O Ladrão do meu Coração 199

Capítulo 14 — O Confronto com o Passado e a Força do Presente

por Isabela Santos

Capítulo 14 — O Confronto com o Passado e a Força do Presente

A atmosfera da festa, antes vibrante e acolhedora, agora parecia carregar uma tensão sutil, perceptível apenas para Helena. O olhar daquela mulher misteriosa, que ela havia cruzado há pouco, não a deixava em paz. Era um olhar de desafio, de posse, que a fazia sentir como uma intrusa em sua própria história de amor. Helena tentava se concentrar em Rafael, em seus braços que a envolviam com ternura e desejo, mas a imagem daquela mulher pairava em sua mente, um presságio sombrio.

"Você está quieta, meu amor. O que se passa?", Rafael perguntou, sua voz baixa e preocupada, enquanto acariciava os cabelos dela. Eles haviam se retirado para um canto mais reservado do salão, longe dos olhares mais curiosos, mas a energia da festa ainda os envolvia.

Helena hesitou por um momento, ponderando se deveria ou não compartilhar sua apreensão. O medo de parecer ciumenta ou insegura lutava contra a necessidade de ser honesta com ele. "É aquela mulher ali", ela disse, finalmente, indicando discretamente com a cabeça a direção em que a mulher estava. "Ela está nos olhando desde que começamos a dançar. E… eu sinto que a conheço de algum lugar, ou que ela me conhece. Há algo em seu olhar que me incomoda."

Rafael seguiu o olhar de Helena e sua expressão mudou sutilmente. Um lampejo de reconhecimento, seguido por uma rigidez em sua postura. Ele soltou um suspiro quase imperceptível. "Eu acho que sei quem é. O nome dela é Sofia. Ela era uma… uma conhecida de Clara. De um círculo social mais antigo, digamos assim. Clara e ela nunca se deram muito bem."

O nome de Clara, proferido por Rafael, atingiu Helena como um golpe. A sombra que ela tentava dissipar parecia se materializar diante de seus olhos. "Uma conhecida de Clara? E ela está nos olhando com essa… essa intensidade? O que ela quer?"

"Eu não sei, Helena. Sofia sempre foi uma pessoa… complicada. Ela tem uma forma própria de ver as coisas, e talvez ela não aprove a nossa aproximação." Rafael apertou a mão dela com firmeza. "Mas não se preocupe. Ela não significa nada para mim. O que eu sinto é por você."

Apesar das palavras de Rafael, Helena sentiu um nó no estômago. A presença de Sofia, a menção de seu passado com Clara, tudo isso criava um turbilhão de incertezas. Era a sua própria insegurança se manifestando, ou havia realmente um perigo real?

A música mudou novamente, e desta vez, uma batida mais forte e enérgica tomou conta do salão. Muitas pessoas se levantaram para dançar. Rafael puxou Helena suavemente. "Vamos dançar. Não deixe que ela estrague a nossa noite."

Enquanto dançavam, Helena tentava se livrar da sensação de estar sendo observada. Mas a cada movimento, ela sentia o olhar de Sofia, como um raio laser, perfurando-a. Ela tentava focar em Rafael, no calor de seus braços, na segurança que ele transmitia.

De repente, Sofia se aproximou. Ela se moveu com uma desenvoltura calculada, esbarrando deliberadamente em Rafael enquanto passava, como se o fizesse sem querer. Rafael se segurou para não cair, e Helena sentiu a raiva borbulhar dentro dela.

"Oh, me desculpem!", Sofia disse, sua voz carregada de uma falsa doçura. Ela lançou um olhar calculista para Helena. "Rafael, quanto tempo! Você mudou tanto desde a última vez que te vi. Clara ficaria tão surpresa em te ver aqui, com… com essa companhia." A última frase foi dita com um tom de desprezo velado.

Rafael se virou para Sofia, sua expressão tensa. "Sofia. Eu não sabia que você estaria aqui. E, por favor, não traga Clara para essa conversa. Não é apropriado."

"Por que não, Rafael? Ela era a sua vida, não era? E agora… você parece ter encontrado uma substituta. Uma substituta que não tem nada a ver com ela, pelo que vejo. Tão diferente…" Sofia sorriu, um sorriso frio e penetrante. "Você tem certeza que ela te faz feliz, Rafael? Tão diferente de tudo que você viveu?"

