai ausente e de um amor que nunca conheceu. Pensou em Helena, a mulher que Roberto amara, a mãe que morrera cedo demais. E pensou em si mesma, a mulher que acreditara em um amor perfeito, apenas para descobrir que era apenas uma ilusão, construída sobre as ruínas de um amor passado.

Dona Beatriz, sentindo a agitação da neta, bateu na porta. "Ana Clara, minha querida, abra! O que aconteceu? Você está bem?"

Ana Clara não conseguia responder. A voz presa na garganta, a dor a sufocando. Ela apenas balançou a cabeça, o corpo encolhido no chão.

"Roberto me contou tudo, vovó", ela conseguiu sussurrar, a voz rouca. "Ele tem um filho. Ele amou outra mulher."

Dona Beatriz abriu a porta com a chave reserva, o rosto transbordando preocupação. Ao ver Ana Clara em seu estado, a avó correu para abraçá-la, aconchegando-a em seus braços.

"Oh, minha menina... eu sinto muito. Eu sabia que ele escondia algo, mas não imaginava que fosse algo tão doloroso", disse Dona Beatriz, acariciando os cabelos da neta.

Naquele momento, Ana Clara sentiu um conforto imenso nos braços de sua avó. A ternura e o amor incondicional de Dona Beatriz eram um bálsamo para sua alma ferida.

"Eu preciso ir, vovó", Ana Clara disse, afastando-se um pouco, o olhar determinado. "Eu não posso mais ficar aqui. Cada canto dessa casa me lembra da mentira."

"Para onde você vai, minha filha? O que vai fazer?", Dona Beatriz perguntou, apreensiva.

Ana Clara pensou por um instante. Ela não tinha para onde ir, ninguém a quem recorrer. Mas então, uma lembrança de sua infância veio à mente: a pequena casa de campo de seus avós, no interior, um lugar de paz e tranquilidade, onde ela passara muitos verões felizes.

"Eu vou para a casa da serra, vovó. Preciso de um tempo para mim. Para pensar. Para me curar."

Dona Beatriz assentiu, entendendo a necessidade da neta. "Eu vou com você, Ana Clara. Você não vai ficar sozinha."

"Não, vovó. Eu preciso ficar sozinha. Preciso reencontrar a mim mesma. Mas prometo que vou ligar todos os dias. E o senhor Antônio, o caseiro, pode te avisar quando eu precisar de algo."

Com a ajuda de Dona Beatriz, Ana Clara arrumou uma pequena mala com o essencial. Roberto tentou interceptá-la na saída, o rosto marcado pela culpa e pelo arrependimento.

"Ana Clara, por favor, não vá. Me deixe explicar", ele implorou, segurando seu braço.

Ana Clara retirou a mão dele com firmeza. "Não há mais nada para explicar, Roberto. Você me mostrou quem você é. E eu não posso mais viver com essa mentira."

Ela saiu da mansão, deixando para trás o luxo, a dor e o homem que a havia decepcionado profundamente. O carro de Antônio, o motorista fiel da família, a esperava. A viagem para a serra foi silenciosa, marcada pelo desespero de Ana Clara e pela preocupação de Antônio. A paisagem rural, antes um convite à paz, agora refletia a turbulência de seus sentimentos.

Ao chegar à casa da serra, Ana Clara sentiu um alívio imediato. O cheiro de pinho, o som do vento nas árvores, a simplicidade do lugar... tudo parecia lhe trazer de volta um pedaço de sua antiga serenidade. A casa, pequena e aconchegante, era um refúgio perfeito para sua alma ferida.

Nos dias que se seguiram, Ana Clara se dedicou a curar suas feridas. Passava horas caminhando pela mata, respirando o ar puro, observando a natureza. Lia livros antigos, ouvia músicas que a transportavam para tempos mais simples. Reencontrava a si mesma, fragmento por fragmento.

Ela ligava para Dona Beatriz todos os dias, contando sobre seu dia, sobre seus progressos. A avó, aliviada por vê-la melhor, a encorajava em sua jornada de recuperação.

Uma tarde, enquanto arrumava o sótão, Ana Clara encontrou uma caixa de memórias de sua avó. Dentro, cartas antigas, fotografias desbotadas e um diário. Curiosa, ela abriu o diário. Era o diário de sua avó sobre seu próprio casamento e sobre os desafios que enfrentara no início de sua vida a dois.

Ao ler as palavras de sua avó, Ana Clara se viu refletida nas experiências dela. As inseguranças, os medos, os desentendimentos, mas também a força do amor, a perseverança e a capacidade de superar as adversidades. Sua avó, que sempre fora um exemplo de força e sabedoria, também havia passado por momentos difíceis, mas nunca desistira de seu amor.

Um insight profundo a atingiu. Ela não podia deixar que a dor de uma traição definisse seu futuro. Ela era forte. Ela era capaz de amar novamente. E, acima de tudo, ela merecia ser feliz.

Uma noite, sentada na varanda, observando as estrelas, Ana Clara tomou uma decisão. Ela não voltaria para Roberto. Não importava o quanto ele tentasse se justificar, o quanto ele implorasse. A confiança havia sido quebrada, e sem ela, o amor não poderia florescer. Ela precisava seguir em frente, encontrar um novo caminho, um novo amor.

Ela pegou o celular e discou o número de Dona Beatriz. "Vovó, eu estou bem. Na verdade, estou muito melhor. Eu decidi que não vou mais voltar para a mansão. Eu vou ficar aqui por mais um tempo. Preciso juntar meus pedaços e reconstruir minha vida, do meu jeito."

Dona Beatriz suspirou, mas havia um tom de orgulho em sua voz. "Eu sabia que você encontraria sua força, minha querida. Eu sempre soube. E eu vou te apoiar em tudo o que você decidir."

Ana Clara sentiu um aperto no peito ao pensar em tudo o que havia perdido. Mas, ao mesmo tempo, uma sensação de esperança renovada a invadiu. A fuga para a serra não fora uma fuga de seus problemas, mas uma fuga para encontrar a si mesma. E ali, em meio à saudade e à solidão, Ana Clara estava começando a se curar, a se redescobrir e a se preparar para o que o futuro lhe reservava. O amor que ela pensara ter perdido era, na verdade, apenas o fim de um capítulo, e um novo começo estava prestes a despontar.

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