Amor nas Alturas 200

Capítulo 4 — A Revelação e a Dívida de Sangue

por Camila Costa

Capítulo 4 — A Revelação e a Dívida de Sangue

O dia amanheceu nublado em Nova York, um reflexo do estado de espírito de Clara. A noite com Leonardo, embora arrebatadora, a deixara confusa e apreensiva. Ele era o representante dos investidores que queriam prejudicar a Global Solutions, mas também era o homem que a fizera sentir coisas que ela pensava ter esquecido. O conflito de interesses se tornava cada vez mais pessoal.

Ela tentou se concentrar no trabalho. No escritório da Global Solutions, Victor Moretti a aguardava com seu sorriso calculista. A negociação do dia seria tensa, com Leonardo presente como representante dos investidores. Clara sabia que precisaria ser implacável, mas a imagem do beijo da noite anterior a assombrava.

Leonardo entrou na sala de reuniões, e seus olhares se encontraram. Houve um momento de reconhecimento, um lampejo de cumplicidade que apenas eles entenderam. Victor Moretti, com sua sagacidade, percebeu a mudança na dinâmica.

"Vejo que os nossos jovens negociadores se aproximaram. Excelente!", comentou Moretti, com um sorriso maroto. "Um pouco de química pode acelerar qualquer negócio."

Clara sentiu o rosto esquentar. Leonardo apenas deu um leve sorriso, sem desviar o olhar de Clara.

A negociação começou. Clara apresentava seus argumentos com a firmeza de sempre, mas a presença de Leonardo, e a memória da noite anterior, a tornavam vulnerável. Leonardo, por sua vez, respondia com a mesma precisão, mas seus olhos pareciam procurar algo em Clara, uma confirmação, uma permissão.

Em um momento de pausa, Leonardo se aproximou de Clara. "Você está bem?", perguntou ele, a voz baixa.

"Estou concentrada, Leonardo. É o meu trabalho."

"Eu sei. E admiro sua dedicação. Mas você não pode negar o que aconteceu ontem à noite."

"Não podemos misturar nossos sentimentos com os negócios, Leonardo. Isso seria irresponsável."

"Irresponsável", repetiu ele, com um leve sorriso. "Você tem razão. Mas e se eu lhe dissesse que há algo mais em jogo? Algo que vai além deste contrato."

Clara o olhou, intrigada. "O que você quer dizer?"

"Eu tenho uma dívida com Victor Moretti. Uma dívida de sangue."

A revelação o pegou de surpresa. "Dívida de sangue? Leonardo, do que você está falando?"

"Meu pai teve um problema sério com Victor anos atrás. Uma traição que quase o levou à falência. Victor o salvou, mas a um preço. Ele me obrigou a me comprometer com ele, a trabalhar para ele, a honrar a dívida de meu pai. Eu sou, em muitos aspectos, uma marionete de Victor Moretti."

Clara o encarou, chocada. A imagem do homem confiante e independente que ela conhecera no aeroporto se desfez, dando lugar a um homem preso em um jogo perigoso.

"Então... você não representa esses investidores. Você está trabalhando para Victor?"

Leonardo suspirou. "Eu represento os investidores, sim. Eles são meus clientes. Mas Victor está sempre de olho. Ele quer que eu negocie este contrato a favor da Global Solutions, para que ele possa ter controle sobre este novo mercado."

"E por que você aceitou a dívida do seu pai? Por que não buscou ajuda?", perguntou Clara, a voz carregada de compaixão.

"A minha família é tudo para mim. Eu faria qualquer coisa para protegê-la. E Victor é implacável. Se eu o desafiasse, ele destruiria todos que amo."

O peso daquelas palavras recaiu sobre Clara. Ela se sentiu dividida entre a advogada implacável que precisava ser e a mulher que sentia uma profunda empatia por Leonardo.

Victor Moretti se aproximou, interrompendo a conversa. "Algo para compartilhar, vocês dois? Parece que a negociação parou."

Leonardo se recompôs rapidamente. "Estávamos apenas discutindo os termos finais, Victor. Clara está sendo bastante... resistente."

Moretti sorriu. "Sei que ela é. Mas sei também que podemos chegar a um acordo. Afinal, o mundo dos negócios é feito de concessões." Ele olhou para Leonardo com um olhar penetrante. "E de lealdade."

Clara sentiu um aperto no peito. A lealdade de Leonardo estava dividida, presa entre seu cliente atual e a verdade de seus sentimentos.

A negociação continuou, agora com um tom mais sombrio. Clara sentia a pressão de Victor aumentar, e a relutância de Leonardo em ir contra suas ordens. Ela sabia que precisava tomar uma decisão, uma decisão que poderia mudar o curso da negociação e talvez, o curso de suas vidas.

Ao final do dia, o contrato ainda não estava fechado. Victor Moretti, frustrado, decidiu que precisariam de mais tempo, e propôs um jantar de encerramento, desta vez mais informal, para "celebrar" os progressos. Clara aceitou, sabendo que seria sua última oportunidade de entender as verdadeiras intenções de Leonardo.

No jantar, a atmosfera era mais leve, mas a tensão subjacente permanecia. Leonardo, sentado ao lado de Clara, parecia mais abatido.

"Você não pode continuar assim, Leonardo", disse Clara, baixo. "Vivendo sob o jugo de Victor."

"Eu não tenho escolha, Clara. Ele controla tudo."

"Sempre há uma escolha. Talvez você precise de ajuda para encontrá-la."

Leonardo a olhou, um misto de esperança e desespero em seus olhos. "Você estaria disposta a me ajudar?"

Clara hesitou. Ajudar Leonardo significaria entrar em um jogo perigoso, enfrentar Victor Moretti, um homem conhecido por sua crueldade. Mas a atração que sentia por ele, a compaixão que ela nutria, a impulsionavam.

"Eu não sou uma heroína, Leonardo. Sou apenas uma advogada. Mas... se você estiver disposto a lutar pela sua liberdade, talvez eu possa te ajudar a encontrar um caminho."

Um sorriso fraco surgiu nos lábios de Leonardo. "Obrigado, Clara. De verdade."

Victor Moretti, percebendo a proximidade entre eles, se aproximou. "Vocês dois parecem estar formando uma aliança secreta. Cuidado, jovens. Em Nova York, as alianças podem ser perigosas."

Clara e Leonardo trocaram um olhar. A aliança que Victor temia estava, de fato, se formando. Uma aliança construída sobre a verdade, a compaixão e uma atração irresistível. O caminho à frente seria árduo, cheio de perigos e incertezas, mas Clara sabia que não estava mais sozinha naquela jornada. E Leonardo, pela primeira vez em muito tempo, sentiu uma pontada de esperança, uma esperança alimentada pelo olhar determinado da mulher que havia cruzado seu caminho inesperadamente.

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