As palavras de Sofia atingiram Helena em cheio. O peso do passado, a comparação com Clara, tudo se misturou em uma onda de humilhação e raiva. Ela sentiu os olhos marejarem, mas se recusou a chorar. Ela não daria a Sofia a satisfação de vê-la abalada.

"Com licença, Sofia", Helena disse, sua voz firme e controlada, surpreendendo até a si mesma. "Rafael e eu estamos tendo uma noite especial. A sua presença, com suas insinuações maldosas, está estragando tudo. Se você se importa, poderia nos dar licença?"

Sofia a olhou com incredulidade, claramente não esperando uma reação tão direta. "Ora, ora. A substituta tem garras. Interessante."

Rafael interveio, sua voz soando mais dura do que Helena jamais o ouvira. "Sofia, já chega. Saia daqui. Agora."

Sofia deu um último olhar de desafio para Helena, um olhar que prometia mais problemas, e se afastou, misturando-se novamente à multidão, mas deixando um rastro de descontentamento e ameaça.

Helena sentiu suas pernas tremerem. A adrenalina parecia estar diminuindo, deixando-a exausta. Rafael a abraçou com força.

"Você está bem?", ele perguntou, seu rosto enterrado em seus cabelos.

"Estou", Helena respondeu, embora não tivesse certeza. A experiência a tinha abalado profundamente. A forma como Sofia havia falado de Clara, a maneira como ela tentou minar a confiança deles, tudo isso a assustava. "Ela… ela é assim com todo mundo?"

"Sofia sempre foi invejosa e amarga. Ela nunca lidou bem com a felicidade alheia, especialmente quando envolvia pessoas que ela não gostava. E ela parecia ter um carinho especial por Clara, mas era um carinho possessivo, de quem acha que tem direito sobre as memórias e os sentimentos dos outros." Rafael beijou o topo de sua cabeça. "Mas ela não tem esse direito sobre nós, Helena. Não importa o que ela diga ou faça, o que nós temos é nosso."

"Eu sei. É só que… é difícil não se abalar. Sentir essa energia negativa, essa tentativa de nos separar. E ainda mais quando envolve a memória de Clara."

"Eu entendo. E eu sinto muito que você tenha passado por isso. Mas eu quero que você saiba que o que Sofia disse não é verdade. Eu não estou te usando como substituta. Eu te amo, Helena. Eu te amo de uma forma que me assusta, porque é tão forte, tão real. A memória de Clara é uma parte da minha história, mas você é o meu presente e o meu futuro. Você é a mulher que me faz querer viver, que me faz querer ser melhor."

Helena ergueu o olhar para ele, buscando a sinceridade em seus olhos. E ela a encontrou. Havia ali uma verdade inabalável, uma promessa silenciosa. Ela sentiu a força de seu amor por ele, e a força que ele emanava.

"Eu também te amo, Rafael. E eu não vou deixar que Sofia ou qualquer outra pessoa destrua o que temos."

Eles voltaram a dançar, mas desta vez, com uma nova determinação. A dança não era mais apenas um ato de sedução, mas um ato de resistência. Eles se abraçavam com mais força, como se quisessem proteger um ao outro do mundo exterior. Helena sentiu uma força interior que não sabia que possuía. A confrontation com Sofia, por mais desagradável que fosse, havia despertado nela um senso de autoconfiança e de proteção ao seu amor.

Enquanto a música diminuía, Helena olhou para Rafael, seus olhos brilhando com uma nova determinação. "Nós vamos superar isso, Rafael. Juntos."

Rafael a beijou, um beijo profundo e apaixonado, que selou a promessa que acabara de ser feita. A noite, que ameaçou ser arruinada pela sombra do passado, agora se transformava em um testemunho da força do presente e da resiliência do amor. Helena sabia que a batalha contra as sombras de Clara e as intenções de Sofia ainda estava longe de terminar, mas ela se sentia pronta. Armada com o amor de Rafael e a força que descobriu em si mesma, ela estava disposta a lutar.

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