O Ladrão do meu Coração 199

Capítulo 21

por Isabela Santos

Com certeza! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "O Ladrão do meu Coração 199" com estes capítulos inéditos. Sinta a paixão, o drama e as reviravoltas que só o coração humano é capaz de criar.

Capítulo 21 — A Cidade que Abraça e o Coração que Hesita

A garoa fina e persistente de São Paulo beijava o rosto de Isabella, um carinho gélido que contrastava com o calor que emanava de seu peito. A cidade grande, com seus arranha-céus que arranhavam o céu cinzento e suas avenidas pulsantes de vida, parecia um monstro adormecido, fascinante e perigoso. Havia deixado o Rio de Janeiro, o mar, o sol que era a sua cara, para se jogar de cabeça na incerteza, impulsionada por um misto de desespero e uma fagulha de esperança que, teimava em não se apagar. Miguel. O nome dele ecoava em sua mente como um mantra, uma melodia que a embalava e ao mesmo tempo a atormentava.

Desde o confronto com Leonardo, as últimas semanas haviam sido um turbilhão. A verdade sobre a ligação de Leonardo com a morte do pai de Miguel, uma teia de traição e ganância, a atingiu como um raio. A cada revelação, sentia o chão tremer sob seus pés. E Miguel, com aquele olhar que transbordava dor e um amor que parecia querer consumi-la, a fez perceber que não poderia mais fugir. Fugir dele, fugir de si mesma.

A pequena cobertura alugada por Miguel em um bairro charmoso e bucólico de São Paulo era um refúgio. Os móveis simples, as paredes claras, as janelas que davam para um emaranhado de árvores e telhados, tudo transpirava uma tranquilidade que Isabella não sentia há muito tempo. Era um lugar para se curar, para se reencontrar. Miguel a recebera com um abraço apertado, daqueles que parecem querer juntar os pedaços quebrados. Mas o toque dele, por mais reconfortante que fosse, também acendia as chamas que ela tentava desesperadamente controlar.

“Você está bem?”, Miguel perguntou, os olhos dele, de um azul profundo como o oceano em dia de tempestade, a sondando com uma ternura que a desarmava. Ele segurava uma xícara de café fumegante, o vapor dançando no ar frio.

Isabella assentiu, um sorriso fraco brincando nos lábios. “Estou… tentando. Essa cidade é tão diferente. Tão… intensa.”

Ele se aproximou, sentando-se ao lado dela no sofá de linho cru. A proximidade dele era um perigo iminente, uma eletricidade que corria por suas veias. “São Paulo tem esse poder. Ela te desafia, te força a ser mais forte. Mas também te acolhe, se você permitir.” Ele fez uma pausa, seus dedos roçando os dela. “E você não está sozinha aqui, Isabella. Nunca mais.”

Aquelas palavras, ditas com tanta convicção, fizeram um nó se formar em sua garganta. A promessa de nunca mais estar sozinha era tudo o que ela mais desejava, mas também o que mais a aterrorizava. O medo de se entregar completamente, de ser novamente ferida, era um fantasma que a assombrava.

“Eu… eu não sei se estou pronta para isso, Miguel.” A confissão saiu num sussurro, quase inaudível.

Miguel a olhou, a compreensão tingindo seus olhos. Ele não a pressionou, apenas segurou sua mão com mais firmeza, seus polegares traçando círculos suaves nas costas dos dedos dela. “Eu sei. E eu vou esperar. O tempo que for preciso. Mas você precisa saber que aqui, comigo, você está segura. O passado não pode te alcançar mais.”

Segura. A palavra soou estranha em seus ouvidos. Ela nunca se sentira realmente segura. Nem mesmo nos braços do pai, nem mesmo em sua própria casa. A vida a ensinara a estar sempre alerta, a construir muralhas para se proteger. E agora, Miguel, com sua força silenciosa e seu amor inabalável, estava pedindo para ela derrubar tudo isso.

Os dias em São Paulo se desenrolavam em um ritmo lento e contemplativo. Isabella passava horas observando a cidade da janela, tentando decifrar seus segredos, seus ritmos. Miguel a levava para passear pelos parques, pelas ruas arborizadas, a apresentava aos seus poucos e escolhidos amigos, pessoas discretas e acolhedoras que pareciam entender a necessidade de Isabella de um recomeço discreto.

Ela se sentia em um limbo, entre o passado que a assombrava e o futuro incerto que se desenhava. Leonardo estava solto. Ele havia escapado da polícia, um fantasma que pairava sobre a vida deles. A ameaça era real, palpável. Miguel, por mais que tentasse disfarçar, estava tenso. Seus olhos se desviavam com frequência para a janela, e ele passava horas ao telefone com advogados e pessoas de confiança, buscando maneiras de garantir que Leonardo não voltasse a feri-los.

Uma tarde, enquanto caminhavam pela Avenida Paulista, o sol de fim de tarde pintando os prédios de dourado, Isabella parou abruptamente.

“Miguel, o que vai acontecer agora?”, ela perguntou, a voz embargada pela preocupação. “Leonardo… ele não vai desistir, não é?”

Miguel parou e a abraçou, o corpo dele um escudo protetor contra o mundo. “Não, ele não vai. Mas nós somos mais fortes que ele, Isabella. Juntos.” Ele a puxou para mais perto, seus lábios roçando seu cabelo. “Eu não vou deixar que ele te machuque de novo. Prometo.”

A promessa dele era um bálsamo para sua alma ferida, mas a realidade era cruel. Leonardo era um inimigo astuto e implacável. Ela sabia que ele não se contentaria em ser apenas um fantasma. Ele voltaria. E desta vez, Isabella não estava disposta a ser a vítima. O medo se misturava com uma raiva crescente, uma força que ela não sabia que possuía.

Naquela noite, deitada na cama ao lado de Miguel, o corpo dele quente e reconfortante ao seu lado, Isabella sentiu uma nova determinação se instalar em seu peito. Ela não era mais a garota frágil que ele havia conhecido. As cicatrizes invisíveis a haviam transformado. A dor a havia moldado. E agora, ela estava pronta para lutar. Lutar por seu futuro, lutar por seu amor. Lutar contra quem quer que tentasse roubar sua paz novamente.

“Miguel?”, ela sussurrou, sentindo-o acordar.

“Sim, meu amor?”, ele respondeu, a voz rouca de sono.

“Eu… eu acho que estou começando a entender o que você disse. Sobre essa cidade. Ela te força a ser mais forte.” Ela virou-se para encará-lo, a luz tênue do abajur pintando seu rosto. “E eu quero ser forte. Por nós.”

Um sorriso suave se espalhou pelo rosto de Miguel. Ele a puxou para um abraço, o beijo que se seguiu não era apenas de paixão, mas de cumplicidade, de uma promessa silenciosa de que enfrentariam juntos qualquer tempestade. O caminho à frente era incerto, repleto de perigos, mas pela primeira vez em muito tempo, Isabella sentiu que tinha um lugar para chamar de lar, e alguém que lutaria ao seu lado, até o fim.

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