O Amor que Perdi 198

Capítulo 8 — O Santuário de Helena e a Confrontação Sombria

por Valentina Oliveira

Capítulo 8 — O Santuário de Helena e a Confrontação Sombria

Helena, com sua aura de sofisticação e seu olhar perspicaz, sentia o drama se desenrolar diante de seus olhos. A cena no jardim, a briga entre Ricardo e Sofia, a saída abrupta dos dois, tudo a deixou apreensiva. Ela sabia que a relação entre Sofia e Ricardo era mais complexa do que aparentava, e a presença de Rafael só adicionava mais uma camada de tensão.

Após a saída de Sofia e Rafael, Helena buscou Ricardo. Encontrou-o na sala principal da galeria, parado como uma estátua, o rosto pálido e os olhos fixos em um ponto distante. A energia que emanava dele era gélida, uma mistura de mágoa e fúria reprimida.

"Ricardo", disse Helena suavemente, aproximando-se dele. "Você está bem?"

Ele a olhou, um lampejo de algo sombrio passando por seus olhos. "Estou ótimo, Helena. Apenas... desfrutando da minha festa." Sua voz era um sussurro seco, desprovido de emoção.

"Eu vi", Helena continuou, cautelosamente. "Eu vi o que aconteceu lá fora. Sofia..."

"Sofia fez a sua escolha", Ricardo a interrompeu, sua voz ganhando um tom gélido. "E eu não vou ficar aqui assistindo. Por favor, Helena, cuide do restante da noite. Eu preciso ir."

Ele se virou e caminhou para a saída, sem olhar para trás. Helena o observou ir, sentindo um pressentimento ruim. Ricardo era um homem orgulhoso, e a humilhação pública que ele acabara de sofrer poderia ter consequências imprevisíveis.

Enquanto isso, Sofia e Rafael buscavam refúgio. A noite fria e a chuva cessada criavam um cenário melancólico. Eles dirigiram em silêncio por um tempo, o peso do que havia acontecido pairando entre eles. Sofia ainda estava abalada, as lágrimas secando em seu rosto, mas a sensação de libertação começava a se misturar à ansiedade.

"Onde vamos?", perguntou Sofia, sua voz ainda trêmula.

Rafael olhou para ela, seus olhos transmitindo uma calma que ela tanto precisava. "Eu tenho um lugar. Um lugar tranquilo, longe de tudo isso. Você pode ficar lá o tempo que precisar."

Ele dirigiu por mais alguns minutos, até chegarem a uma estrada de terra que levava a uma casa rústica e charmosa, escondida em meio à vegetação. Era um refúgio de paz, longe do burburinho da cidade.

"É aqui", disse Rafael, estacionando o carro. "Meu refúgio."

A casa era simples, mas acolhedora. Um cheiro suave de madeira e flores secas pairava no ar. Rafael a guiou para dentro, onde uma lareira apagada prometia calor. Ele a fez sentar em um sofá macio e, com gentileza, preparou um chá quente para ela.

"Obrigada, Rafael", disse Sofia, apertando a xícara em suas mãos. "Por tudo."

"Não há de quê", ele respondeu, sentando-se ao lado dela. "Você precisava sair de lá. E eu precisava ter certeza de que você estava segura."

Eles ficaram em silêncio por um tempo, apreciando a tranquilidade do lugar. A luz suave da luminária criava um ambiente íntimo. Sofia sentiu a tensão de seu corpo começar a relaxar, mas a imagem do rosto de Ricardo e a dor em seus olhos ainda a assombravam.

"Eu o traí, Rafael", disse ela, sua voz embargada. "Eu o traí da pior maneira possível."

Rafael a pegou pela mão. "Você se libertou, Sofia. Às vezes, a libertação vem com um preço. Mas você não pode se culpar eternamente por querer ser feliz."

"Feliz?", Sofia riu, uma risada amarga. "Eu não sei mais o que é felicidade. Eu só sei que eu machuquei alguém que eu... que eu um dia amei."

"E o que você sente por mim, Sofia?", Rafael perguntou, sua voz baixa e cheia de expectativa.

Sofia olhou para ele, para a sinceridade em seus olhos. A paixão que a consumira mais cedo, agora parecia dar lugar a um sentimento mais profundo, mais complexo. "Eu não sei, Rafael. É tudo tão confuso. Mas... mas eu me sinto bem com você. E eu me sinto livre."

Rafael sorriu, um sorriso que iluminou seu rosto. "Isso é um começo. E talvez, com o tempo, tudo se torne mais claro."

Enquanto isso, na cidade, o drama se desenrolava de forma diferente. Helena, preocupada com a ausência de Ricardo, decidiu procurá-lo em seu apartamento. Ao chegar, encontrou a porta entreaberta. Hesitante, entrou.

O apartamento estava imerso em uma escuridão opressora. Uma única luz fraquejava na sala de estar, onde Ricardo estava sentado em uma poltrona, um copo de uísque na mão, o olhar perdido.

"Ricardo", Helena chamou suavemente, entrando na sala. "Eu fiquei preocupada."

Ele não respondeu, apenas tomou mais um gole do uísque.

"Eu vi você sair da festa", Helena continuou. "E eu vi Sofia e Rafael. O que aconteceu?"

Ricardo levantou a cabeça, seus olhos vermelhos e inchados. A raiva que ele reprimira parecia explodir agora. "Ela me traiu, Helena. Com ele."

"Eu sei, Ricardo. Eu vi a cena. Mas você não pode deixar que isso o consuma. Você é um homem forte."

"Forte?", ele riu, a voz embargada pela emoção. "Onde está a minha força agora, Helena? Onde está a minha dignidade? Eu fui humilhado. Publicamente."

"Você foi ferido, Ricardo. E é natural que você se sinta assim. Mas culpar Sofia e Rafael não vai resolver nada."

Ricardo se levantou abruptamente, o copo de uísque caindo no chão e se espatifando. "Não resolver nada? Eles vão pagar por isso, Helena. Ele vai pagar. E ela... ela vai se arrepender amargamente."

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A raiva de Ricardo era palpável, perigosa. "Ricardo, não faça nada do que você possa se arrepender depois. Pense com clareza."

"Clareza?", ele repetiu, seus olhos fixos em Helena, um brilho sombrio neles. "Eu tenho clareza, Helena. E a clareza me diz que eu preciso me vingar." Ele pegou um casaco e caminhou para a porta.

"Para onde você vai?", Helena perguntou, aflita.

"Vou ter uma conversa com o Sr. Albuquerque", disse Ricardo, seu tom gélido. "Uma conversa que ele jamais esquecerá."

Helena o observou sair, o coração apertado. Ela sabia que a paixão desmedida de Sofia e Rafael, e a consequente fúria de Ricardo, estavam apenas começando a desencadear uma série de eventos que poderiam ter consequências devastadoras. O santuário de paz que Rafael havia criado para Sofia estava prestes a ser invadido pelas sombras da vingança.

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