Amor nas Alturas 200

Amor nas Alturas 200

por Camila Costa

Amor nas Alturas 200 Autor: Camila Costa

---

Capítulo 11 — A Tempestade Interior e os Olhos Que Falam

O silêncio que se instalou no escritório de Eduardo era mais ensurdecedor que qualquer grito. O vidro espelhado daquela sala, que antes refletia o luxo impenetrável da sua vida, agora parecia embaçado pela névoa de incerteza que o envolvia. Helena, com os olhos marejados mas a postura erguida, esperava. Esperava uma explicação, um pedido de desculpas, talvez até uma confissão de que tudo o que ele havia feito, tudo o que ele havia dito, não passava de um jogo cruel. Mas Eduardo, diante dela, era uma estátua de gelo.

Seu corpo tensionado denunciava a luta interna. A mão que repousava sobre a mesa de mogno fechava-se em punho, os nós dos dedos brancos. A cada segundo que passava, a cada respiração contida de Helena, sentia o peso da verdade esmagá-lo. Ele havia mentido. E não era uma mentira qualquer, era um abismo que se abria entre eles, um abismo construído com promessas quebradas e expectativas desfeitas. A imagem de Helena, tão pura e confiante em seus braços, em contraste com o seu próprio ato de traição, corroía-o por dentro.

"Eduardo?", a voz de Helena era um fio de esperança, um convite para que ele rompesse aquele silêncio torturante. "Você… você disse que me amava. Que eu era a única." As palavras saíam entrecortadas, tingidas de dor e descrença. Ela via a batalha nos olhos dele, uma confusão de remorso e orgulho ferido. Mas o que ela não compreendia era a complexidade dos seus motivos, o emaranhado de interesses e o medo que o consumiam.

Ele ergueu o olhar, encontrando o dela. Era um olhar que o desarmava, que o confrontava com a crueldade da sua própria existência. Os olhos de Helena, antes o espelho de um amor recém-descoberto, agora refletiam a dor de uma traição dilacerante. E ele, o homem que se vangloriava de ter o controle de tudo, sentia-se à deriva, arrastado pela correnteza dos seus próprios erros.

"Helena…", sua voz saiu rouca, um sussurro que mal conseguia mascarar o tormento. Ele queria dizer tudo, queria desabafar a angústia que o sufocava. Queria explicar que a pressão era insuportável, que o jogo que ele jogava era mais perigoso do que ela poderia imaginar. Que a sua ambição desmedida o cega, mas que, no fundo, o seu coração pertencia a ela. Mas as palavras se recusavam a sair, presas na garganta por um nó de orgulho e medo.

"Por que, Eduardo?", ela repetiu, a voz agora mais firme, apesar do tremor. "Por que você fez isso comigo? Eu te dei tudo. A minha confiança, o meu amor… A minha alma." As lágrimas finalmente escorreram, silenciosas, traçando caminhos de dor em seu rosto. Ela se aproximou, os saltos altos ecoando no mármore, cada passo uma pontada de esperança e desespero.

Ele deu um passo para trás, como se o toque dela o queimasse. Era uma rejeição silenciosa, mas que gritava mais alto que qualquer palavra. Helena sentiu o coração apertar, uma dor física que a fez dobrar ligeiramente os joelhos. A imagem do seu corpo entrelaçado com o de outra mulher, a promessa de uma vida conjunta desfeita em segundos, a imagem de Lucas, sorrindo com a sua vitória… Tudo isso a atingiu como um golpe certeiro.

"Você… você sabia?", ela perguntou, a voz embargada. "Desde o início? Ou foi… foi depois?"

Eduardo hesitou. A verdade, em sua forma mais brutal, era a única saída. Mas como proferi-la sem destruir o que restava de Helena? Ele sabia que a sua revelação seria um terremoto em suas vidas, um cataclismo que poderia separá-los para sempre.

"Eu… eu não sabia de tudo, Helena. Não no início." A confissão saiu em um sopro. Ele viu a esperança nos olhos dela se apagar, substituída por uma dor mais profunda, mais crua. "Mas… quando eu descobri… eu… eu não tive coragem de te contar."

"Não teve coragem?", ela repetiu, a voz carregada de incredulidade. "De me contar a verdade? Ou de largar tudo o que você tinha construído com base em mentiras?" A pergunta era um chicote, cada palavra um golpe.

"Eu estava… eu estava preso, Helena. Preso em um jogo que eu não comecei, mas que me consumiu. A pressão… a responsabilidade… tudo virou uma teia." Ele tentou se defender, mas sabia que as desculpas soavam vazias.

Helena fechou os olhos por um instante, absorvendo a dor. Ela se lembrou das noites em claro, do perfume dele em seus cabelos, das promessas sussurradas ao pé do ouvido. Lembrou-se de como ele a fez sentir amada, desejada, única. E agora, tudo isso parecia uma elaborada encenação.

"Você me usou, Eduardo.", ela disse, a voz embargada, mas carregada de uma força que ele não esperava. "Você me usou para… para quê? Para se sentir mais poderoso? Para me manipular?"

"Não!", ele exclamou, a voz alta pela primeira vez. Ele deu um passo em direção a ela, a necessidade de tocá-la, de explicar, de implorar, mais forte que o seu orgulho. "Nunca foi para te machucar, Helena. Você… você é tudo o que eu mais quero. Mas eu me perdi no caminho."

Ele estendeu a mão, os dedos hesitantes em direção ao rosto dela. Mas Helena recuou, a dor em seus olhos se intensificando. Ela não conseguia mais distinguir o amor da manipulação, a verdade da mentira. A fachada de Eduardo, tão impecável por fora, agora se revelava frágil, rachada pela sua própria arrogância.

"Eu não sei mais quem você é, Eduardo.", ela sussurrou, a voz quebrada. "E, honestamente, não sei se quero descobrir." Ela virou-se, o vestido esvoaçando, e caminhou em direção à porta. Cada passo era um adeus, cada movimento um corte profundo em seu coração e no dele.

Eduardo a observou partir, a silhueta elegante desaparecendo pela porta. O som dos seus saltos sumindo no corredor era o eco da sua própria perda. Ele ficou ali, paralisado, o silêncio voltando a dominar o escritório. As luzes da cidade lá fora brilhavam, alheias à tempestade que se abatera dentro dele. Ele havia jogado, havia ganhado algumas batalhas, mas naquele momento, sentia-se o maior dos perdedores. O amor nas alturas, que ele acreditava ter conquistado, agora parecia inalcançável, um sonho que se desvanecia na escuridão da sua própria traição. O reflexo no vidro espelhado mostrava um homem solitário, com o peso do mundo em seus ombros e o vazio de um coração partido.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%